No IPO dos óculos, os investidores enxergam longe

Pioneira das marcas digitais, a Warby Parker vê ações subirem 35% em estreia na Bolsa de Nova York, em uma listagem direta que faz sua avaliação chegar a US$ 6,7 bilhões

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Óculos da Warby Parker

Uma das marcas pioneiras do mundo D2C (direct-to-consumer), a Warby Parker, que vende óculos, está tendo uma estreia bem-sucedida na Bolsa de Nova York (Nyse), nesta quarta-feira, 29 de setembro. As ações começaram a ser negociadas a US$ 40 e subiram quase 35% logo no começo do pregão.

Por volta das 15h30, elas eram cotadas a US$ 53,80, com a companhia sendo avaliada em aproximadamente US$ 6,7 bilhões, mais do que o dobro do valor de uma rodada privada, em agosto do ano passado, quando captou US$ 253 milhões de investidores como D1 Capital, Baillie Gifford, T. Rowe Price e Durable Capital Partners.

A Warby Parker, que ajudou a criar o conceito de digitally native vertical brands (DVNBs), marcas que nascem online e vendem direto para os consumidores, optou por uma listagem direta, seguindo exemplos de outras empresas, como Palantir, Spotify e Coinbase.

Fundada em 2010 por Jeffrey Raider, Andrew Hunt, Neil Blumenthal e David Gilboa, quatro colegas que estudavam em Wharton, a Warby Parker vende óculos de grau, lentes e óculos escuros online, mas está reforçando sua estratégia de lojas físicas.

A companhia tinha planos de inaugurar 35 lojas em 2021, em um claro sinal de que, apesar de ter nascido online, o futuro era omnichannel. Até o segundo trimestre, a Warby Parker contava com 145 lojas em operação. Neste ano, metade das vendas são online – em 2020, o percentual era de 60%.

O desafio, no entanto, é ser lucrativa. Nos seis primeiros meses de 2021, a companhia teve um faturamento de US$ 270,5 milhões e um prejuízo de US$ 20,4 milhões. Em 2020, o resultado foi afetado pela Covid-19, com receitas de US$ 393,7 milhões e perdas de US$ 55,9 milhões. Seus principais competidores são a EssilorLuxottica, dona da marca Ray-Ban, e LensCrafters.

“Temos menos de 1% de participação de mercado nesta enorme categoria e vemos ventos favoráveis para aumentar nossa receita e nossos resultados nos próximos anos”, disse Dave Gilboa, cofundador e co-CEO da Warby Parker, em entrevista ao programa “Squawk Box”, da CNBC. “Há muitas oportunidades de dimensionar nossa pegada de varejo físico, mas também dimensionar nossa oferta de e-commerce.”

Com o desempenho na Nyse da Warby Parker, os olhos dos investidores agora devem ser voltar para outra marca digital que deve abrir o capital. Trata-se da Allbirds, uma marca nativa digital de tênis, que deve se tornar pública nos próximos meses.

Recentemente, duas outras marcas digitais abriram o capital nos Estados Unidos. E os investidores, pelo menos até agora, não estão gostando do que estão vendo. As ações da The Honest Company, empresa de produtos de beleza da atriz Jessica Alba, caem 33% desde o IPO. A Casper, de colchões, tem um resultado ainda pior: queda de 65%.

A Warby Parker, agora, vai ter provar aos investidores de que eles estão enxergando corretamente. Os próximos meses vão indicar se o grau dos óculos está correto.

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