A QFlash, da gestora Quasar, se une a Chilli Beans para dar crédito a franquias

A fintech estruturou uma oferta para financiar 170 novas unidades da rede de óticas da Chilli Beans até 2022. Antecipada com exclusividade ao NeoFeed, a parceria prevê ainda linhas para reformas e lojas de rua

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Lançada em 2019, a rede de óticas já responde por 20% da receita da Chili Beans

Em 2020, após a chegada da Covid-19, Caito Maia, fundador e CEO da Chilli Beans, decidiu que era o momento de olhar com mais atenção para uma nova frente: a Ótica Chilli Beans, marca lançada um ano antes, dentro da ambição da grife de ir além dos óculos de sol que fizeram sua fama no mercado.

Depois de ganhar visibilidade nos planos da empresa, a área está no centro de uma nova iniciativa da companhia, antecipada com exclusividade ao NeoFeed. A Chilli Beans acaba de lançar uma linha de crédito destinada aos seus franqueados e ao financiamento da expansão da sua rede de óticas.

Para viabilizar essa estratégia, de olho nas perspectivas de reabertura gradual da economia, a marca fechou um acordo com a QFlash. Especializada em crédito digital, a fintech estruturou uma oferta voltada especificamente às demandas e dinâmicas da parceira.

“Já imprimimos a placa da loja 100 da ótica e percebemos que tínhamos uma oportunidade de crescimento gigantesca nas mãos, com a vacância nos shoppings”, diz Maia, ao NeoFeed. “Encontramos um parceiro que comprou essa ideia e vamos colocar esse projeto na rua com velocidade.”

A linha começou a ser gestada em fevereiro deste ano, quando a QFlash foi procurada pela Chilli Beans. “Eles nos mandaram todo o histórico da rede e, a partir desses dados, entregamos um modelo que fazia sentido para o franqueado médio da empresa”, afirma Carlos Maggioli, CEO da QFlash.

A linha é centrada na abertura de lojas em shopping centers, cujo investimento gira em torno de R$ 250 mil a R$ 300 mil, com taxa de retorno entre 24 e 30 meses. E envolve a oferta de crédito fumaça, como são chamadas as operações realizadas com base em projeções de recebíveis futuros.

Com taxas flutuantes, o modelo se adapta à sazonalidade das receitas do franqueado. Se ele vende mais em um determinado mês, pagará um índice condizente com esse ganho. Da mesma forma, as condições são mais favoráveis caso as vendas sejam mais fracas em outro período.

A contratação é 100% digital e o dinheiro entra na conta do franqueado em 24 horas. Os empréstimos incluem taxas a partir de 1,49% ao mês, com prazos de cinco anos e carência de seis meses.

“A expectativa é de que cada loja fique pronta em três meses”, explica Maggioli. “Então, o franqueado ainda tem três meses para começar a performar antes de iniciar o pagamento da dívida.”

As operações estão sendo financiadas por meio de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). Até o fim do ano, a projeção é captar R$ 15 milhões e, em 2022, a meta é de R$ 60 milhões.

Caito Maia, fundador e CEO da Chilli Beans

Neste ano, a cifra vai financiar a abertura de 50 lojas da rede – metade dessa base já está contratada. “Vamos fechar o ano com uma ótica em cada capital do País”, diz Maia. “Em 2022, a meta é inaugurar 120 unidades e chegar a 270 pontos.” Hoje, a rede tradicional da empresa conta com mais de 900 lojas.

A Chilli Beans e a QFlash já programam o lançamento de outras linhas no início de 2022. A primeira terá como foco a expansão em lojas de rua, que demandam um aporte de R$ 150 mil. Já a segunda, será centrada no financiamento das reformas das unidades de óculos de sol.

“Temos um estudo que mostra que as vendas aumentam 30% após uma reforma”, explica Maggioli. Ele diz que já há conversas para avançar em outros produtos de crédito com a parceira. Entre eles, a antecipação de recebíveis de cartão de crédito.

“O mercado franqueador é muito tímido em serviços financeiros voltados aos franqueados. Há muita discussão e pouca prática”, diz Fabricio Winter, sócio da consultoria Boanerges & Cia. “Um caso desses, com uma marca conhecida por ter um posicionamento inovador, vai puxar outras iniciativas.”

Winter destaca o fato de a rede ter o histórico dos franqueados, o que facilita a oferta com menos risco e taxas mais competitivas. Mas faz um alerta. “O desafio é a velocidade de captação versus a demanda”, diz. “São volumes relativamente baixos, mas a procura vai ser grande e isso precisa ser equacionado.”

Os dois parceiros dizem que esse ajuste fino tem sido feito a partir da monitoração da demanda e do capital necessário para apoiá-la. E, do lado da Chilli Beans, as perspectivas quanto ao potencial da nova marca são, de fato, bem positivas.

O braço de óticas já responde por 20% da receita da empresa, que projeta superar R$ 1 bilhão em faturamento em 2022. Em outro indicador que dá a medida da relevância dessa nova frente, o tíquete médio nas óticas é de R$ 984, contra R$ 302 na linha tradicional.

“Cerca de 88% dos consumidores da ótica não tinham conexão com a Chilli Beans”, afirma Maia. “Estamos trazendo um público novo, que está acostumado a ser atendido de um jeito super careta, duro, com avental branco. E esse é um mercado quatro vezes maior do que o de óculos escuros.”

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Ópticas (Abióptica), o setor movimenta, em média, mais de R$ 20 bilhões por ano. De olho nesse número, em 2022, a Chilli Beans vai investir R$ 30 milhões em uma fábrica para internalizar parte da produção de lentes que abastecem a sua rede.

O modelo construído a quatro mãos com a Chilli Beans também está abrindo outra via de crescimento para a QFlash. A empresa incorporou o produto em seu portfólio e planeja buscar novos contratos para desenvolver projetos customizados de crédito para redes de franquias.

“Até o fim do ano, a prioridade é garantir que a linha da Chilli Beans está estável. Mas já temos conversas e, a partir de 2022, vamos ao mercado”, diz Maggioli.

Fundada em 2017, a partir da Quasar Asset, gestora com mais de R$ 3 bilhões em ativos, a QFlash começa a ganhar escala como o motor de funding e crédito por trás de empresas de diferentes setores. As ofertas incluem antecipação de duplicatas, de cartões e de capital de giro, entre outras modalidades.

Com clientes como Ducoco e Arquivei, e a conquista de contratos recentes, cujos projetos chegarão ao mercado no próximo ano, a fintech projeta encerrar 2022 com R$ 1 bilhão sob gestão. Em 2021, esse montante estará na casa de R$ 100 milhões.

Carlos Maggioli, CEO da QFlash

Parte do avanço recente veio na esteira de um aporte de R$ 25 milhões em setembro de 2020, liderado pela Valor Capital. “Devemos ter uma rodada série B, provavelmente, no segundo semestre de 2022”, diz Maggioli. “Vamos segurar um pouco, até porque estamos em um momento forte de expansão.”

Do lado da Chilli Beans, que já teve como sócio o fundo Gávea Investimentos, a busca por um novo investidor não está, a princípio, no radar. Mas Mais não descarta uma abertura de capital no médio prazo.

“Temos uma queda para um IPO nos próximos anos, mas não temos pressa”, afirma. No momento, prefere dar foco às possibilidades da parceria com a QFlash. “Essa linha dá um banho no que os bancos oferecem. Vamos cutucar muita gente, trazer reflexões e abrir portas no mercado.”

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