Negócios

Demanda em baixa, preço em alta: a estratégia da M. Dias Branco para manter a rentabilidade

Dona de marcas como Adria e Piraquê, a fabricante de massas e biscoitos reajustou o preço médio de seus produtos em 18,9% no quarto trimestre de 2020 e registrou uma queda no volume de vendas de 15,5% no período. Esse mesmo foco deve guiar os passos da companhia em 2021

 

Neste início de 2021, empresas dos mais variados setores estão buscando ajustar suas operações diante da pior fase da pandemia e do avanço lento na vacinação contra a Covid-19.

Esse não, porém, o caso da M. Dias Branco, maior fabricante de massas e biscoitos do Brasil. Dona de marcas como Adria, Vitarella, Richester e Piraquê, a companhia não ignora os efeitos desse cenário. Mas não planeja desviar do caminho que escolheu para guiar sua estratégia no longo prazo.

“É um momento bem desafiador. O mercado como um todo teve uma retração”, disse Gustavo Lopes Theodozio, vice-presidente de investimentos e de controladoria do grupo, em conferência com analistas nesta quinta-feira, 1º de abril. “Mas nossa tese é a busca, de fato, pela lucratividade.”

Alguns números sustentam esse discurso. No quarto trimestre, quando esse contexto começava a se tornar mais claro, o preço médio dos produtos da M. Dias Branco cresceu 18,9%. Em algumas linhas, esse aumento foi ainda maior: em Farinha e Farelo, de 41,2%; e em Margarina e Gorduras, de 22,5%.

Ao mesmo tempo, os volumes de vendas das marcas recuaram 15,5%, para 415,7 mil toneladas, na comparação com o quarto trimestre de 2019. “Não vamos abrir mão de precificação em função de volume”, afirmou Theodozio.

Segundo o executivo, a aposta em um mix de maior valor agregado e a ampliação dos investimentos em marketing, têm sido algumas das iniciativas da companhia para consolidar esse posicionamento.

“Nós saímos de um investimento médio de 1% da receita, em marketing, para 2%”, observou. “Queremos transformar marcas regionais em nacionais. Isso naturalmente facilitará futuras precificações.”

Segundo Fabio Cefaly, diretor de novos negócios e de relações com investidores, o contexto atual do setor contrasta com o momento vivido no segundo e no terceiro trimestre de 2020, quando houve forte demanda e a utilização da capacidade nas fábricas do grupo chegou a 90%.

Entretanto, a partir do quarto trimestre, essa tendência foi revertida por fatores como a redução do auxílio emergencial, e a maior cautela dos consumidores e da própria cadeia do setor. Outros ingredientes, já presentes no ano, como a alta nos preços do trigo e do óleo de palma, e a desvalorização do real pesaram na decisão da companhia.

“Houve retração de consumo e o cenário colocado ali pedia reajustes de preços para recomposição das margens” disse Cefaly. “Nós iniciamos esse processo, mas esperamos que outros players também reajustem seus preços.”

Em relatório, no qual destacou o resultado da companhia no quarto trimestre e em 2020 como “muito fraco”, o BTG Pactual fez uma série de ressalvas acerca dessa estratégia.

“O mais intrigante é que a empresa está aumentando os preços muito à frente da concorrência, apesar de ser verticalmente integrada e manter vários meses de estoque de matéria-prima”, escreveram os analistas Thiago Duarte e Henrique Brustolin.

Eles acrescentaram: “O foco crescente na construção da marca em oposição à abordagem baseada em volume, que definiu a empresa por muitos anos, ainda apresenta resultados mistos no que diz respeito à sua capacidade de criação de valor. Continuamos cautelosos com a ação”, afirmaram, ao definir um preço-alvo para o papel de R$ 29.

Resultado

A M. Dias Branco reportou um lucro líquido de R$ 209 milhões no quarto trimestre, o que representou uma queda de 21,1% na comparação com o mesmo período de 2019. No ano, a última linha do balanço teve um crescimento de 37,2%, para R$ 763,8 milhões. A companhia atribuiu parte desse desempenho a efeitos não recorrentes das receitas de créditos extemporâneos.

Já a receita líquida teve um ligeiro avanço de 0,4% entre outubro e dezembro, para R$ 1,7 bilhão. Em 2020, o crescimento foi de 18,8%, para R$ 7,25 bilhões.

O mercado, ao que tudo indica, não está digerindo bem essa estratégia da empresa, avaliada em R$ 9,76 bilhões. Por volta das 13h30, as ações da companhia operavam com baixa de 5,96%, cotadas a R$ 28,87. No ano, os papéis da M. Dias Branco acumulam queda de 9,86%, tendo como base o preço do fechamento do pregão da quarta-feira, 31 de março, na B3.

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