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Com cartão de crédito, XP avança em sua estratégia de banco digital

Produto entra em teste com mil funcionários e agentes autônomos da XP e será lançado no começo do quarto trimestre. Na sequência chegam a conta digital e de pagamentos. O cartão de débito ficou para 2021

 

Cartão da XP terá o conceito de “investback” em vez de “cashback”

A XP anunciou o começo de testes de seu cartão de crédito em parceria com a Visa, o segundo produto de seu banco múltiplo, autorizado a funcionar pelo Banco Central em outubro do ano passado.

O cartão de crédito entrará em testes com aproximadamente mil funcionários e agentes autônomos da XP. A data para ser lançado a todos os clientes da XP é o começo do quarto trimestre deste ano, informou Bruno Constantino, sócio e diretor financeiro da XP.

O produto, que será 100% digital, não terá anuidade. A contrapartida é o relacionamento e, segundo Constantino, não haverá um limite mínimo de investimentos. O cartão virá ainda com o conceito de “investback” em vez de “cashback”.

Parte do gasto do cartão será devolvido ao cliente, mas o dinheiro irá para uma conta de investimento exclusiva da XP, com rendimento diário, cujos recursos poderão ser sacados a qualquer momento. “Conseguimos antecipar em três meses o lançamento do cartão’, afirma Constantino.

O cartão de crédito é o segundo produto de uma série de serviços financeiros que a XP está planejando para os próximos trimestres – o primeiro deles foi o Resgate Express, linha de crédito que permite antecipar resgate de fundos.

Constantino afirmou que, ainda no quarto trimestre, será lançado a conta digital e a de pagamentos. Um cartão de débito está previsto para o primeiro trimestre de 2021.

“O objetivo é cortar o cordão umbilical de nosso cliente investidor com qualquer banco, pois vamos conseguir fornecer todas as funcionalidades de serviços bancários”, afirmou Constantino. “Os clientes cada vez mais querem uma solução completa.”

Bruno Constantino sócio e diretor financeiro da XP

Sobre o cartão, Constantino disse que as taxas de juros do rotativo serão menores do que as do mercado, mas não informou quais. “Ele vai estar integrado com outros produtos de crédito”, disse o executivo.

Constantino não deu também informações sobre o fundo em que o dinheiro que retornará ao cliente será aplicado. De acordo com o executivo, a ideia, neste momento, é ter um fundo simples e que invista em títulos públicos.

No futuro, esses investimentos poderão ser mais sofisticados e o cliente do cartão de crédito poderá escolher em qual fundo o dinheiro será aplicado. Atualmente, a XP Inc. conta com 2,4 milhões de clientes ativos. A empresa não fez também projeções de quantos deles irão solicitar o cartão.

O lançamento do cartão de crédito acontece em um momento em que se acirra a competição com o BTG Pactual, que acabou de captar de US$ 2,65 bilhões em um follow on para acelerar sua estratégia no varejo, bem como no atacado.

Nessa última vertente, o banco de André Esteves está fazendo uma ofensiva bem-sucedida sobre os agentes autônomos da XP. Nos últimos dias, quatro escritórios de agentes autônomos deixaram a XP Investimentos rumo ao BTG Pactual. Somados, eles significam hoje uma perda potencial de cerca de R$ 13 bilhões em custódia para a XP.

Do lado do varejo, o BTG Pactual deverá acontecer em duas etapas. Os clientes do BTG Digital e do Wealth, uma base estimada de 300 mil clientes, deverão ter um cartão do BTG até o fim de setembro.

Já o BTG Mais, que teria uma atuação mais abrangente no varejo, só deve ser lançado oficialmente no primeiro trimestre de 2021, quase um ano mais tarde que o previsto.

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