Depois de anos apresentando problemas operacionais e financeiros, forçando uma profunda reestruturação, a Natura &Co começa a deixar a casa em ordem. E vendo uma luz no fim do túnel, o UBS BB decidiu apostar na nova tese da companhia, menos global e cada vez mais focada na América Latina.
Em relatório publicado na quarta-feira, 26 de fevereiro, os analistas Vinicius Strano, Isabella Lamas e Lucca Biasi anunciaram a elevação da recomendação das ações da companhia de cosméticos de neutro para compra. Eles também elevaram o preço-alvo dos papéis, de R$ 15,50 para R$ 17, vendo um upside de 28%.
“Nós acreditamos que iniciativas internas e ventos favoráveis do setor [de cosméticos] permitirão uma melhora da margem”, diz trecho do relatório. “Vemos os fundamentos da Natura e as perspectivas de crescimento do setor de beleza subestimados por conta do overhang criado pela Avon International.”
Dentre as iniciativas tomadas pela companhia, os analistas destacam o acordo preliminar alcançado com os credores da companhia americana em novembro. Para eles, a medida abre caminho para vender a companhia americana, adquirida em 2019 como parte do plano da Natura de construir uma plataforma global de cosméticos.
Mas as dificuldades de integração das operações da Avon International e de outras empresas compradas como parte do plano forçaram a Natura a rever suas pretensões, ao terem piorado os retornos da companhia.
Os analistas do UBS BB afirmam que a venda da Avon International, com a manutenção da marca e dos ativos da Avon na América Latina, permitirá à Natura se concentrar exclusivamente nas operações da região e retomar a distribuição de dividendos.
“Avaliamos que a companhia pode entregar um dividend yield atrativo, de cerca de 14% em 2026, considerando as cotações atuais das ações, enquanto eleva o lucro por ação no longo prazo a um ritmo de 8% a 9%”, diz trecho do relatório.
Junto com os efeitos da venda da Avon International, os analistas do UBS BB destacam que a Natura vai se beneficiar dos efeitos da reestruturação operacional iniciada em 2022, quando Fábio Barbosa assumiu o comando do grupo.
Em agosto de 2023, a companhia colocou em marcha a chamada Onda 2, projeto que passa pela integração dos negócios da Natura na América Latina, visando fortalecer sinergias em temas como logística e comercial. O UBS BB afirma que, no Brasil, os efeitos já começam a ser sentidos.
“A execução da estratégia da Onda 2 da Natura no Brasil foi bem sucedida, resultando num aumento da margem Ebitda ajustada na América Latina, de 10% em 2022 para 12,6% em 2023, e com expectativa de que atinja 14,6% em 2024”, diz trecho do relatório.
No longo prazo, a expectativa do UBS BB é de que a margem Ebitda ajustada alcance 17%, com a implementação dos processos da Onda 2 no México e na Argentina neste ano e o mix de marcas e produtos alcançado pela companhia.
Esses ganhos de eficiência ocorrem no momento em que o mercado de cosméticos apresenta boas perspectivas. Os analistas do UBS BB citam dados da Euromonitor mostrando que a categoria de beleza cresceu 13% em 2023, com a marca Natura elevando seu market share a 13% no mesmo ano.
“Embora nosso cenário base considere um crescimento anual da receita entre 6% e 7% de 2026 em diante, o aumento dos gastos das gerações mais novas, a diversificação dos canais de vendas e a inovação podem representar um potencial de alta [para as projeções]”, diz trecho do relatório.
Os analistas também projetam um fluxo de caixa livre de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões, apoiado nos planos de conservadorismo no lado dos investimentos.
Por volta das 11h04, as ações da Natura subiam 2,03%, a R$ 13,56. Em 12 meses, os papéis acumulam queda de 17,7%, levando o valor de mercado da empresa a R$ 18,8 bilhões.