Braço de infraestrutura de computação em nuvem e inteligência artificial (IA) do Alibaba, a Alibaba Cloud acaba de divulgar que está desembarcando oficialmente no Brasil, conforme antecipou há três meses o NeoFeed.

A gigante chinesa anunciou na tarde desta quinta-feira, 27 de agosto, a chegada da divisão ao mercado brasileiro por meio da instalação de dois data centers no País e de um leque de serviços de nuvem, empacotados com a promessa de oferecer baixa latência, resiliência e governança de dados.

Em comunicado, a companhia também informou que planeja trazer um portfólio de serviços de IA agência como parte desse lançamento, que marca a primeira região de cobertura da Alibaba Cloud na América do Sul. Na América Latina, a estreia aconteceu no México, em fevereiro de 2025.

Com o novo movimento, que integra um plano de investimentos de US$ 53 bilhões do Alibaba em infraestrutura de inteligência artificial nos próximos três anos, a Alibaba Cloud soma agora 106 zonas de disponibilidade em 31 regiões distribuídas em todo o mundo.

“O Brasil é uma das economias digitais mais dinâmicas do mundo e um novo mercado central para a expansão da Alibaba Cloud na América Latina”, afirmou, na nota, Allen Guo, gerente geral da região da América Latina e vice-presidente de Negócios Internacionais da Alibaba Cloud Intelligence.

“Com infraestrutura local segura e resiliente, nosso portfólio de IA+Cloud e um ecossistema de parceiros em crescimento, estamos apoiando as empresas brasileiras enquanto desenvolvem suas capacidades de nuvem e IA e conectando-as à Ásia e à toda nossa rede global”, complementou o executivo.

Com foco em empresas, startups, desenvolvedores e instituições públicas, a oferta local vai incluir um pacote de produtos de cloud computing que vai compreender desde computação, armazenamento, contêineres, redes, segurança e bancos de dados, big data, até serviços nativos de cloud.

Já os serviços de IA agêntica incluirá plataformas para executar agentes de IA em escala, bem como ferramentas para bancos de dados e a geração automatizada de insights analíticos, entre outros recursos.

Segundo a empresa, a divisão já está trabalhando com parceiros locais para consolidar um ecossistema capaz de atender setores como e-commerce, fintechs, empresas nativas digitais, nativas de IA, startups dessa tecnologia e fornecedores independentes de software.

A lista dos primeiros acordos nessa direção inclui nomes como a Insi, provedora local de tecnologia, e a 4Linux, companhia brasileira especializada em softwares de código aberto e serviços de tecnologia da informação para empresas.

No fim de maio, em visita à China, o NeoFeed apurou junto a fontes a par dos planos do Alibaba que a companhia planejava lançar oficialmente sua oferta da Alibaba Cloud em agosto, a princípio, com um primeiro data center, instalado em São Paulo, e um segundo centro, ainda sem local definido.

A iniciativa era parte de uma estratégia de expansão turbinada por um investimento de mais de US$ 4 bilhões apenas em data centers, e que já havia se traduzido na entrada em mercados como Holanda, França, Coreia do Sul, Japão e Malásia, além da estreia em solo mexicano.

Conforme apurou o NeoFeed na época, o Alibaba já traçou a estratégia que irá adotar para ganhar participação nesses mercados hoje dominados pelas americanas Amazon Web Services (AWS), Microsoft, com a Azure, e Google, com a Google Cloud.

A escolha da empresa para avançar com a Alibaba Cloud será investir em uma estratégia agressiva de preços, com a promessa de entregar uma oferta até 30% mais acessível que concorrentes com a AWS, braço de infraestrutura e serviços de tecnologia da Amazon.

Além desse apelo ao “bolso” dos clientes, o Alibaba também aposta no conceito de “multicloud”, ou seja, na ideia de que muitas empresas precisam necessariamente ter uma “nuvem ocidental” e uma “nuvem oriental”.

Essa tese valeria para companhias que estão expandindo seus negócios globalmente, em um roteiro que, entre outros países, inclui a China. E, ao mesmo tempo, também se encaixaria nas estratégias de empresas chinesas, que, cada vez mais, estão expandindo seus negócios no exterior.

Como um fator adicional para atrair os clientes para a sua nuvem, o Alibaba aposta ainda na possibilidade de conectar essas companhias a outras áreas da sua operação, como o seu braço de logística.

Nesse contexto, esses esforços também dialogam com os movimentos do Alibaba para ganhar terreno no front dos modelos de inteligência artificial, onde sua “arma” é a família Qwen, cuja versão mais recente também aposta em códigos abertos, em linha com a abordagem das empresas chinesas.

Em paralelo a todas essas movimentações, na última segunda-feira, o Alibaba anunciou que irá emitir 710 milhões novas ações para investidores não-americanos, configurando o maior follow-on já registrado na Bolsa de Hong Kong, com uma oferta precificada em 80 bilhões de dólares de Hong Kong (US$ 10,2 bilhões).

De acordo com a empresa, os recursos da oferta serão 100% destinados à sua estratégia de inteligência artificial, o que envolve desde modelos de linguagem até chips e infraestrutura. Entretanto, o anúncio não foi bem recebido pelo mercado.

Sob um cenário de preocupação crescente dos investidores quanto aos volumes cada vez mais substanciais de recursos reservados para a inteligência artificial e os retornos que eles irão proporcionar, as ações da companhia registraram forte queda na bolsa asiática.

As ações do Alibaba encerraram o pregão desta quinta-feira com queda de 0,94% na Bolsa de Hong Kong, avaliando a empresa em 2,29 trilhões de dólares de Hong Kong (cerca de US$ 292 bilhões). No ano, os papéis acumulam queda de 19,1%.