Fruto de um spin-off da brasileira Embraer, a Eve Air Mobility está avançando em mais uma etapa para se consolidar no novo espaço ainda em maturação das aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical (eVTOL), os chamados “carros voadores”.
A companhia anunciou na segunda-feira, 3 de agosto, que seu protótipo realizou o primeiro voo de fase de transição, o que, na prática, dá a partida para a fase de transição do voo vertical para o voo horizontal, o que, segundo a empresa, é uma das etapas mais críticas de um projeto desse porte.
“Este primeiro voo de transição parcial é um marco importante na trajetória de desenvolvimento da Eve”, afirmou, em nota, Johann Bordais, CEO da Eve, sobre o voo, que teve duração de três minutos e nove segundos e percorreu cerca de 1,5 mil metros, atingindo uma altura de 27 metros.
“A ativação bem-sucedida do sistema de propulsão traseiro valida um aspecto fundamental do design da nossa aeronave e nos aproxima cada vez mais de entregar soluções de mobilidade aérea seguras, eficientes e escaláveis”, acrescentou o executivo.
O voo incluiu a ativação da hélice propulsora traseira da aeronave (pusher) e, durante o percurso, a aeronave atingiu uma velocidade estabilizada de 27 nós (50 quilômetros por hora) e velocidade máxima de 30 nós (55 quilômetros por hora), com a hélice operando até 1,2 mil rotações por minutos.
“Os dados coletados darão apoio à expansão contínua do envelope de voo à medida que avançamos em direção a velocidades mais elevadas e ensaios de transição progressivamente mais complexos”, ressaltou, no comunicado, Marcelo Basile, diretor de engenharia da Eve.
Segundo a companhia, sua equipe de engenharia de voo segue conduzindo análises de cargas estruturais para apoiar a futura expansão do envelope de voo. E, na sequência, o plano é realizar testes para, entre outros pontos, apoiar operações em velocidades de até 50 nós (92 quilômetros por hora).
Na Bolsa de Nova York (Nyse), onde a Eve tem ações listadas desde 2022, por meio de uma fusão com a Zanite, uma Special Purpose Acquisiton Company (SPAC), as ações parecem ter ganho um impulso com o anúncio feito pela empresa nessa segunda-feira.
Os papéis registravam alta de 3,23% por volta das 10h40 na Nyse, cotados a US$ 2,39, avaliando a companhia em US$ 834,1 milhões. No acumulado de 2026, porém, as ações acumulam uma desvalorização de 40%.
As ações da empresa já tinham pegado “carona” no voo inaugural realizado pelo protótipo de carro voador da operação em dezembro de 2025, na cidade de Gavião Peixoto. Na oportunidade, os papéis também registraram alta na bolsa de valores americana.
Criada em outubro de 2020, a partir da EmbraerX, braço de inovação da Embraer, a Eve é a aposta da fabricante brasileira para competir no mercado nascente de eVTOLs com empresas como as americanas Joby e Archer.
Nesse espaço, além de avançar nos testes do protótipo, a companhia também vem ganhando tração em sua carteira de pedidos, que já conta com cartas de intenção para aproximadamente 2,7 mil eVTOLs, muitos delas assinadas por operadoras de helicópteros, de olho nesse novo mercado.
Os acordos mais recentes nessa direção foram anunciados em julho e envolveram 16 eVTOLs com a Shearwater Global Capital, empresa de financiamento aeronáutico da Bay Point, além de 30 aeronaves com a Moov, para os mercados da Europa e de Cabo Verde.
Em paralelo, a Eve Air Mobility vem contando com o apoio de recursos financiados pelo BNDES, que, desse 2022, já aprovou R$ 1,2 bilhão em crédito para a companhia em diferentes etapas de desenvolvimento do seu projeto.