Em fevereiro de 2021, Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS revelou o plano do grupo brasileiro, maior produtor global de proteínas, construir uma casa de marcas, das quais, em cinco anos, pelo menos dez alcançariam um faturamento de mais de US$ 1 bilhão.

Exatamente cinco anos depois, um dos pilares dessa “house of brands” de proteínas acaba de superar essa meta. Marca de frangos congelados totalmente cozidos, sem antibióticos, aditivos e conservantes, e de rápido preparo, a Just Bare fechou 2025 com mais de US$ 1 bilhão em vendas, alta anual de 45%.

O palco para a divulgação desse resultado, que compreende as vendas nos Estados Unidos, foi a Consumer Analyst Group of New York (Cagny), evento que reúne os principais executivos e analistas de empresas de bens de consumo, cuja edição de 2026 está sendo realizada nesta semana, na Big Apple.

“É um marco importante, mas não nos limitamos a esse número e não estamos satisfeitos com esse bilhão”, diz Sergio Nahuz, head de prepared foods da Pilgrim’s Pride, subsidiária da JBS, ao NeoFeed. “Acreditamos que existe uma oportunidade muito maior lá fora.”

Subsidiária de produção de carne de frango da JBS com presença nos Estados Unidos, México, Porto Rico e Europa, a Pilgrim’s Pride é também a “casa” da Just Bare dentro do grupo. E os números dessa divisão dão uma dimensão do feito registrado pela marca.

De janeiro a setembro de 2025, a Pilgrim’s Pride registrou uma receita de US$ 13,9 bilhões, o que representou um crescimento anual de 3,5%. Nessa mesma base de comparação, a receita total da JBS foi de US$ 63,1 bilhões, contra US$ 57,2 bilhões no acumulado do mesmo período de 2024.

Fundada em 2009, a Just Bare passou a fazer parte desse extenso cardápio da JBS no fim de 2016, quando a Pilgrim’s Pride anunciou a aquisição da GNP Company, até então, dona da marca, em um acordo de US$ 350 milhões.

Nahuz destaca alguns passos dados desde que a Just Bare passou a integrar esse menu. Em particular, três pilares que, segundo o executivo, ajudam a explicar a ascensão da marca até bater essa marca bilionária em vendas.

“Primeiro, temos um ótimo produto. O sabor é realmente bom. É uma experiência de qualidade de restaurante em casa”, diz ele. “O segundo é que fomos a primeira marca a apresentar o conceito do empanado leve, enquanto boa parte dos produtos da categoria têm muito mais massa do que carne.”

Além dessas questões, ele ressalta o fato de a marca ter feito melhorias em suas embalagens para comunicar adequadamente o teor de proteína de cada item, entre outros dados. Informações que, por sua vez, são extremamente relevantes para o perfil de consumidor desses produtos.

“Nós não fizemos concessões, como é comum na categoria. Não abrimos mão do sabor, da saúde, da textura, da praticidade ou do preço. Temos um preço premium, mas é um premium acessível”, diz. “Estamos no lugar certo, na categoria certa, com a proposta certa para o consumidor certo.”

Como resultado, o grupo ressalta que a Just Bare ocupa agora a primeira posição em ritmo de vendas na categoria de frango totalmente cozido nos Estados Unidos. E que ampliou seu market share de 1% para 13% em um intervalo de três anos.

Nahuz também cita ingredientes externos que integram essa receita. E que, combinados com alguns apelos dos produtos da marca – o preparo rápido, por exemplo -, ajudam a explicar a receita por trás do primeiro bilhão em vendas, em tão pouco tempo.

“Nos últimos anos, a inflação fora de casa cresceu mais rápido do que a inflação em casa”, afirma. “Então, os consumidores tendem a ir para o corredor de congelados no supermercado. Mas sem abrir mão da qualidade. Eles ainda querem a experiência de um restaurante em casa.”

Esse pacote inclui ainda questões como os preços elevados da carne bovina no mercado dos Estados Unidos, o que tem feito com que a carne de frango ganhe cada vez mais espaço no menu dos consumidores.

“E temos ainda toda essa dinâmica ligada ao GLP-1 e das pessoas estarem mais preocupadas com a saúde”, observa. “Então, as pessoas estão buscando mais proteína em suas dietas. E, nesse cardápio, o frango é uma proteína vencedora.”

Diante desse cenário, ele destaca: “Quando você olha para o frango congelado totalmente cozido, pode parecer um nicho. Mas, hoje, essa é uma categoria de US$ 6 bilhões, crescendo a taxas de um dígito alto. E isso só nos Estados Unidos.”

O faturamento bilionário da Just Bare também leva em conta apenas as vendas no mercado americano. Mas a marca também já tem presença, desde 2024, no México. E embora não revele detalhes, o executivo aponta que já há planos de levar o portfólio para outros países.

A expansão desse portfólio - em 2025, a marca lançou uma linha de assados - também é um dos próximos passos. Aqui, um dos planos é entrar em novas ocasiões de consumo, como o café da manhã, por exemplo.

“Temos muitas novidades para esse ano, especialmente com grandes parcerias que estamos firmando para aumentar nosso conhecimento de marca”, diz Nahuz. “Esse é o nosso principal objetivo para 2026, ao lado do aumento da penetração nos lares dos consumidores.”

Esse plano também passa pela produção. Hoje, a Just Bare produz 95% dos seus itens internamente, em unidades da Pilgrim’s nos Estados Unidos. E vai ampliar esse volume com uma nova fábrica da divisão, na Geórgia, com um aporte de US$ 400 milhões e prevista para entrar em operação em 2027.

Nahuz ressalta, porém, que a marca seguirá evoluindo suas estruturas e capacidades conforme a necessidade, sem pisar no acelerador. E que a ideia é continuar combinando os benefícios de um grupo do porte da JBS com a pegada de uma novata.

“Queremos ser uma empresa de bens de consumo, mas não queremos nos comportar como uma. Porque, se fizéssemos isso, nos tornaríamos grandes, burocráticos e lentos”, diz. “Se pudermos operar com a mentalidade de uma startup, com o apoio da JBS e da Pilgrim’s, essa é a melhor opção possível.”