Crédito para mídia: a tacada da VCRP no mundo das fintechs

Em parceria com a Credoro, o grupo de comunicação cria o VCRP Bank para emprestar dinheiro, sobretudo para startups em estágios iniciais, a investirem em campanhas no mundo digital

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VCRP Bank vai emprestar R$ 5 milhões

No varejo, elas existem aos montes. Magalu, Mercado Livre e Via são algumas das que criaram as suas verticais, para falar as mais conhecidas. No setor de educação, também são onipresentes. Há até outras voltadas para salões de beleza, agronegócio e saúde. Agora, chegou a vez do mercado de comunicação ter uma representante no mundo das fintechs.

“Estamos dizendo que é uma fincom. Procuramos e não vimos nada parecido”, diz Vinicius Cordoni, fundador e sócio do VCRP Brasil, grupo de comunicação com mais de 100 clientes como Tembici, N26, Shopper, entre outros. Ao lado de sua sócia, Ludmilla Amaral, ele está criando o chamado VCRP Bank, para oferecer crédito a empresas que buscam se destacar no mercado de mídia.

O negócio, que tem a fintech Credoro como parceira, começa com uma linha de crédito de R$ 5 milhões. Mas que poderá ser estendida de acordo com o andamento do projeto. “Não temos limite. Poderemos aumentar o funding ao longo do tempo”, diz Paulo Henrique de Souza Nascimento, co-CEO da Credoro.

A Credoro nasceu, há dois anos, voltada para pessoa física e passou a migrar para pessoas jurídicas. No total, a startup tem R$ 35 milhões de capital próprio. “Até o fim do ano, teremos emprestado tudo. Mas estamos buscando uma nova captação.” Isso acontece porque a empresa acabou se especializando nesse tipo de operação com parceiros.

Além da VCRP, a Credoro criou soluções para companhias de outras áreas. Para a empresa de cosméticos Chanceller, desenvolveu um CDC para ajudar os pequenos salões de beleza. Outra vertical, criada para a oimenu, é um financiamento para que restaurantes possam digitalizar seus negócios.

O VCRP Bank surgiu depois que Cordoni e Ludmilla Amaral, que atendem de pequenas a grandes empresas, notaram uma dificuldade. Alguns de seus clientes, ainda em fase seed ou em estágio pré-seed, queriam fazer anúncios publicitários, publicar branded content em veículos de comunicação, atuar com ações em marketing digital, mas esbarravam na falta de budget.

“E essas empresas precisam de comunicação para chegar nos investidores”, diz Cordoni. Foi aí que os executivos da VCRP começaram a olhar para o mercado e avaliar alternativas. “A gente sabe que um dia todo mundo vai virar fintech”, diz afirma Cordoni. Ao conversar com Nascimento, da Credoro, desenharam o produto a quatro mãos.

O grupo VCRP será responsável por fazer a primeira triagem para verificar se a empresa está apta ao financiamento. E até empresas que não são clientes do grupo poderão ser contemplados. “Faremos a análise de comunicação, qual o melhor projeto para o dinheiro ser usado”, diz Cordoni. Em seguida, a Credoro fará a análise de crédito.

“O grande diferencial é que a startup vai buscar crédito já com visibilidade sobre o ROI desse projeto”, diz Cordoni. O financiamento será destinado para quatro tipos de produtos: investimento em mídia como anúncios em Google, SEO, Linkedin; branded content em veículos de comunicação; criação de canais de conteúdo proprietários e, por último, e-books.

As startups muitas vezes não sabem o que fazer em termos de comunicação. “Muitas startups não têm uma pessoa de marketing, todas as decisões ficam nas mãos do fundador”, diz Ludmilla. O crédito, que não incluirá trabalho de assessoria de imprensa, poderá ser pago em até 12 vezes e os juros giram, em média, 5% ao mês.

A VCRP não vai ter participação no spread, mas, ao fazer a análise, se beneficiará na produção dos conteúdos e consultoria para os tomadores. “O nosso interesse é ganhar o cliente”, diz Ludmilla, que antes de se associar a VCRP foi head de comunicação da Creditas. Mas isso não significa que a vertical “fincom” não possa crescer.

“Trabalhamos muito com startups e aprendemos com elas”, diz Cordoni que, antes de empreender e criar sua própria agência, foi head de comunicação do banco Neon e da Evino. “No futuro, podemos pivotar e virar uma SCD (Sociedade de Crédito Direto).”

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