O bom papel exercido por Suzano e Klabin no 2º trimestre, na visão do BofA

Setor de papel e celulose se beneficiou de volume e preços em alta, enquanto mineração viu queda nas vendas e avanço dos custos. As siderurgicas também prometem bons resultados, exceto CSN

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Em um segundo trimestre marcado pela pressão nos preços das commodities, reflexo dos desafios macroeconômicos no cenário global, Klabin e Suzano devem ser os principais destaques positivos da temporada de balanço, segundo o Bank of America

Já as empresas que atuam com mineração devem apresentar queda de Ebitda por conta da queda das cotações do minério de ferro, de acordo com relatório do banco americano, divulgado nesta sexta-feira, dia 15 de julho. 

Para os analistas Caio Ribeiro, Leonardo Neratika, Guilherme Rosito e George Staphos, a combinação de volumes elevados de produção de papel e celulose, fruto das paradas para manutenção no primeiro trimestre, e aumento dos preços explica o bom desempenho previsto para Suzano e Klabin. 

Eles destacam que o câmbio não esteve em patamares favoráveis, com o real valorizando 6% ante o dólar. Mas como as vendas ficaram mais concentradas no final do trimestre, período em que a moeda americana passou a se valorizar, o câmbio acabou não sendo tão prejudicial assim. 

Os analistas do Bank of America projetam um crescimento de 7% do Ebitda da Klabin, em base trimestral, para R$ 1,8 bilhão. A Suzano, por sua vez, deve apurar um Ebitda de R$ 6,2 bilhões, aumento de 22% em relação ao primeiro trimestre. 

Enquanto as empresas do ramo de papel e celulose devem ir bem, o BofA projeta desempenhos fracos das mineradoras. O minério de ferro encerrou o segundo trimestre com um preço médio de US$ 138,00 por tonelada, recuo de 3% em base trimestral, em meio a preocupações com o crescimento da China. Outro fator que pesou para os balanços no período foi o aumento dos preços do frete, especialmente para a Ásia. 

Essas circunstâncias devem ofuscar o fato de o volume vendido pela Vale ter crescido 24% a mais em relação ao primeiro trimestre, mas 1% abaixo do apurado no segundo trimestre de 2021, para 74 milhões de toneladas. No caso da CSN Mineração, houve aumento de 12% nas vendas em base trimestral e recuo de 15% na anual, para 7,8 milhões de toneladas. 

A expectativa é de que a Vale registre um recuo de 14% no Ebitda, na comparação com o primeiro trimestre, para US$ 5,5 bilhões, enquanto a CSN Mineração divulgue um Ebitda de R$ 926 milhões, queda de 62%. 

Para a área de siderurgia, os analistas do Bank of America esperam bons resultados por parte de Gerdau e Usiminas. Já a CSN deve sentir as consequências da queda do minério de ferro em sua divisão de mineração, fator decisivo para que o Ebitda ajustado caia 32% na comparação trimestral, a R$ 3,2 bilhões. 

As projeções dos analistas apontam que a Gerdau reportará um Ebitda de R$ 6,5 bilhões, alta de 12% ante o resultado visto nos três primeiros meses do ano, com a divisão brasileira e americana apresentando aumento no volume de vendas e na receita por tonelada. Isso deve compensar o aumento dos custos no trimestre, que deve manter a margem estável, em 29%. 

Na Usiminas, o reajuste praticado nos contratos com montadoras, que variou entre 50% e 60%, combinado com uma alta de cerca de 5% para outros produtos, elevou em 20% a receita por tonelada. A medida compensou a queda de 12% nas vendas ao exterior, em base trimestral, e o avanço dos custos. Com isso, segundo o Bank of America, o Ebitda cresceu 28%, para R$ 1,9 bilhão. 

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