A Camil saiu do “arroz e feijão”. Mas ainda não saciou seu apetite

Dona de marcas como Camil, União e Coqueiro, a empresa de alimentos fechou quatro aquisições em dois meses, entrando em categorias como café e massas. E vê espaço para novos acordos

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A diversificação do portfólio é um dos nortes das aquisições da Camil

Em um espaço de dois meses, a brasileira Camil, dona da marca homônima de arroz e feijão, foi ao mercado e fechou quatros aquisições, sendo que três delas tiveram como racional a entrada da companhia em novos segmentos ou mercados.

A duas primeiras, em julho, no Equador, com a compra dos negócios de arroz da Dajahu e das ações da Transportes Ronaljavhu. Em agosto, foi a vez da Santa Amália, marcando a estreia na categoria de massas. Já em setembro, o acordo envolveu a marca Seleto e a entrada na categoria de café.

Toda essa movimentação não significa, porém, que a empresa saciou seu apetite por novos acordos. “Hoje, nossa relação dívida líquida por Ebitda está em 1,6x”, disse Luciano Quartiero, CEO da Camil, em conferência com analista, nesta sexta-feira, 8 de outubro. “Temos uma capacidade grande de financiar outras aquisições.”

No pacote recente, a Camil desembolsou R$ 410 milhões pela Santa Amália e US$ 36,5 milhões pelos ativos no Equador. A companhia não revela apenas os valores envolvidos na aquisição da Seleto, em acordo fechado com a JDE.

Apesar da situação confortável, Quartiero destacou que a empresa tem procurado “esticar um pouco a corda” e buscado refinanciar os prazos e as condições de parte das suas dívidas. Isso inclui um empréstimo ponte feito com o IFC, braço do Banco Mundial, para as aquisições no Equador.

O executivo também comentou que as entradas nas categorias de massa e de café eram desejos antigos da companhia. Dona de marcas como Camil, União, Namorado e Coqueiro, a companhia, até então, atuava nas categorias de grãos, pescados e adoçados.

“As duas categorias, de trigo e café, são extremamente sinérgicas com as nossas operações”, afirmou o CEO da Camil. “Já temos a clareza do que podemos capturar com esses dois novos segmentos junto à nossa estrutura de distribuição.”

Na cadeia de trigo, Quartiero destacou o interesse da empresa em outras categorias além das massas. Já em café, ele observou que um dos primeiros passos com a Seleto, cujo acordo não envolveu nenhuma fábrica, é buscar opções de terceirização da produção, além do plano de investir em uma unidade própria.

“A marca Seleto é muito forte, mas estava um pouco deixada de lado. Nosso objetivo é recuperar o espaço que ela já teve no passado”, disse. “Mas nossa entrada no mercado vai ser de forma sutil. Vamos nos preparar nos próximos meses para, aí sim, investir pesado nesse mercado.”

Resultado

A Camil fechou o seu segundo trimestre fiscal, encerrado em agosto, com um lucro líquido de R$ 106,5 milhões, o que representou uma queda de 23,2% sobre o montante reportado na última linha do balanço, há um ano.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), por sua vez, ficou em R$ 191,1 milhões, um recuo de 7,9% sobre igual período de 2020. Já a receita líquida apurada entre junho e agosto cresceu 16%, para R$ 2,2 bilhões, na mesma base de comparação.

A empresa está avaliada em RS 3,49 bilhões e suas ações estavam sendo negociadas a R$ 9,6 por volta das 12h25, com ligeira alta de 0,1%. No ano, os papéis acumulam uma desvalorização superior a 13%.

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