Pet food é “bom pra cachorro” para a BRF, mas BofA vê desafios

BRF comprou Hercosul e Mogiana e passou a deter uma fatia de 10% do mercado de pet food. Mas terá de enfrentar desafios de distribuição e industriais. Preço-alvo da ação passou de R$ 35 para R$ 30

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A entrada da BRF na área de pet food com a compra de Hercosul e Mogiana por um total de US$ 1,35 bilhão, ambas anunciadas em junho deste ano, deu à companhia que ficou famosa pelos frangos uma participação de mercado de 10% da noite para o dia e pode ser “bom pra cachorro” no longo prazo.

Mas um relatório do Bank of America (BofA), que analisa em profundidade o mercado de pet food, diz que a BRF tem desafios comerciais, de distribuição e industriais, para competir nessa área. A alta inflação de custos e os riscos relacionados ao ambiente de consumo no Brasil em 2022 são citados também como questões que podem impactar o desempenho da BRF.

“Acreditamos que a BRF terá de enfrentar dois desafios principais no futuro: aumentar a capacidade de distribuição do canal de varejo para as marcas, bem como em pet shops, já que estes respondem por 60% das vendas de pet food”, escreveram os analistas Isabella Simonato, Guilherme Palhares e Fernando Olvera.

Eles acrescentaram que a BRF precisa também “entregar a consolidação industrial e capturar sinergias de custos, já que é grande compradora de milho e farelo de soja”. Para os analistas do BofA, a integração pode ser o “game changer” para a dona das marcas Sadia e Perdigão.

“Embora ainda existam informações limitadas em termos de sinergias entre a BRF e os ativos adquiridos em termos de custos, uma rápida olhada na lista de ingredientes de rações permite ver que as principais alavancas são grãos e abastecimento de farinha e  subprodutos de carne”, escreveram. “Ao mesmo tempo, uma empresa integrada reduziria a margem de ingredientes que os produtores de ração deixam com os fornecedores de proteína.”

Diante desses desafios, eles mantiveram a posição neutra em relação do papel e rebaixaram o preço-alvo da ação de R$ 35 para R$ 30. Mesmo assim, diante do preço na B3, ainda há um potencial de valorização de 30%.

O BofA conduziu também uma pesquisa com 1 mil donos de animais de estimação e concluiu que o setor tem um potencial de crescimento alto, como também de consolidação.

De acordo com a pesquisa, os brasileiros estão tendo menos filhos e mais pets. Cerca de 60% dos que participaram da pesquisa têm animais de estimação. E, entre os que não têm, 90% planejam comprar um nos próximos 12 meses.

Outra boa notícia para as empresas que querem atuar nessa área é que 64% dos que participaram da pesquisa têm mais de um animal de estimação. Os cachorros seguem como os preferidos – 80% dos pesquisados têm um ou mais de um cão.

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