Após o desempenho registrado na Copa do Mundo de 2026 e diante do impacto positivo observado nos últimos cinco anos, o Grupo SBF decidiu estender o acordo que mantém com a Nike.

O controlador da Centauro anunciou, na sexta-feira, 28 de agosto, a celebração de um aditamento ao contrato de distribuição firmado com a Nike, estendendo o acordo até 31 de maio de 2034. Quando assinou o contrato, em 2020, para ser a distribuidora exclusiva de produtos e assumir a operação de vendas nos canais digitais da marca americana no País, o acordo tinha prazo de dez anos.

O aditamento também prevê um mecanismo de renovação contínua (rolling basis), por meio do qual as empresas se reunirão anualmente para discutir a extensão do prazo do contrato por períodos adicionais de um ano.

Segundo a SBF, o acordo permite às companhias buscarem, a cada ano, a ampliação do horizonte contratual, conferindo previsibilidade de aproximadamente sete anos de vigência, em comparação aos cerca de cinco anos acertados inicialmente.

O acordo com a Nike, cujo slogan é "Just do it", foi fundamental para a SBF, em um momento em que a companhia via a competição crescer no varejo esportivo. A empresa havia perdido para o Magazine Luiza a disputa pela Netshoes, adquirida por R$ 448 milhões na ocasião.

A aquisição da operação brasileira da Nike pela SBF, em 2020, se mostrou positiva principalmente em termos de escala e posicionamento estratégico. A operação, fechada por cerca de R$ 1 bilhão, transformou a Fisia, empresa responsável pela Nike no País, em um dos principais motores de receita da companhia. Nos três primeiros anos, a receita da Fisia cresceu 113%, e a operação alcançou receita bruta de cerca de R$ 5,1 bilhões em 2024, segundo informou a companhia.

Neste ano, com a Copa do Mundo, a Fisia alcançou receita líquida recorde de R$ 1,3 bilhão no segundo trimestre, crescimento de 27,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ajudou a SBF a fechar o período com faturamento de R$ 2,2 bilhões, alta de 22,1%.

A SBF também acelerou a abertura de lojas próprias e a operação dos canais digitais da marca, elevando a participação das vendas diretas ao consumidor de cerca de 30% na época da aquisição para aproximadamente 50% em 2024.

O acordo com a Nike fazia parte de uma estratégia da SBF de expandir para além do varejo tradicional, por meio das lojas Centauro. A empresa passou a incorporar novos braços de negócios, como o Grupo NWB, proprietário de plataformas relevantes de conteúdo digital, como Desimpedidos, e posteriormente a FitDance, plataforma brasileira focada em dança, conhecida por engajar uma comunidade massiva de entusiastas ao redor do mundo.

Mas esse plano foi revisto no ano passado. Diante da pressão sobre os resultados, dos desafios de integração e da complexidade de gerir diferentes formatos de negócio, a SBF optou por simplificar sua estrutura.

Em 2025, a companhia se desfez dos ativos de mídia digital e eventos, como a venda da NWB e da X3M, para focar na Centauro e na Fisia, áreas de maior rentabilidade e relevância estratégica.

As ações da SBF fecharam o pregão de quinta-feira, 27 de agosto, com alta de 0,24%, a R$ 8,33. No ano, os papéis acumulam queda de 34%, levando o valor de mercado a R$ 1,9 bilhão.