Em meio aos esforços para reerguer as operações, a Oncoclínicas trouxe “mão de obra especializada” quando o assunto é reestruturação.
A companhia anunciou na noite de quarta-feira, 4 de fevereiro, a contratação de Camille Loyo Faria, ex-CFO da Americanas, para o cargo de vice-presidente executiva. A notícia foi antecipada pelo jornal Folha de S. Paulo.
Segundo comunicado, Faria ficará responsável pela liderança estratégica das diretorias corporativas e de negócios, incluindo áreas como jurídica e compliance, operações, novos negócios e recursos humanos.
Ela também assumirá os cargos de diretora executiva financeira e diretora executiva de relações com investidores, em substituição a Cristiano Camargo, que deixa a companhia. Faria tomará posse em 9 de fevereiro.
Bruno Ferrari, CEO da Oncoclínicas, continuará responsável pela gestão das áreas médica e científica e pelas parcerias estratégicas com operadoras de planos de saúde “até que o conselho de administração conclua seu processo de sucessão”, segundo o comunicado.
Faria chega à Oncoclínicas após deixar a diretoria financeira da Americanas, em dezembro, permanecendo como assessora em temas ligados à recuperação judicial. Ela assumiu o cargo “no olho do furacão”, pouco depois de estourar o escândalo da fraude contábil, depois de uma passagem pela Oi, que também passava por dificuldades.
Nos dois anos em que esteve na varejista, comandou ao lado do CEO Leonardo Coelho uma profunda reestruturação, que envolveu o refazimento dos balanços desde 2020 para identificar a real situação financeira, a renegociação da dívida e a revisão operacional, com venda de ativos e foco no varejo físico, tendo o digital como complemento.
Aprovado por credores em dezembro de 2023, o plano de recuperação judicial da Americanas foi homologado e colocado em prática em fevereiro de 2024. Na época, a empresa contabilizava R$ 42 bilhões em dívidas com credores, sem considerar dívidas intercompany. No terceiro trimestre, a dívida bruta somou R$ 1,9 bilhão.
“Assumo esta posição com satisfação e elevado senso de responsabilidade”, afirma Faria, em nota. “Minha atuação estará focada em dar continuidade às iniciativas já em andamento, com disciplina financeira, transparência na relação com o mercado e execução do plano estratégico, contribuindo para a sustentabilidade e o fortalecimento da companhia.”
Na Oncoclínicas, ela encontra uma empresa que adotou o lema “back to basics”, desistindo do plano de expandir para além da oncologia e incorporar hospitais.
A chegada de Faria também representa perda de força de Ferrari, que está deixando o cargo de CEO, movimento articulado pelos principais acionistas, conforme antecipou o NeoFeed. A expectativa é de que ele se dedique ao conselho de administração.
Para seu lugar, a Oncoclínicas avalia alguns nomes. Segundo apuração do NeoFeed, a Spencer Stuart, responsável pelo processo, mantém conversas com três executivos: Irlau Machado, ex-CEO da NotreDame Intermédica; Ricardo Bottas, atual CFO da Latam Airlines e ex-CEO da Amil; e Fábio Schvartzman, ex-CEO da Vale.
As ações da Oncoclínicas encerraram o dia com alta de 8,09%, a R$ 2,54. Em 12 meses, as ações acumulam avanço de 20,9%, levando o valor de mercado a R$ 2,8 bilhões.