Com o chamado banking as a service - a oferta da infraestrutura por trás dos produtos e serviços financeiros de fintechs e empresas de diferentes setores, a QI Tech atraiu investidores como General Atlantic e o Fundo Soberano de Cingapura (GIC). E alcançou um valuation de mais de US$ 2 bilhões.
Agora, a fintech está levando essa tese a uma outra esfera – também bilionária, ao lançar um cartão de crédito consignado as a service. Sob o conceito de white label, a novidade vai permitir que os cerca de 700 clientes da empresa ofereçam o produto com suas marcas a aposentados e pensionistas do INSS.
“É a nossa forma de democratizar o acesso ao crédito”, diz Pedro Mac Dowell, cofundador e CEO da QI Tech, ao NeoFeed. “Esse é um produto que, hoje, ninguém oferece no conceito de as a service. O que existe são alguns bancos incumbentes e de nicho ofertando esses cartões, mas com sua própria placa.”
Atualmente, Caixa, Santander, Banco Pan, Daycoval e BMG são algumas das instituições que investem em cartões de crédito com suas “placas” para esse público.
“Nós estimamos que, hoje, o mercado endereçável mensal de cartões de crédito consignados do INSS é de cerca de R$ 500 milhões”, afirma Mac Dowell. “E acreditamos que há espaço para levar essa cifra para aproximadamente R$ 2 bilhões. É esse mercado que vamos estimular e que estamos criando.”
Mesmo com um recuo no volume concedido em 2025, os valores movimentados no segmento de crédito pessoal para beneficiários do INSS como um todo, considerando empréstimos e cartões de crédito - uma parcela bem menor nessa conta, já são substanciais.
Essa modalidade registrou um total originado de R$ 70,6 bilhões no ano passado, queda de 31,5% sobre 2024, muito em função de medidas de segurança implementadas para combater fraudes e irregularidades.
Apesar da retração, a vertente, cujo saldo acumulado de operações era de R$ 278,7 bilhões em dezembro, seguiu como um dos carros-chefes do segmento. No total, considerando todas as modalidades, foram concedidos R$ 220,2 bilhões em crédito pessoal consignado privado em 2025.
Para somar novos dígitos, mesmo que indiretamente, a essa conta, a QI Tech está lançando dois cartões, com a bandeira Visa. O primeiro, o cartão de crédito consignado tradicional e, o segundo, um cartão benefício, que inclui telemedicina, descontos em farmácia e auxílio funeral.
“Em cada um dos cartões, o cliente pode utilizar até 5% da sua aposentadoria para pagar as faturas”, diz Roberto Amaral, sócio e head da vertical de lending as a service da QI Tech. “E o limite desses cartões é de até 1,6 vez o valor do benefício desse aposentado, que, por sua vez, pode sacar até 70% desse valor.”
A QI Tech responde por todos os processos por trás dessa oferta – da emissão dos cartões aos motores de crédito e soluções de antifraude. Esse pacote passa, inclusive, pela possibilidade de estruturação e gestão de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) para financiar essas operações.
“Nós também provemos essa infraestrutura dos FIDCs para que eles possam não apenas depositar o recurso que será usado nas linhas de crédito”, diz Mac Dowell. “Mas também fazer a cobrança e o recebimento das parcelas que serão pagas desse cartão.”
Atualmente, a QI Tech administra um volume de aproximadamente 1 mil FIDCs, que, por sua vez, resultam em mais de R$ 164 bilhões em ativos sob sua custódia e administração.
Mac Dowell e Amaral destacam que, nessa equação, os clientes da QI Tech passam a ter acesso a um modelo de baixo risco de inadimplência e alta previsibilidade de recebimento, baseado no desconto diretamente do benefício. Enquanto os beneficiários do INSS ganham mais uma opção de crédito.
Nessa última frente, a conta feita pela QI Tech inclui as margens de 5% do benefício desse usuário em cada cartão ofertado pela fintech, além do percentual de até 35% das suas aposentadorias que eles podem comprometer no pagamento de parcelas de empréstimos consignados convencionais.
“No fim do dia, vamos conseguir navegar pelos três produtos possíveis do INSS”, diz Amaral. A afirmação refere-se ao fato de que, desde meados de 2024, a QI Tech já atua com a infraestrutura para empréstimos consignados vinculados a benefícios e aposentadorias do INSS.
Produto com crédito
Considerando todas as modalidades, a QI Tech diz movimentar atualmente, por meio dos seus clientes, de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões em créditos concedidos mensalmente. Em 2025, a fintech registrou um volume total de crédito de mais de R$ 57 bilhões.
Já no que diz respeito à linha de empréstimos pessoais vinculados ao INSS, o volume mensal está faixa de R$ 1,4 bilhão por mês, com cerca de 150 mil operações. Em 2025, foram mais de R$ 12 bilhões originados nesse espaço.
Segundo a empresa, o tíquete médio dessas operações de empréstimos consignados para beneficiários do INSS pode ser cerca de 14 vezes superior ao empréstimo pessoal clean - sem consignado ou garantia.
Na busca para ampliar esses números, do papel à execução, a nova oferta dos cartões de crédito começou a ser desenvolvida em setembro de 2025. Os primeiros testes em produção, por sua vez, foram feitos internamente, na virada do ano, com uma sócia da operação.
De olho nesses números, do papel à execução, a nova oferta começou a ser desenvolvida em setembro de 2025. Os primeiros testes em produção, por sua vez, foram feitos internamente, na virada do ano, com uma base de clientes, entre eles, uma sócia da operação, cujo nome não foi revelado.
Agora, a QI Tech passa a estender o cartão a toda sua base – hoje, a empresa atende clientes como Shopee, Vivo, 99, Wellhub e Stellantis. Dada a complexidade do produto, a ideia é escalar a oferta gradativamente.
“Essa é uma venda mais criteriosa, para que o titular do cartão consiga entender o que é produto e como ele funciona”, diz Amaral. “Então, vamos liberar para um pool de clientes e expandir depois para toda a base”.
Nessa primeira etapa, a Qualiconsig, gestora de crédito consignado, empréstimos e refinanciamentos, é um dos nomes que estão puxando a fila, juntamente com outros 15 nomes que já estão na fila de espera do produto. Em paralelo, a QI Tech já prepara a expansão dessa oferta a outros públicos.
“Vamos expandir o cartão benefício para estados e municípios”, afirma Amaral. “Já estamos em processo de credenciamento em alguns mercados e o próximo estado onde devemos operar esse produto é São Paulo, ainda nesse ano.”