O sertão não virou mar, mas a cidade de São Paulo foi inundada pelas ondas artificiais dos clubes de surfe. É esse o novo e queridinho esporte instagramável dos faria limers neste novo ano.

Sob o capacete, Arthurito da Faria Lima anda circulando com frequência pelo condado para entender as tendências e perspectivas de 2026.

Ele mesmo traz novidades nesta entrevista ao NeoFeed: o influencer vai se dedicar exclusivamente ao seu perfil e colocar novos projetos na “crista da onda”.

Com a Venezuela demandando dos especialistas aquele olhar das janelas espelhadas do centro financeiro de São Paulo e o caso Master voltando à pauta nos cafezinhos gourmet, é preciso esticar a visão até o meio do ano e a Copa do Mundo.

E que o técnico Carlo Ancelotti pense com carinho na lista de nomes para o torneio mundial de futebol. Arthurito deu a sua dica de campeão: mounjaro nos Ronaldos.

Se as canetas emagrecedoras andam fazendo milagres pela Faria Lima, imagina como elas ajudariam a colocar os craques de volta na Seleção.

Ano novo começou agitado. Como a Faria Lima avalia essa confusão na Venezuela?
Sabemos que a turma por aqui gosta de vestir o “jaleco de especialista” nos mais diversos temas, e geopolítica talvez seja um dos preferidos. Óbvio que o assunto ganhou presença nas discussões, mas com pouca aterrissagem em impactos de mercado. Até os analistas de óleo & gás parecem um pouco confusos.

Algo chamou mais a atenção?
Chamou atenção a forte alta da bolsa venezuelana e como o mercado correu para aproveitar a oportunidade, protocolando na SEC um pedido para criação de um ETF com exposição ao país. Ficam (várias) dúvidas sobre como isso vai andar... Será que Los Roques vai competir com as praias do Nordeste como destino para o réveillon 2027?

Falando em tendências comportamentais, o padel virou pickleball, que virou crossfit funcional. Qual vai ser a próxima modalidade que os Faria Limers vão dominar neste ano para postar no Instagram?
Acho que você esqueceu do mais promissor dos esportes na Faria Lima em 2026: o surfe de piscina! Os clubes de surfe da cidade viraram objetivo de desejo, seja para prática do esporte, networking ou criação de conteúdo para as redes sociais. Em paralelo devem seguir fortes as modalidades ligadas à “resiliência e superação”, como jiu-jitsu e triatlo
Desses esportes com raquete, o único que eu apostaria é o bom e velho tênis.

Dá para sermos otimistas com a Bolsa brasileira?
Chamou a minha atenção que as projeções do mercado para o Ibovespa divergem em quase 60 mil pontos, uma diferença de 35% que reflete não apenas incerteza técnica, mas uma verdadeira divisão filosófica sobre o futuro do país e o resultado das eleições. Minha leitura é que 2026 será um ano de duas metades distintas. O primeiro semestre oferece janela tática interessante, impulsionada pelo início do ciclo de cortes da Selic e fluxo estrangeiro ainda positivo. O segundo semestre, com as eleições ganhando protagonismo, exigirá maior seletividade e gestão ativa de risco. Observação: sigo comprando!

Outro ativo que todo mundo fala são as criptos. Pessoal está muito animado, não?
O fim do ano passado embrulhou o estômago de muita gente. Pessoal gosta do bitcoin só quando sobe e a grande maioria não está preparada para a volatilidade. Eu acho que 2026 vai ser um ano bom para cripto, de consolidação do BTC como reserva de valor digital, impulsionado por ETFs e adoção institucional. Vejo muito potencial para crescimento de stablecoins, e ativos tokenizados.

Está mais fácil apostar na Seleção Brasileira na Copa de 2026 ou no Federal Reserve cortando juros?
Não consigo me empolgar com a Seleção. Acho que falta identificação com o torcedor e nomes que chamam a responsabilidade. Eu convocaria o Neymar mesmo “bichado”, e até daria um mounjaro para os Ronaldos e levaria também. Falta craque! Posto isso, acho que o Fed já caminha para um regime de juros mais baixos, e isso já se reflete nos preços dos ativos. Agora no que eu aposto mesmo é nos mercados preditivos. Impressionante a história da Luana da Kalshi que vocês entrevistaram, inclusive.

Se os juros nos Estados Unidos estão com a seta para baixo, e no Brasil: sobe ou desce?
Por aqui seguimos com juros estruturalmente altos, expectativas de cortes ainda tímidas e um “risco político-fiscal” embutido nos juros de longo prazo. Vai começar o ciclo de cortes, mas será moderado e não será suficiente para fazer o brasileiro deixar o “feliz no simples” da renda fixa de forma mais acentuada.

O próximo unicórnio brasileiro virá da inteligência artificial?
Provavelmente sim, mas não da forma óbvia. Acho que o próximo unicórnio brasileiro tende a nascer menos como “modelo fundacional” de IA e mais como aplicação vertical: IA resolvendo dor real em setores onde o Brasil é forte (financeiro, agro, saúde, jurídico, logística). Mas, para isso acontecer tem que “combinar com os russos”, com os grandes fundos de venture capital que não parecem tão animados com o Brasil.

Você, com cinco anos de perfil, segue circulando cada vez mais com seu capacete. Quais são os planos para 2026?
Este ano decidi investir 100% do meu tempo e energia no perfil, nos meus investimentos e em alguns projetos digitais. Vou viver da minha arte (risos). A principal é a transformação do projeto “Humans of Faria Lima”, uma coleção de biografias de grandes nomes do mercado financeiro, em um podcast. É um projeto que estou co-realizando com a B3 e que devemos estrear dentro de algumas semanas. Já gravamos conversas muito legais com o Roberto Sallouti e Roberto Campos Neto, por exemplo.

Arthurito e Roberto Sallouti na gravação do novo "Humans of Faria Lima"

O podcast de Arthurito também terá a participação de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central

Como você vê o atual momento do marketing de influência, principalmente no segmento financeiro? Pelos números da Anbima são mais de 800 influenciadores de finanças no Brasil: está saturado?
Estou envolvido nesse “mundo” há oito anos. Parece pouco tempo, mas para o universo da internet acontece muita coisa nesse período. Os influenciadores não param de crescer, pois conteúdo é a melhor forma de diminuir o CAC e gerar leads para instituições financeiras, além de ser uma arma poderosa no processo de educação do investidor. Acho que os grandes players vão continuar jogando nessa arena, seja contratando influenciadores ou criando os seus próprios. Muitas vezes com o próprio CEO.

Tem segredo para continuar nesse jogo?
O segredo para se manter firme nessa jornada é manter a qualidade do conteúdo e conseguir transmitir autoridade de uma forma que se conecte com as pessoas. Observação: e ter bastante critério no aceite a “propostas de trabalho” estranhas, principalmente àquelas que envolvem atacar instituições.

Para fechar: qual é a frase para o ano de 2026?
Este será um ano difícil, tenso, muita incerteza e, como eu sempre falo, o ideal é se apegar a aquilo que está sob nosso controle. Considerando isso, acho que a frase que fica na Faria Lima é: “cabelin pra trás e bola pra frente”.