A Circle Internet, empresa por trás da stablecoin USDC — a segunda maior do mundo em valor de mercado — entrou com um novo pedido de oferta pública inicial de ações (IPO) na terça-feira, 2, para listagem na Bolsa de Nova York (NYSE). É a primeira grande tentativa de abertura de capital de uma companhia cripto desde que o presidente Donald Trump passou a adotar um discurso mais favorável ao setor de ativos digitais.
As stablecoins são criptomoedas projetadas para manter paridade com moedas fiduciárias, como o dólar. Elas funcionam como uma espécie de “dinheiro digital”, permitindo transferências rápidas e com menor custo fora do sistema bancário tradicional. As maiores são a USDT, da Tether (com sede em Hong Kong), e a USDC, emitida pela Circle, com US$ 144 bilhões e US$ 60 bilhões de valor de mercado, respectivamente — ambas atreladas ao dólar.
De acordo com os documentos protocolados na terça-feira, a receita da Circle saltou de US$ 1,4 bilhão em 2023 para US$ 1,66 bilhão no ano passado. O avanço foi impulsionado pelos rendimentos gerados sobre as reservas que lastreiam o USDC. Com as taxas de juros nos Estados Unidos acima de 5% durante grande parte de 2024, os ganhos com esses ativos aumentaram.
Ainda assim, o lucro líquido da empresa caiu de US$ 268 milhões para US$ 156 milhões, pressionado pela alta nos custos operacionais e pelo pagamento de cerca de US$ 1 bilhão em taxas e incentivos a parceiros como a Coinbase. A perspectiva, no entanto, é de que essa fonte de receita perca força, com o mercado projetando novos cortes nas taxas de juros dos Estados Unidos.
Com parcerias estratégicas com instituições financeiras tradicionais, como BTG Pactual e Nubank, a Circle tem apresentado um forte crescimento no volume de mercado de sua criptomoeda. No ano passado, o USDC cresceu de US$ 25 bilhões para US$ 44 bilhões. Desde o início de 2024, o valor de mercado do USDC já avançou 36%, para US$ 60 bilhões — mesmo em um momento de desempenho mais fraco de criptomoedas tradicionais, como Bitcoin e Ethereum.
Além do crescimento do USDC, o pedido de IPO também reflete um momento de maior abertura regulatória nos Estados Unidos para o setor de criptoativos. O Congresso americano discute atualmente a criação de um marco legal específico para emissores de stablecoins, enquanto a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) tem suavizado sua postura desde janeiro, encerrando ou suspendendo uma série de processos contra empresas do setor.
Como coordenadores líderes do IPO, a Circle contratou os bancos de investimento JPMorgan Chase e Citigroup. Entre os principais acionistas da companhia estão as gestoras Accel, Breyer Capital, General Catalyst e Fidelity.