O Grupo SBF comunicou ao mercado no fim de agosto que estendeu até 2034 o contrato de distribuidor exclusivo da Nike, por meio da Fisia, no Brasil. Depois de um trimestre marcado pela Copa do Mundo e por números recordes, o CEO Gustavo Furtado riscou essa que era uma das principais preocupações para o negócio.

Quando o SBF adquiriu a operação da Nike no Brasil, em 2020, a companhia ainda se enxergava essencialmente como uma varejista multimarcas, dona da Centauro, com a nova operação “acoplada” ao grupo. Seis anos depois, a percepção é outra.

“Hoje, a gente se vê como uma única empresa, embora tenha duas operações apartadas”, diz Furtado ao programa Números Falam, produzido pelo NeoFeed em parceria com a CNN Brasil, exibido quinzenalmente às sextas-feiras no CNN Money.

Segundo o CEO, a Físia ganhou conhecimento de varejo que não possuía quando foi adquirida, enquanto a Centauro absorveu da operação da Nike capacidades em construção de marca e planejamento de demanda.

No segundo trimestre deste ano, a Físia alcançou receita líquida recorde de R$ 1,3 bilhão, avanço de 27,5%, com crescimento no atacado, digital e lojas físicas. E já representa cerca de 54% da soma das receitas das duas principais operações (antes das eliminações entre empresas do grupo).

Produto certo na loja certa

Após a renovação de contrato com a marca esportiva, o SBF pode se concentrar na produtividade. Com vendas mesmas lojas da Centauro em alta de 23,6%, o CEO vê na alocação de estoque a próxima fronteira de produtividade dos cerca de 290 mil metros quadrados de lojas do grupo.

Há uma conta que Furtado passou a olhar com mais atenção. Na matemática do executivo, cada R$ 1 adicional vendido por metro quadrado por dia representa perto de R$ 100 milhões em receita ao longo de um ano.

“Ainda sofremos de ruptura em loja. Conseguir alocar esse produto de uma maneira mais assertiva vai destravar um crescimento adicional bastante expressivo”, afirma o executivo

No segundo trimestre, a receita líquida do Grupo SBF chegou a R$ 2,2 bilhões, alta de 22,1% sobre igual período de 2025. O Ebitda ajustado ex-IFRS avançou 48,7%, para R$ 248,9 milhões, e a margem passou de 9,2% para 11,2%.

Na Centauro, o número que melhor ajuda a explicar a mudança operacional são as vendas mesmas lojas, enquanto o número de unidades praticamente não foi alterado - passou de 227 para 229 em um ano.

A origem desse ganho de produtividade remonta ao período em que o SBF priorizou a redução de sua alavancagem. Ao voltar a olhar individualmente para a rede, a administração percebeu que parte das lojas havia entrado no que Furtado chama de “espiral da morte” do varejo.

Uma unidade com desempenho inferior começava a receber menos produto. Com menos mercadoria, vendia menos. Com vendas menores, vinha a redução da equipe. E, com menos vendedores e menos produto, a performance voltava a piorar.

A reforma das lojas tornou-se outra peça dessa estratégia. Em média, as lojas revitalizadas têm desempenho 10,8% superior ao de unidades comparáveis em suas regiões. Mas Furtado afirma que há casos em que o ganho chega a aproximadamente três vezes essa média. “É quase um projeto customizado para cada loja”, diz Furtado.

Segundo o executivo, a companhia já reformou ou está concluindo a reforma de 41 das 101 lojas que integravam esse grupo de unidades mais antigas. Restam pouco mais de 60.