Após desbancar, em 2024, a liderança da Tesla em faturamento, a BYD superou a rival americana comandada pelo bilionário Elon Musk em um outro indicador: o volume de vendas. Com o novo feito, a empresa assumiu de vez o posto de maior fabricante global de carros elétricos.

O volume em questão veio em linha com a meta anual que havia sido divulgada pela BYD, em setembro. E foi mais do que o suficiente para deixar a montadora americana comendo poeira também nesse quesito.

A confirmação da troca do lugar mais alto do pódio veio nesta sexta-feira, quando a Tesla divulgou seus resultados consolidados de vendas no quarto trimestre de 2025. E reportou um volume de 418,2 mil veículos comercializados.

O número representou uma queda de 16% sobre igual período, um ano antes, além de ficar abaixo das projeções, que apontavam para faixa de 422,8 mil carros vendidos. No ano, o volume total foi de 1,63 milhão de unidades, um recuo anual de 9%.

Além da perda da liderança, esse patamar representou a segunda queda consecutiva anual da Tesla nessa linha. Em 2024, a empresa comercializou 1,79 milhões de carros, uma queda de 1,1%. Naquele mesmo período, a BYD se aproximou da rival, ao registrar 1,76 milhão de veículos vendidos.

O novo recuo da Tesla acontece após um ano turbulento vivido pela companhia, fruto de uma combinação do aumento da concorrência, expresso na ascensão da BYD e de outras montadoras chinesas.

Em paralelo, a companhia americana também viu a pressão aumentar sobre a sua operação em um reflexo do envolvimento de Musk com o governo Trump e de outras polêmicas do bilionário no campo da política. Bem como com o fim dos subsídios federais para a compra de carros elétricos nos EUA.

Apesar do caminho traçado para superar a concorrente americana, a BYD também enfrentou um roteiro mais complicado no ano. Em especial, pelos impactos da concorrência no seu mercado doméstico, que se traduziu em uma intensa guerra de preços e em quedas consecutivas no lucro da operação.

Ao mesmo tempo, a montadora chinesa enfrentou alguns percalços em sua estratégia de expansão internacional, muito em função de barreiras comerciais ou planos de restrições impostas à empresa e suas conterrâneas em outros mercados além da China.

Mesmo nesse contexto, a empresa conseguiu registrar um volume de 1,05 milhão de unidades vendidas no exterior, superando levemente sua estimativa inicial que apontava para a marca de 1 milhão de carros comercializados em outros mercados.

Esse desempenho ajudou a compensar, em parte, a performance da BYD em seu mercado doméstico. Mas trouxe impactos nos números consolidados da companhia, que registrou um volume total de vendas de 4,6 milhões de carros, alta de 7,7&, seu crescimento mais lento em cinco anos.

Entretanto, algumas projeções indicam um horizonte mais favorável para a empresa. Em nota, o Morgan Stanley, por exemplo, destaca a expectativa de uma recuperação da companhia em seu mercado interno, após a BYD lançar diversas atualizações em sua linha no início deste ano.

Em outra ponta, estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg indicam que a companhia pode alcançar um volume de vendas total de aproximadamente 5,3 milhões de unidades nesse ano. Já para a Tesla, a projeção é 1,8 milhão de carros elétricos no período.

As ações da BYD fecharam o pregão da sexta-feira na Bolsa de Hong Kong com alta de 3,57%, dando à montadora um valor de mercado de 900,3 bilhões de dólares de Hong Kong (cerca de US$ 115,6 bilhões).

Já os papéis da Tesla encerraram as negociações da quarta-feira, dia 31, com queda de 1%. A companhia está avaliada em US$ 1,49 trilhão.

* matéria atualizada às 12h, com os dados de vendas da Tesla