Negócios

Como a IMC, dona do Frango Assado e Pizza Hut, tenta digerir a crise

Para reduzir os impactos do Covid-19, o grupo traçou um plano inicial que inclui o reforço no delivery, a renegociação de contratos de aluguel e cortes de cerca de 30% em sua equipe

 

As 24 lojas do Frango Assado estão funcionando normalmente, a partir de hoje, 31 de março

Em julho de 2019, a International Meal Company (IMC) fechou uma fusão com a MultiQSR, holding do empresário Carlos Wizard Martins. Com o acordo, o grupo, dono de marcas como Frango Assado e Viena, incorporou as bandeiras Pizza Hut e KFC no Brasil. E encerrou um período de incertezas, no qual foi alvo do interesse de diversas companhias, com destaque para o longo vaivém na negociação frustrada com a Sapore.

Concluída em outubro, a transação com a MultiQSR começou a trazer bons resultados já nos últimos dois meses do ano passado. E acenava com perspectivas ainda melhores para 2020. Qualquer projeção, no entanto, foi descartada a partir da chegada do Covid-19 ao País.

Como toda e qualquer empresa no momento, em especial, do varejo, a IMC montou um plano de emergência para reduzir e digerir os efeitos da crise.

“O foco agora é preservação de caixa”, afirmou Newton Maia, CEO da IMC, em teleconferência realizada nesta terça-feira, 31 de março, com analistas sobre o resultado do grupo em 2019. “Estamos trabalhando para ampliar a receita onde é possível e mitigar ao máximo os custos.”

Um dos pontos destacados pela IMC no balanço foi a posição de caixa da empresa, de aproximadamente R$ 330 milhões, frente a uma dívida bruta de R$ 600 milhões, com vencimentos no curto prazo da ordem de R$ 90 milhões.

Desse montante, já foram pagos R$ 30 milhões de dívida no Brasil, R$ 10 milhões de juros sobre debêntures e US$ 1 milhão da cifra principal nos Estados Unidos.

Com o fechamento de boa parte das lojas de suas marcas, o grupo passou a centralizar seus esforços no delivery. Levando-se em conta as bandeiras KFC, Pizza Hut, Olive Garden e Viena, a IMC soma 208 unidades operando nesse modelo. Além do aplicativo próprio do Pizza Hut, todas elas estão incluídas nos serviços do iFood, Uber Eats e Rappi.

Para impulsionar o formato, a IMC tem direcionado toda a sua campanha de marketing para os canais digitais e investido em promoções focadas nas famílias, na expectativa de que os consumidores peçam mais itens durante a quarentena.

Segundo o grupo, nos dias 22 e 23 de março, o modelo registrou um crescimento de mais de 80% nas vendas, comparado aos mesmos dias da semana, no início do mês.

O canal de delivery das marcas do grupo já registrou um crescimento de mais de 80% nas vendas

A companhia também se apoia no fato de que parte das lojas da sua rede permanece aberta, mesmo que em horários reduzidos. É o caso do Frango Assado, cujas 24 lojas estão funcionando normalmente – exceto o serviço de buffet – a partir de hoje, com base em um decreto assinado na sexta-feira, 27 de março, que considerou os restaurantes de estrada como serviços essenciais. Outra fonte de receita são seis contratos de catering – fornecimento de refeições para empresas – que seguem em operação.

Cortes

A estratégia passa também por decisões duras, como o corte de cerca de 30% dos funcionários. Anunciada na semana passada, a medida compreendeu cerca de 2 mil funcionários, que foram desligados com a promessa de serem priorizados nos processos de recontratação depois de estabilizados os efeitos da crise. O programa de demissões inclui ainda a manutenção dos planos de saúde por, pelo menos, três meses.

Ao mesmo tempo, a empresa informou que deu férias para parte dos profissionais que seguem no grupo. E que irá suspender alguns contratos de trabalho a partir de negociações com sindicatos e das normas publicadas por decretos dos governos, em âmbito estadual e federal. Medidas semelhantes estão sendo tomadas nas operações do grupo na Colômbia, Panamá e Estados Unidos.

“Nós também estamos renegociando os contratos de aluguel no Brasil e nos demais países”, afirmou Maia. “Já temos boa parte desses acordos, especialmente, nos Estados Unidos, onde muitos contratos já têm cláusulas que preveem calamidades como essa.”

Newton Maia, CEO da IMC

Ainda nos Estados Unidos, onde a IMC está presente com marcas como Margaritaville e LandShark, Maia disse que a empresa já está avaliando as políticas de auxílio a empresas anunciadas recentemente pelo presidente Donald Trump. “Como nossa operação lá é considerada pequena, vamos, provavelmente, ser beneficiados por essas medidas”.

Em uma última frente, a IMC já havia anunciado, em fato relevante, na semana passada, que vai adiar seu plano de expansão de lojas. Com uma projeção de 430 unidades e duração de cinco anos, a estratégia valerá agora a partir de 2021, e não mais a partir desse ano.

Em contrapartida, a expectativa é acelerar a estratégia iniciada em 2019, de conversão de parte da rede da marca Viena em unidades do Pizza Hut e do KFC. Nessa migração, a ideia é focar nas unidades deficitárias da marca, instaladas em shoppings.

Resultado

Em 2019, a IMC apurou uma receita líquida de R$ 1,6 bilhão, 1,3% superior ao montante reportado em 2018. No período, o prejuízo líquido foi de R$ 4,6 milhões, comparado a um lucro líquido de R$ 7,9 milhões, um ano antes.

Em relatório, o banco BTG Pactual ressaltou os números acima da expectativa da companhia, impulsionados, particularmente, no quarto trimestre, pela incorporação das bandeiras Pizza Hut e KFC e pelo desempenho dos restaurantes de estrada. Mas destacou o ano desafiador à frente.

“A pandemia do Covid-19 deve impactar a maioria dos negócios da IMC nos próximos meses”, escreveram os analistas Luiz Guanais e Gabriel Savi.

No mercado, por volta de 12h30, as ações da IMC eram negociadas na B3 a R$ 3,22, uma queda de pouco mais de 3%.

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