A longa e intricada negociação pela venda da Warner Bros. Discover, iniciada em outubro passado e envolvendo duas potenciais compradoras – a Netflix e a Paramount Skydance – finalmente entrou na fase final de definição nesta terça-feira, 17 de fevereiro, com um ultimato da Warner à Paramount para que apresente sua "melhor e última" oferta em até uma semana.

Do contrário, adverte o estúdio, a Warner deve formalizar o acordo de venda no valor de US$ 83 bilhões já acertado com a Netflix. O prazo é uma tentativa do conselho da Warner de forçar a Paramount a melhorar sua proposta ou desistir da aquisição. O período de sete dias para uma resposta atende ao prazo estipulado pela Netflix para que a Warner possa negociar com a Paramount e "resolver esta questão de forma definitiva".

Uma série de fatores tornou complexo o desfecho da venda da Warner, que parecia acertada depois que a Netflix ofereceu US$ 83 bilhões por uma fatia da concorrente, os estúdios e o braço de streaming, incluindo a HBO Max. Os canais e a TV tradicional, com ativos como CNN e TNT Sports, ficariam em uma empresa separada, a Discovery Global, que seria desmembrada antes da conclusão do acordo.

A Paramount, porém, tentou virar o jogo no início de dezembro ao fazer uma oferta hostil de US$ 108 bilhões por toda a empresa, incluindo os ativos de TV a cabo que não fazem parte do acordo com a Netflix.

Como o conselho da Warner se mostrou favorável ao acordo com a Netflix, recomendando aos acionistas que rejeitassem a oferta da Paramount, a venda parecia definida até a semana passada, quando dois movimentos da concorrente da Netflix voltaram a colocar a conclusão do negócio em suspenso.

A Paramount, primeiro, tornou sua oferta hostil de US$ 108 bilhões mais atraente, oferecendo-se para pagar aos acionistas da Warner caso os órgãos reguladores atrasassem a conclusão da transação.

Em paralelo, um "representante sênior" da Paramount abordou um executivo da Warner sugerindo que a empresa poderia aumentar sua oferta de US$ 30 para US$ 31 por ação, com possibilidade ainda de aumentar a proposta, segundo comunicado da Warner.

Como a nova proposta de aumento do preço da ação não se materializou, conforme assegura a Warner, o lendário estúdio - que detém algumas das propriedades de cinema e TV mais valiosas do mundo, de Harry Potter a Friends – decidiu dar o ultimato à Paramount.

David Zaslav, CEO da WBD, afirmou, em comunicado, que sua empresa realizará negociações durante uma semana para determinar se a Paramount pode sanar as "deficiências" de sua oferta e apresentar "uma proposta viável e vinculativa que ofereça valor superior". A Warner também confirmou que realizará uma votação sobre o acordo com a Netflix em 20 de março.

A Netflix também se manifestou nesta terça-feira, afirmando que a Paramount não tinha um "caminho mais fácil ou mais rápido para a aprovação regulatória".

"Ao longo do robusto e altamente competitivo processo de revisão estratégica, a Netflix adotou consistentemente uma abordagem construtiva e receptiva com a Warner, em nítido contraste com a Paramount Skydance”, diz trecho do comunicado da Netflix.

Acrescentou também que “embora estejamos confiantes de que nossa transação oferece valor e segurança superiores, reconhecemos a constante distração causada às ações da Paramount para os acionistas da WBD e para a indústria do entretenimento em geral”.

A Netflix já havia advertido que sua oferta de US$ 83 bilhões era definitiva durante as negociações iniciais, no ano passado. Caso a Paramount faça uma oferta superior, porém, a Netflix tem o direito de melhorar a sua própria proposta.