O resultado do primeiro trimestre do Inter mostrou um balanço forte na principal fonte de receita de um banco. A carteira de crédito bruta chegou a R$ 50 bilhões, crescimento de 33% em 12 meses.

Segundo o CFO Santiago Stel, o Inter vê espaço para manter um crescimento da carteira próximo de 30% ao ano, mesmo com uma base robusta.

“Se há um balanço de R$ 50 bilhões, o crescimento percentual de 30% sobre uma massa crítica dessa envergadura não é menor”, diz Stel ao NeoFeed. “Como queremos manter o perfil de risco e a política, achamos que 30% é um número para a gente alcançar.”

Parte desse avanço veio do cartão de crédito, cuja carteira chegou a R$ 15,6 bilhões, alta de cerca de 27% em 12 meses. Dentro dessa carteira, o Inter aumentou de 21% para 25% a fatia de operações que geram juros, formada por clientes que não pagam o total da fatura ou que parcelam compras e saldos com o banco.

A estratégia, segundo a companhia, faz parte de um reshaping da carteira de cartões, em busca de maior rentabilidade — ainda que isso também eleve o risco do portfólio. Para Stel, o patamar atual segue saudável e há espaço para o banco aumentar a fatia das operações com juros na carteira de cartão de crédito.

“Diria que uma relação de 70/30 estaria mais próxima do nosso sweet spot. Mas não queremos que esse crescimento seja artificial. Tem que ser natural”, afirma o CFO.

Outra frente que tem impulsionado a carteira do Inter é a de consignado privado, que chegou a R$ 2,5 bilhões no primeiro trimestre, uma alta de R$ 600 milhões em relação ao trimestre anterior.

Como ainda representa um percentual pequeno da carteira, Stel avalia que esta é a área de crédito que deve mais crescer nos próximos trimestres, ao menos proporcionalmente. Mas, segundo o CFO, ainda demanda cautela, devido ao baixo histórico do produto.

“Há algumas incógnitas que precisamos esclarecer para poder responder com mais confiança quanto deve ser o perfil de crescimento”, diz Stel. “Estamos bastante confortáveis com esse crescimento de R$ 600 milhões, dadas as informações que temos hoje sobre o produto.”

Considerando também o crédito destinado a funcionários públicos, o consignado teve um crescimento total de 40% na carteira do Inter, enquanto o financiamento imobiliário subiu 42% e o home equity, 43%.

Apesar do forte crescimento da carteira, os indicadores de risco também tiveram alguma piora no trimestre. A inadimplência acima de 90 dias subiu de 4,7%, no trimestre anterior, para 5,1% — o patamar mais alto desde o terceiro trimestre de 2024 —, enquanto o custo de risco avançou de 5,3% para 5,6%. Excluindo o efeito do consignado privado, linha em que as provisões são feitas na largada da operação, o custo de risco passou de 5,0% para 5,1%.

Stel disse que a piora vem depois de o banco ter reduzido os índices de inadimplência ao longo do ano passado, em meio a uma postura mais conservadora na carteira.

“Agora há uma alta marginal, que tem a ver em parte com o nosso apetite de risco, porque estamos originando mais cartões e consignado privado, e com o nível do mercado um pouco mais estressado”, afirma ele.

Na última linha do balanço, o lucro líquido foi de R$ 395 milhões no primeiro trimestre de 2026, 37,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado - o resultado ficou um pouco abaixo do consenso de mercado de R$ 401 milhões da Bloomberg.

Com o resultado, o ROE anualizado chegou a 15,5%, avanço de 265 pontos-base na comparação anual e de 40 pontos-base frente ao trimestre anterior.

Plano de longo prazo

O banco terminou o trimestre com 44 milhões de clientes, dos quais 25,8 milhões ativos, elevando a taxa de ativação para 58,6%. A base de clientes é uma das métricas acompanhadas no plano 60-30-30, apresentado pelo Inter há cerca de três anos, com metas para 2027. O pacote previa 60 milhões de clientes, índice de eficiência próximo de 30% e ROE de aproximadamente 30%.

No primeiro trimestre, o índice de eficiência recuou para 43,8%, enquanto o ROE anualizado ficou em 15,5%. Segundo Stel, o banco está próximo da trajetória prevista para o terceiro ano do plano, embora algumas métricas estejam mais avançadas que outras.

“Esse plano é um plano de cinco anos. Ainda faltam dois anos”, diz o CFO. “Se fizéssemos uma interpolação linear, hoje estamos bem em linha. Algumas métricas estão um pouco acima, como clientes, e outras um pouco abaixo, como ROE, mas não muito longe do que seria o número interpolado ao terceiro ano.”

Stel evitou antecipar se as metas serão mantidas nos mesmos termos e disse que o Inter fará uma atualização do plano no Owner's Day, marcado para segunda-feira, 11 de maio, em Nova York.

“Em janeiro de 2023, a Selic estava em 13,75%. Em 12 meses, foi a 15%. Todas as variáveis macro ficaram completamente diferentes.”

Na Nasdaq, a ação do Inter acumula queda de 7,5% neste ano, ante uma alta de 16,5% em 12 meses. O valor de mercado do banco é de US$ 3,5 bilhões.