Na trilha do turbilhão gerado pela inteligência artificial (IA), a Nvidia se tornou a empresa mais valiosa do mundo e não tem economizado para sustentar essa posição e ampliar seus tentáculos para muito além dos processadores pelos quais ficou mais conhecida.
Sob essa lógica, a companhia americana liderada por Jensen Huang voltou a abrir seu cofre. Na quinta-feira, 3 de setembro, anunciou a aquisição da americana Hugging Face, plataforma colaborativa de desenvolvimento de ferramentas de IA de código aberto, em um acordo de US$ 12,9 bilhões.
O valor do cheque dá uma medida da relevância da transação para a Nvidia. Essa é a segunda maior aquisição já feita pela empresa, atrás apenas da compra de ativos da Groq, startup de chips de alta performance, fechada em dezembro de 2025, por US$ 20 bilhões.
“Juntos, vamos expandir a plataforma da Hugging Face, fortalecer sua infraestrutura e ampliar o acesso à IA para desenvolvedores e instituições em todo o mundo”, escreveu Huang em postagem no blog da companhia.
O CEO da Nvidia destacou que, ao longo da última década, os fundadores e o time da Hugging Face construíram um espaço “vibrante” para a comunidade de desenvolvedores de código aberto. E frisou que a plataforma seguirá adotando esse modelo para todo o ecossistema de IA.
“Os desenvolvedores escolherão os modelos, as estruturas, as nuvens e os provedores de serviços de inferência, bem como as plataformas de computação que desejarem. Não será necessário utilizar os serviços de computação da Nvidia para desenvolver ou implantar soluções na Hugging Face”, afirmou.
A declaração foi acompanhada de dados da plataforma, que reúne mais de 18 milhões de desenvolvedores. Essa comunidade compartilha mais de 3 milhões de modelos, 500 mil datasets e 1 milhão de aplicativos. E é acessada por mais de 200 mil empresas.
Ao trazer esses números para “dentro de casa”, a Nvidia reforça sua aposta na IA baseada em códigos abertos, em uma estratégia que está totalmente alinhada com a premissa de alguns direcionamentos do mercado.
Uma das principais questões é o crescimento da demanda por modelos abertos, já que as empresas têm avaliado cada vez mais o alto custo envolvido na implementação da inteligência artificial. Esse cenário vem abrindo portas para a ascensão de companhias chinesas como a DeepSeek.
Ao mesmo tempo, o fato de ampliar seus investimentos no mundo do código aberto pode ajudar a Nvidia a minimizar a potencial desaceleração na procura de grandes clientes por seus processadores, dado que companhias como OpenAI e Microsoft estão desenvolvendo seus próprios chips.
Como parte desses esforços, a Nvidia já desenvolve seus próprios modelos de IA de código aberto, com a família Nemotron. E com a Hugging Face, a empresa terá um atalho para coletar dados relevantes para avançar também nessa iniciativa e se posicionar como uma alternativa nesse mapa.
A Nvidia não foi a única companhia a mostrar interesse pela Hugging Face. Com sede em Nova York e fundada em 2016, a plataforma já havia captado US$ 395 milhões com investidores como Google, Amazon, Intel, AMD, Salesforce e a própria companhia de Jensen Huang.
Mais recentemente, a Hugging Face chamou a atenção, no entanto, por uma outra questão. Em julho, a plataforma foi alvo de um ataque hacker realizado por agentes de IA que escaparam de um ambiente de testes de um novo modelo da OpenAI.
Com seus investimentos e iniciativas, a Nvidia também tem estampado as manchetes. Em agosto, por exemplo, o jornal britânico Financial Times revelou que a empresa está costurando um financiamento de US$ 500 bilhões para financiar tanto a sua operação como os clientes que compram seus chips.
A negociação em questão envolve um consórcio de investidores formado por nomes de peso como Apollo Global Management, Blackstone, BlackRock, Brookfield, Goldman Sachs e KKR.
As ações da Nvidia registravam alta de 1,62% na Nasdaq por volta das 9h45 (horário local), cotadas a US$ 229,05. Os papéis da companhia, avaliada em US$ 5,49 trilhões, acumulam alta superior a 22%