Resultado da fusão entre a Arezzo&Co e o Grupo Soma, anunciada há exatos dois anos e aprovada em junho de 2024, o Azzas 2154 está avançado em mais uma etapa do intrincado processo de integração das duas operações de varejo de moda.

O grupo está unificando a gestão e as operações de backoffice da vertical Shoes & Bags, que é parte do legado da Arezzo&Co e reúne marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman e Vans, com a divisão Basic, responsável pela Hering, uma herança do Grupo Soma.

Em fato relevante divulgado na noite desta quarta-feira, 4 de fevereiro, o Azzas 2154 informou que a nova unidade será comandada por David Python, que estava à frente da divisão Basic. Rafael Sachete, por sua vez, que já foi CFO do grupo e liderava a operação de Shoes & Bags, está deixando a companhia.

“A simplificação da gestão era algo que todos cobravam e era só uma questão de tempo”, diz Alexandre Birman, CEO da Azzas 2154, ao NeoFeed. “Partimos de quatro unidades de negócio, em agosto de 2025, para duas divisões agora. E, no futuro, vamos nos tornar uma única empresa. Esse é o objetivo.”

Em agosto do ano passado, o passo inicial nessa direção envolveu a unificação das divisões feminina e masculina de fashion & lifestyle. A primeira delas tinha origem no Grupo Soma enquanto a segunda concentrava marcas da Arezzo&Co.

Na sequência, a Azzas divulgou outras duas movimentações que dialogam diretamente com o anúncio de hoje. Em setembro de 2025, Thiago Hering deixou o posto de CEO da divisão Basic e o dia a dia do grupo. Um mês depois, David Python foi anunciado como seu substituto.

Um velho conhecido da Arezzo&Co – ele havia deixado a varejista em 2016, para cofundar a marca de sneakers Cariuma – Python retornou à antiga casa com o mandato de reestruturar as operações da Hering. E essa bagagem é um dos trunfos para que o executivo lidere a nova unidade.

“A união dessas duas divisões não foi uma ideia circunstancial ou que nasceu de supetão”, afirma Python. “Esse projeto já estava sendo ventilado e analisado há algum tempo, pesando as possíveis sinergias e benefícios delas serem lideradas de forma conjunta. Então, nada vai ser feito de improviso.”

Alinhado com esse discurso, Birman observa: “Tudo foi muito bem planejado”, diz. “Diferentemente de outras mudanças que fizemos e que, eu confesso, tiveram um cunho mais imediatista e sobre as quais não tínhamos como dar um roadmap, porque, na realidade, ele não existia.”

Até a segunda quinzena de março, a primeira etapa para tirar esse plano do papel terá a participação de Sachete. Concluído esse prazo, ele deixará o grupo para assumir um cargo na área de finanças e relações com investidores de outra empresa listada - de nome não revelado -, fora do varejo.

“Estou muito feliz de participar dessa transição de gestão para o David, que admiro bastante”, afirma Sachete. “A minha crença é de que esse movimento vai ser bastante benéfico e trazer uma geração de valor importante para o grupo.”

Como parte dessa agenda de transição, uma das primeiras iniciativas será a integração das áreas de recursos humanos, finanças e tecnologia das duas verticais. A fase seguinte, entre abril e junho, vai investir em um modelo de gestão híbrida, abrangendo as demais áreas das divisões.

Nessa equação, Birman assumirá interinamente a liderança das áreas de Marca, Estilo, Marketing e Canais de Shoes & Bags. Já Python se concentrará no turnaround da marca Hering, além de assumir a gestão da área de multimarca de Shoes & Bags.

“Apesar da distinção de categorias, essas duas operações têm uma similaridade histórica muito grande por serem mais industriais e terem uma distribuição mais focada no B2B”, diz Birman.

Nesse período, em paralelo, o plano é desenhar a governança e a estratégia de longo prazo da nova divisão. A previsão é encerrar essa etapa até o fim de 2026, quando essas duas frentes começarão a ser implantadas de fato.

Uma das frentes prioritárias no desenvolvimento dessa nova estratégia é a reformulação do modelo de franquias, um canal que, a partir da soma dessas forças, passará a reunir 1.312 unidades, sendo 743 de Shoes & Bags e 569 de Hering. Birman cita um dos exemplos nessa direção.

“Hoje, há um perfil de franqueados, bastante presente, por exemplo, em Hering”, diz Birman. “São operações com mais escala, estrutura e capacidade de investimento. E que, inclusive, em redes como O Boticário têm uma operação multicanal. Isso é algo que não temos e que queremos implementar.”

Enquanto traça esses planos, a Azzas contabiliza alguns números dessa operação combinada. Com a projeção de faturar cerca de R$ 8 bilhões em 2026, a divisão nasce com mais de 1,4 mil lojas, presença em 15 mil pontos de venda multimarcas e um e-commerce que fatura aproximadamente R$ 1,5 bilhão.

Nos números mais recentes, ainda apartadas, as duas unidades pesaram no balanço do terceiro trimestre de 2025 do grupo. No período, a receita bruta de Shoes & Bags recuou 5,6%, para R$ 1,11 bilhão. Já o faturamento de Basic caiu 4,2%, para R$ 638,8 milhões.

Em relatório recente com a prévia dos resultados do quarto trimestre e do consolidado de 2025, que serão divulgados pela Azzas 2154 em 11 de março deste ano, a XP projetou a manutenção desse cenário.

“Esperamos que a Azzas apresente resultados fracos no quarto trimestre, conforme previsto, com desaceleração da receita devido aos desafios contínuos nas unidades de negócios Basic e Shoes & Bags, além de comparações difíceis no segmento Men Lifestyle”, ressaltou a XP, que tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 40 para o papel.

As ações da Azzas 2154 encerraram o pregão dessa quarta-feira com queda de 3,63%, cotadas a R$ 25,45. Em doze meses, os papéis acumulam uma desvalorização de mais de 24%, dando ao grupo um valor de mercado de R$ 5,1 bilhões.