Após quase dois anos, a provedora de banda larga de fibra óptica Desktop, que atua no interior de São Paulo, encontrou um comprador para a sua operação.

A mexicana Claro acaba de anunciar a compra da Desktop por R$ 4 bilhões, dando saída à gestora de private equity HIG Capital, que controlava a empresa por meio do Makalu Brasil Partners I.

Descontada a dívida líquida, estimada em R$ 1,585 bilhão em setembro de 2025, o valor base da operação chega a aproximadamente R$ 2,4 bilhões, o que implica um preço de R$ 20,82 por ação. A Claro está avaliando cada um dos 1,2 milhão de usuários da Desktop em aproximadamente R$ 3,3 mil.

Levando-se em conta o preço de fechamento da ação da Desktop na sexta-feira, 20 de março, o prêmio é de 44,6%. O valor, no entanto, é 11,4% inferior ao preço do IPO, em julho de 2021, quando a empresa captou R$ 715 milhões com o papel precificado a R$ 23,50.

O negócio envolve a compra de 73,01% do capital da Desktop, o equivalente a cerca de 84,7 milhões de ações ordinárias, por meio da Claro NXT Telecomunicações, subsidiária da Claro Telecom Participações. O acordo foi firmado com os atuais controladores da companhia, incluindo o fundo Makalu Brasil Partners I e os fundadores da empresa.

Após a conclusão da transação, que precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Agência Nacional de Telecomunicações, a Claro vai estender a oferta aos acionistas minoritários, fechando o capital da Desktop.

Além disso, a Desktop terá de realizar uma assembleia de acionistas para alterar seu estatuto social, eliminando uma cláusula relacionada a ofertas públicas por participação relevante , mudança que só terá efeito após o sinal verde dos órgãos reguladores.

O pagamento será feito em reais e dividido em duas etapas: uma parcela principal na data de conclusão da operação e um ajuste posterior, após a apuração definitiva da dívida líquida.

Parte do valor — proporcional a até R$ 175 milhões — ficará retida em uma conta escrow, que funcionará como garantia para eventuais obrigações de indenização dos vendedores, com liberação gradual ao longo de cinco anos.

Com a transação, a Claro reforça sua presença em fibra óptica e no interior de São Paulo. A empresa conta com 10,5 milhões de assinantes em banda larga, dos quais 4,5 milhões em São Paulo. Com a aquisição, passa a ter quase 12 milhões de clientes em banda larga, sendo 6 milhões deles no estado.

A transação encerra uma longa busca por um comprador. Em 2023, a Desktop contratou o Bank of America (BofA) para encontrar um comprador para a sua rede de 55 mil quilômetros de fibra óptica, seguindo um modelo semelhante ao da Oi, que deu origem à V.tal.

Como o negócio nesses moldes não prosperou, a estratégia mudou para a venda total da operação. A Vivo, do grupo espanhol Telefônica, chegou a se engajar em uma negociação exclusiva, como noticiou com exclusividade o NeoFeed, mas o acordo não avançou por conta de divergências no preço.