Um dos nomes a reabrir a janela de IPOs brasileiros, o Agibank começou a ganhar os primeiros relatórios de research. O BTG Pactual e o Itaú BBA iniciaram a cobertura do banco digital nesta segunda-feira, 9 de março, ambos com recomendação de compra para as ações que estrearam na Bolsa de Nova York (NYSE) em fevereiro.

O BTG Pactual fixou o preço-alvo em US$ 17, indicando uma valorização de 62% em relação ao nível atual. Já o Itaú BBA estabeleceu US$ 15, calculando um potencial de alta de 43%. Ambos participaram do sindicato de bancos que coordenou a abertura de capital.

A avaliação é de que a instituição de Marciano Testa será um dos principais nomes a capturar ganhos da chamada “economia prateada”, público acima de 60 anos que deve representar 38% da população em 2070, segundo o IBGE.

Segundo os analistas, a capacidade do Agibank de combinar benefícios do modelo de fintechs, com foco em digitalização, e os investimentos em unidades físicas posicionou o banco como um dos principais nomes para atender pensionistas e capturar ganhos com o consignado do INSS.

“Com mais de 1 mil hubs inteligentes – miniagências muito mais baratas, com custo anual de R$ 422 mil (90% mais eficientes que a agência média) — o Agibank conseguiu ‘desvendar o segredo’ de como atender indivíduos mais velhos, em sua maioria de baixa renda e desassistidos”, diz o BTG Pactual.

Além de atender melhor esse público, a rede de agências permite ao banco ser uma das poucas fintechs capaz de participar dos leilões do INSS, que definem os bancos responsáveis pelo pagamento da renda mensal da previdência.

A falta de unidades físicas é uma barreira de entrada para nomes como Nubank e Inter. Em relação aos grandes bancos, o Agibank apresenta menor custo de serviço, compensando limites de juros e prazos dessas operações.

“O Agibank é eficaz em maximizar receitas por cliente, fundamental para lucros e competitividade. O ROE do crédito de folha do INSS isoladamente não é excelente, devido à concorrência intensa em meio a altas taxas de CDI e tetos de juros”, diz o Itaú BBA.

Outro ponto da tese é a capacidade de cross-selling de produtos com margens elevadas, como seguros de vida e empréstimos sem garantia, que representam 13% da carteira de crédito, mas respondem por cerca de 60% dos resultados operacionais.

Os analistas do Itaú BBA destacam que, enquanto os consignados do INSS geram rendimentos estáveis, possuem margens baixas (máximo de 1,85% ao mês). Já os empréstimos pessoais sem garantia (14% da carteira) rendem margens de 7% a 8% ao mês.

“Essa vantagem de rendimento, aplicada a uma base crescente de clientes com saldos garantidos e não garantidos, aumenta as margens líquidas de juros (NIMs) da carteira combinada do Agibank em mais de 10% ao ano e permite altos ROE”, diz o relatório do Itaú BBA.

Sobre os empréstimos sem garantia, o BTG Pactual afirma que o foco em pensionistas ajuda a reduzir inadimplência. “Ao conceder empréstimos sem garantia apenas a beneficiários que recebem pagamentos pelo Agibank (cerca de 80% dos 1,4 milhões de clientes possuem um empréstimo pessoal sem garantia), o banco reduziu os NPLs neste segmento de mais de 25% em 2018 para 8,4% atualmente”, diz o relatório.

Por volta das 12h19, as ações do Agibank subiam 1,05%, a US$ 10,61. Desde a estreia, acumulam queda de 3,5%, levando o valor de mercado a US$ 1,7 bilhão.