A Anthropic venceu uma disputa judicial contra gravadoras após um juiz da Califórnia negar o pedido de liminar que visava a impedir que a empresa usasse músicas protegidas por direitos autorais para treinar seu modelo de inteligência artificial, o Claude.

Um grupo formado por Concord, ABKCO Music & Records, Universal Music e suas subsidiárias processou a Anthropic em outubro de 2023, alegando que as respostas do Claude a perguntas de usuários continham cópias literalmente idênticas ou quase idênticas das obras, o que, segundo as gravadoras, violava direitos autorais.

A Justiça da Califórnia, no entanto, entendeu que as gravadoras não conseguiram demonstrar como o uso das músicas no treinamento do Claude causaria dano reputacional ou impacto financeiro direto, segundo registros judiciais obtidos pelo Wall Street Journal.

No início do ano, as gravadoras chegaram a um acordo com a Anthropic para impedir que o Claude gerasse respostas que pudessem infringir direitos autorais. O pacto, no entanto, não impediu o uso das músicas no treinamento do modelo — ponto central do processo.

O caso faz parte de uma disputa mais ampla sobre o uso, por empresas de IA, de conteúdo acessível publicamente — como músicas, imagens e notícias — para treinar seus sistemas.

A possibilidade de acordos com essas empresas tem sido considerada por alguns grupos de mídia. Em 2023, por exemplo, a News Corp, dona do Wall Street Journal, fechou um contrato de licenciamento com a OpenAI que pode chegar a US$ 250 milhões em cinco anos.

Mas esse ainda é um caso isolado. O New York Times, por exemplo, segue em disputa judicial contra a OpenAI e a Microsoft, alegando prejuízos bilionários e exigindo que o conteúdo jornalístico do jornal deixe de ser usado no treinamento de modelos de IA.

O uso de imagens também está no centro de batalhas judiciais. O caso mais emblemático envolve a Getty Images, que processou a Stability AI sob a acusação de que seu modelo foi treinado com milhões de imagens com marca d’água da Getty, sem autorização.

As disputas judiciais, com pedidos de indenizações milionárias, vêm pressionando o setor por soluções mais sustentáveis. Uma das propostas veio da Perplexity, rival emergente do Google, que usa IA para responder a buscas com base em conteúdo jornalístico.

Processada por veículos como o New York Post e a News Corp, a empresa sugeriu a possibilidade de compartilhar parte de sua receita com publishers.

O movimento lembra as tensões vividas entre buscadores tradicionais e veículo da imprensa, que também questionaram o uso de seus conteúdos por agregadores como o Google News. A diferença, agora, é que a disputa se dá em uma nova camada tecnológica — com modelos que não apenas direcionam ao conteúdo, mas o recriam.