Depois da tempestade: por que o Credit Suisse vê razões para investir em CSN e Usiminas

As ações das duas siderúrgicas estão entre as que mais caíram na semana passada na B3, em meio a um cenário mais negativo para as commodities no mercado internacional. O banco suíço, porém, acredita que os papéis estão baratos e vê potencial para valorização.

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A semana passada foi ruim para o mercado de ações no Brasil, com uma queda de 2,6% para o Ibovespa. Dessa vez, quem empurrou os papéis para baixo foram as companhias ligadas a commodities, afetadas por notícias negativas do mercado internacional. Entre as grandes “vilãs” estão a mineradora Vale, com um tombo de 10%, e as siderúrgicas CSN e Usiminas, que despencaram 10,5% e 9%, respectivamente.

No caso da mineradora, a principal preocupação têm sido a queda do preço do minério de ferro, que acumula desvalorização de 25% em agosto, e o corte da produção de aço bruto na China, com recuo de 8% em julho na comparação anual. Isso reduz a demanda por minério de ferro. Para o setor de aço, o temor está no aperto na oferta de crédito para incorporadores de imóveis e infraestrutura chinesas.

Mas, em meio a essa tempestade, o Credit Suisse vislumbra um céu aberto para as duas companhias brasileiras de aço: a CSN e a Usiminas. Para a equipe de analistas do banco suíço, as ações dessas empresas estão baratas e há razões para acreditar em uma valorização.

Por serem dois grandes exportadores de aço, CSN e Usiminas devem se beneficiar do fim de um incentivo fiscal para exportadores chineses e da adoção de uma tarifa de exportação na Rússia.
“E um possível anúncio similar deve ser feito na China”, afirma o Credit Suisse, em relatório assinado pelo analista Caio Ribeiro. “Embora entendamos que os preços do aço no Brasil perderam algum fôlego e que alguns descontos seletivos foram aplicados, a demanda permanece muito firme e a dinâmica de lucros é muito forte para o segundo semestre.”

Ribeiro reconhece que outros investidores talvez possam preferir alocar recursos na Gerdau, que está exposta ao mercado americano, com 20% a 25% de composição do seu Ebitda, mas ressalta que vê mais oportunidades de ganhos em CSN e Usiminas, pois acredita que ambas devem se beneficiar mais de uma gradual resolução da questão da escassez de semicondutores, pelo tipo de aço que produzem.

“E também acreditamos que os benefícios para a Gerdau do projeto de lei de infraestrutura nos EUA levarão tempo para fazer efeito – talvez uma história para o segundo semestre de 2022, no mínimo”, escreve Ribeiro.

A Usiminas, que por volta das 11h25 era negociada a R$ 17,43, tem potencial para atingir R$ 28,5 em 12 meses, calcula o Credit Suisse. A CSN, por sua vez, que operava a R$ 37,13, pode chegar a R$ 68 em um ano, estima o banco suíço.

Nas contas do Credit Suisse, o múltiplo do valor de mercado da companhia sobre o Ebitda, para a Usiminas, pode ser calculado em 2,5 vezes. No caso da CSN, seria em 2,7 vezes. Para a Gerdau, 5,5 vezes.

Em relação às mineradoras, o analista do banco suíço destaca que o cenário parece “muito mais desfavorável” do que há alguns meses. “Não há como saber se os cortes na produção de aço na China continuarão a ser aplicados até o fim do ano com o mesmo rigor de julho ou se o governo aliviará essas restrições de produção, se a atividade de construção aumentar”, escreve Ribeiro.

Além disso, ressalta o analista, a oferta de minério de ferro é historicamente mais forte no segundo semestre, o que seria um mau presságio para a dinâmica do mercado.

“Embora a atividade de construção na China tenda a se recuperar em agosto e setembro e isso poderia levar o minério de ferro a se recuperar um pouco, o ritmo dessa recuperação ainda é incerto devido ao recente ressurgimento dos casos de Covid-19”, destaca o analista do Credit Suisse.

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