O desejo de aventurar-se somado à capacidade de cercar-se de pessoas competentes transformou o nome Sabiá numa marca brasileira de luxo em menos de cinco anos. Foi esse sucesso que encorajou o casal de paulistanos Bia e Bob Costa, criadores de um dos azeites de oliva mais premiados do País, a lançar-se em novos desafios. A aventura mais recente foi criar o Cave Sabiá, um espumante produzido em Encruzilhada do Sul, no Rio Grande do Sul, sob orientação do enólogo italiano Massimo Azzolini.
O produto, que tem previsão de chegar ao mercado em fevereiro deste ano, era um sonho antigo do casal. Antes de começar a produção de azeite em Santo Antônio do Pinhal, na Serra da Mantiqueira, eles pensaram em plantar uvas. Depois, em Encruzilhada do Sul, ao lado de empresas como Valduga e Lídio Carraro, viram que havia chegado a hora. Por lá, foram plantados dois hectares de uvas chardonnay e pinot noir para a elaboração do espumante.
“A região tem uma vocação fortíssima e o espumante brasileiro tem qualidade excepcional. Também tem aquela história de não deixar todos os ovos na mesma cesta”, diz Bob, ao NeoFeed.
Nessa nova fase, entrou em cena o enólogo Azzolini que atua na Franciacorta e no Trentino, regiões de onde saem os melhores espumantes italianos feitos pelo método tradicional, o mesmo utilizado na região de Champanhe, na França.
Ele diz ter se encantado com o sul do Brasil e com a região que acolheu os imigrantes italianos que trouxeram para cá a cultura do vinho, algo que tem mais de dois mil anos de história e tradição e que os romanos espalharam pelo mundo.
O primeiro rótulo da Cave Sabiá é o Grande Cuvée - Brut e custará na faixa de R$ 180. Neste ano serão lançados mais dois: Cave Beatriz e Blanc des blancs, que terão preço mais elevado, mas ainda não definido.
“Estou muito contente com o resultado que atingimos para um produto tão jovem. Faremos grandes espumantes em Encruzilhada do Sul, que serão a expressão do chardonnay do terroir”, diz Massimo.
Tem mais. Na semana que vem, dia 30 de janeiro será inaugurada a pizzaria do Azeite Sabiá, na Fazenda do Campo Alto, em Santo Antônio do Pinhal, onde começou a produção de oliveiras. Em três meses, uma linha de cosméticos feitos com azeite, que passaram por um período de testes, também se juntam à família Sabiá.
A pizzaria tem arquitetura contemporânea e é totalmente envidraçada e se integra à paisagem da Serra da Mantiqueira. O estilo é rústico-chic: chão de pedra e mesas de madeira clara. O pizzaiolo, também italiano, Dani Braga, tem 20 anos no Brasil. “Será um lugar para juntar tudo: o azeite e o espumante”, resume Bia.
Já as fórmulas dos cosméticos feitos com azeite foram desenvolvidas pela farmacêutica Bete Vicentini Rosin, que atuou durante vários anos na Natura. Os aromas foram encomendados a uma empresa austríaca. A linha inclui hidratante, sabonete líquido, óleo corporal e creme para as mãos.
Outra novidade em março é a chegada do azeite Sabiá fatto in Italia. Pelo segundo ano consecutivo, para não ficar sem azeite fresco depois do fim da produção, os empresários fizeram uma versão italiana da marca com variedades praticamente desconhecidas dos brasileiros.
No ano passado foi da azeitona itrana, da região da Campânia. Agora é a vez da piscottana, colhida em árvores seculares da região de Cilento, na propriedade de Nicolangelo Marsicani, o azeitólogo consultor da Sabiá e uma referência internacional no assunto. A garrafa de 250 ml custará por volta de R$ 100.
“Vamos parar por aqui, pelo amor de Deus. É muito trabalho, não estamos dando conta”, diz Bob, numa conversa informal da qual participaram Bia e Massimo, enquanto apresentavam as primeiras garrafas da Cave Sabiá.
Como se esse trabalho todo não bastasse, o casal ainda atua em outra área. Bob é sócio-fundador e presidente do Conselho de Administração da agência Nova S.A. (antiga NovaSB), na qual Bia é diretora de projetos especiais. Ela começou a vida como jornalista, ele é formado em administração pela Fundação Getúlio Vargas, trabalhou no governo FHC na área de comunicação e acabou indo para a publicidade.
“Quando eu estava saindo do governo Fernando Henrique e o Lula estava chegando, um diretor da Ambev me perguntou se eu poderia assumir uma conta de consumo responsável. Isso pelo trabalho contra cigarros e a favor dos genéricos que eu tinha feito. Assim, nasceu a agência”, conta.
Para encarar tantas atividades, eles ficam de quinta a domingo na fazenda da Mantiqueira e às vezes mais. Segunda e terça comandam a agência e na quarta, quando Bob viaja para Brasília, Bia se ocupa do mundo Sabiá. Vai nas lojas, confere como os produtos estão expostos e armazenados. De uma semana a dez dias por mês ficam no Rio Grande do Sul.
Ao fazer um balanço do crescimento, Bia diz que eles foram indo meio sem pensar. “Começou, fomos fazendo, gostando e sempre foi muito gostoso. Muito desafiador e difícil. Mas se eu soubesse as dificuldades desse caminho não teria feito. Gosto muito do meu dia a dia, tenho orgulho do que fiz, mas se a gente não tivesse um respaldo financeiro, já teríamos parado”.
Bob completa: “Também acho que se a gente tivesse racionalizado antes de começar, talvez não faria. Só que nós tivemos muita sorte, essa foi a diferença. Juntamos gente muito legal e competente nesse processo, o que trouxe uma energia muito boa. Aí uma coisa puxa outra: você entra de cabeça e faz tudo com paixão”.