À parte dessas facetas e dos trabalhos desenvolvidos com empresas como Apple, Nike e Visa, o americano Neil Redding, consultor, palestrante e arquiteto de inovação, é mais conhecido como “futurista do agora”, ao abordar como tecnologias emergentes e inovadoras já estão transformando o mercado.

Nesse contexto, a inteligência artificial (IA) generativa tem sido um tema dominante em seus projetos e aparições. Especialmente sob a ótica do impacto que esse turbilhão está trazendo para profissionais, empresas e, principalmente, seus líderes.

“O raciocínio foi uma das grandes capacidades absorvidas pela IA em 2025. Esse foi o momento que ela deixou de ser ferramenta para participar dos processos”, disse Redding, durante sua palestra nesta quinta-feira, 13 de agosto, no SP2B, evento que está sendo realizado nesta semana na capital paulista.

Em sua avaliação, se essa tecnologia seguir apenas como uma ferramenta de apoio nas empresas, seus benefícios estarão limitados ao que o usuário souber pedir. Em contrapartida, se as companhias incorporarem, de fato, os agentes de IA como parte do “time”, os ganhos serão fundamentalmente diferentes.

“É o mesmo quando tratamos pessoas”, afirmou. “É preciso ir da resposta para o relacionamento, dos prompts pontuais para o contexto compartilhado”, afirmou Redding, que apontou um outro dilema para as empresas em meio ao avanço dessa tecnologia.

“Hoje, a IA pode tomar decisões e executá-las mais barato e rápido do que você e sua empresa. E quem não seguir o ritmo, vai ficar para trás”, disse ele. “Se sua organização não conseguir seguir essa velocidade, alguém fará. Se você tiver sorte, alguém interno. Se tiver azar, algum concorrente”.

Na sequência desse roteiro, o futurista americano apontou um outro desafio. Agora, para os executivos à frente das empresas. “Quando a IA ultrapassa a tomada de decisão, a resposta não é mais o controle e o comando rígido. É um tipo de liderança totalmente diferente”, observou.

Aqui, Redding ressaltou que o caminho é o que ele chama de orquestração, um modelo que CEOs devem adotar para coordenar equipes que combinam seres humanos e agentes IA, criando assim uma dinâmica que possa extrair mais resultados de uma relação harmônica entre esses dois elos.

“O que está claro é que essas dinâmicas já estão acontecendo”, em uma referência à rápida ascensão dos agentes de IA, oficialmente ou não, nas empresas. “Nós podemos moldá-los ou sermos moldados por eles”.

Para ressaltar como esse modelo de orquestração está “afinado” com esses novos tempos, Redding reforçou que escolheu o termo pensando justamente em orquestras sinfônicas e, particularmente, na figura dos maestros.

“O maestro não está fazendo o comando e o controle no nível da tarefa. Todos os músicos conhecem aquela partitura”, afirmou. “Mas esse maestro controla o tempo, a performance. E isso é a orquestração. É fazer ajustes continuamente conforme as capacidades e o contexto mudam”.