Prestes a operar no Brasil, banco digital alemão N26 faz planos para IPO

Com 7 milhões de clientes globalmente e avaliada em mais de US$ 9 bilhões, fintech espera estar “estruturalmente pronta para o IPO” já no fim deste ano, diz o cofundador Maximilian Tayenthal

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O N26 começará a operar neste semestre no Brasil

A onda de IPOs dos bancos digitais não deve ficar só com a abertura de capital realizada pelo Nubank no fim do ano passado. A próxima fintech do setor bancário a dar um passo a mais no mercado de capitais deve ser o alemão N26.

O banco digital que vai começar a operar no Brasil em breve disse que estará pronto para fazer sua oferta pública inicial já no fim deste ano. Isso foi o que garantiu Maximilian Tayenthal, cofundador e co-CEO da fintech, em entrevista à CNBC durante a Mobile World Congress, conferência anual de tecnologia que acontece nesta semana em Barcelona.

“Até o final do ano, o N26 estará estruturalmente pronto para IPO”, disse Tayenthal. Com sede em Berlim, o N26 ainda não tem uma data fechada para desembarcar em alguma bolsa de valores – e nem há indicação de qual será a escolhida para a primeira venda pública de ações.

Apesar de preparar para o IPO, a expectativa é se tornar uma empresa pública só em 2024, segundo Tayenthal. “Os mercados privados provaram ser incrivelmente líquidos”, disse o empreendedor.

Fundada em 2013, a fintech que oferece uma conta bancária sem taxa por meio de um aplicativo já captou mais de US$ 1,7 bilhão em investimentos. Avaliações privadas do mercado apontam que o N26 já vale algo em torno de US$ 9 bilhões.

A última injeção de capital foi recebida em outubro do ano passado através de um investimento de Série E no valor de cerca de US$ 900 milhões liderado pela Coatue e pelo Third Point Ventures.

Além desses, entre os investidores mais antigos estão fundos como Horizon Ventures, Insight Partners, Valar Ventures, entre outros. Outro investidor conhecido da fintech é Peter Thiel, cofundador do PayPal.

O receio em abrir capital antes de 2024 deve-se à cautela dos investidores com as taxas de juros mais altas nos Estados Unidos e em outros mercados. O juro mais alto pode significar um obstáculo para empresas de tecnologia que dependem de instrumentos para o financiamento de suas próprias dívidas.

Tayenthal, no entanto, lembrou que o banco alemão tem cerca de US$ 4,8 bilhões seu balanço patrimonial e que “é uma máquina geradora de liquidez”. “Somos uma das empresas que realmente tem proteção contra o aumento das taxas de juros”, disse à CNBC.

Abrir capital ajudaria a ter uma noção maior do tamanho da operação da fintech. Nos últimos números divulgados, em janeiro do ano passado, o N26 reportou ter 7 milhões de clientes. O Nubank, para efeito de comparação, tem 53,9 milhões de clientes. Já o banco Inter, que tem capital aberto desde 2019, tem cerca de 16 milhões de clientes.

Encarar a competição no Brasil não será fácil. Depois de mais de três anos de espera, a expectativa é de que a operação comece a funcionar ainda neste semestre. No País, já são mais de 200 mil pessoas na lista de espera.

“A primeira geração de fintechs fez com que os brasileiros usassem serviços bancários no celular, melhorando a relação com os bancos”, disse Eduardo Prota, CEO do banco digital no Brasil, em entrevista ao NeoFeed, em novembro do ano passado. “Já nós queremos ajudar a melhorar a relação do cliente com o dinheiro, para que tomem melhores decisões financeiras.

Enquanto não começa a operar no Brasil, o N26 concentra esforços para crescer na Europa. A operação está disponível em mais de 20 países do Velho Continente.

Por lá, o principal competidor é o inglês Revolut, avaliado em mais de US$ 33 bilhões. Com sede em Londres, a operação já tem mais de 18 milhões de clientes, captou US$ 1,7 bilhão junto a investidores privados como Softbank, Target Global e DST Global.

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