Negócios

Não terminou em pizza: maior franqueadora da Pizza Hut pede concordata nos EUA

Responsável por mais de 1,2 mil restaurantes da bandeira Pizza Hut nos Estados Unidos, além de outros 380 da marca Wendy’s, a NPC International acumula  uma dívida de US$ 903 milhões

 

Os efeitos da Covid-19 têm sido brutais para muitas empresas de food services, especialmente para os restaurantes de pequeno e médio porte. A dificuldade para digerir os efeitos da crise não está restrita, no entanto, a esse segmento.

Nesta quarta-feira, 1º de julho, a NPC International, maior franqueadora da Pizza Hut nos Estados Unidos, com mais de 1,2 mil lojas da bandeira em 27 estados do país, entrou com um pedido de proteção contra falência dentro do Capítulo 11 da lei americana.

Em comunicado, a empresa informou que todos os restaurantes sob sua responsabilidade seguirão em atividade. Além da Pizza Hut, a companhia opera 380 unidades da rede Wendy’s no país. As duas bandeiras são as maiores credoras da NPC.

Segundo a nota, a empresa possui uma dívida de US$ 903 milhões e fez uma pré-negociação com cerca de 90% de seus credores principais e 17% dos demais credores.

Dentro do plano de reestruturação, a companhia propõe que o primeiro grupo tenha direito a parte das ações e, em troca, injetem dinheiro na operação. A estratégia inclui ainda a venda de parte dos restaurantes sob responsabilidade da companhia.

Em comunicado, um porta-voz da Yum Brands, grupo dono da Pizza Hut, afirmou que o movimento era esperado e abre caminho para construir um futuro mais favorável para os restaurantes da marca sob responsabilidade da NPC.

“À medida que a NPC trabalha nesse processo, nós iremos apoiar e esperamos uma operação com um nível mais baixo e sustentável de dívidas, com foco em excelência operacional e mais investimentos nos restaurantes.”

A medida, porém, trará prejuízos para Yum Brands. Segundo Andrew Charles, analista da consultoria Cowen, a companhia pode perder até US$ 54,2 milhões em receita anual de royalties com esse processo.

Apesar dos impactos, a Covid-19 não é o fator central por trás do pedido de concordata da NPC. A pandemia só agravou os desafios do grupo.

Em fevereiro, as agências de risco de crédito S&P e Moody’s rebaixaram o rating da operação depois de a empresa não honrar o pagamento de juros a credores previsto para 31 de janeiro.

Entre outras questões, a NPC e o próprio Pizza Hut têm enfrentado fatores como o aumento dos custos de mão de obra, além da forte concorrência personificada em rivais como Domino’s Pizza e Papa Johns International.

A NPC foi fundada em 1962, quando abriu seu primeiro restaurante do Pizza Hut. Depois de abrir capital em 1984, a empresa voltou a ser privada em 2001, quando sua operação foi dividida entre uma série de fundos de private equity. Em 2018, a empresa foi vendida para dois grupos familiares, a Delaware Holdings e Eldridge Investment Holdings.

No Brasil

Os impactos da pandemia também se refletiram na operação brasileira do Pizza Hut. A International Meal Company (IMC), dona da marca no País, anunciou, entre outras medidas, o corte de cerca de 2 mil funcionários, 30% do quadro local, logo nas primeiras semanas da crise.

“O foco agora é preservação de caixa”, afirmou Newton Maia, CEO da IMC, em teleconferência realizada no fim daquele mês. “Estamos trabalhando para ampliar a receita onde é possível e mitigar ao máximo os custos.”

Em 2019, a IMC apurou uma receita líquida de R$ 1,6 bilhão, 1,3% superior ao montante reportado em 2018. No período, o prejuízo líquido foi de R$ 4,6 milhões, comparado a um lucro líquido de R$ 7,9 milhões, um ano antes. No Brasil, além da Pizza Hut, o grupo opera restaurantes de bandeiras como KFC, Frango Assado e Viena.

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