A gigante francesa CMA CGM, controladora da Santos Brasil, responsável pelo maior terminal de contêineres da América Latina, no porto de Santos, anunciou na quarta-feira, 28 de janeiro, a criação de uma joint venture com a gestora americana Stonepeak para administrar dez terminais portuários operados pela companhia no mundo, incluindo o brasileiro.
Na nova operação, que passa a se chamar United Ports LLC, a gestora terá 25% de participação. Para isso, fará um aporte de US$ 2,4 bilhões na JV. Com isso, a companhia combinada terá um valor de mercado de US$ 10 bilhões.
A transação inclui os ativos Los Angeles Fenix Marine Services (Estados Unidos), terminais Port Liberty Nova York e Bayonne (Estados Unidos), Santos Brasil, CSP Valencia e CSP Bilbao (Espanha), Terminal Marítimo de Guadalquivir (Espanha), TTI Algeciras (Espanha), Terminal Freeport de Nhava Sheva (Índia), Terminal CMA CGM Kaohsiung (Taiwan), e Gemalink (Vietnã).
“Por meio dessa parceria estratégica, reunimos dez terminais operados pela CMA CGM em seis países. Ao unir forças, fortalecemos nossa capacidade de investir ainda mais em nossos terminais”, diz Rodolphe Saadé, presidente e CEO da CMA CGM, em nota conjunta das empresas.
O valor aportado pela Stonepeak será reinvestido no crescimento da companhia e na expansão da capacidade da cadeia de suprimentos para atender à crescente demanda por soluções de transporte marítimo.
No acordo estabelecido, a gestora poderá fazer um financiamento de US$ 3,6 bilhões, para desenvolvimentos de futuros projetos conjuntos de terminais portuários. A transação deve ser concluída no segundo semestre de 2026, sujeita às aprovações regulatórias.
Segundo o Wall Street Journal, com a criação da JV, as empresas pretendem justamente acelerar esses investimentos, o que poderia ter grande potencial para diminuir, em parte, o domínio da China na indústria naval, um desejo claro do presidente Donald Trump.
Em março do ano passado, a CMA CGM se comprometeu a investir US$ 20 bilhões nos Estados Unidos para desenvolver a logística de transporte marítimo e terminais nos próximos quatro anos. Na ocasião, Saadé esteve no Salão Oval, da Casa Branca, com Trump, que elogiou a iniciativa.
A Stonepeak é uma empresa de investimentos focada em infraestrutura, com cerca de US$ 80 bilhões em ativos sob gestão. Seus principais setores são transporte e logística, infraestrutura digital, energia e imobiliário.
A gestora também é dona da Trac Intermodal, uma provedora de infraestrutura para a movimentação de contêineres para portos americanos.
“Os terminais de contêineres desempenham um papel essencial no comércio global e estão entre os ativos de infraestrutura de transporte mais difíceis de substituir ou replicar”, afirma James Wyper, diretor-geral sênior, chefe de private equity nos EUA e chefe de transporte e logística da Stonepeak, no comunicado.
A CMA CGM anunciou a compra de 48% de participação da Santos Brasil em setembro de 2024, ao adquirir a fatia do Opportunity por R$ 6,3 bilhões.
Em abril de 2025, a companhia francesa firmou posição com 51% das ações. Com isso, a empresa realizou, em setembro, a oferta pública de aquisição de ações (OPA) para adquirir a totalidade dos papéis. A partir daí, a nova dona fechou o capital da empresa e deixou a B3.
Em agosto do ano passado, o NeoFeed revelou que a companhia havia sentido pouco o impacto do tarifaço de Trump imposto sobre as exportações brasileiras. A partir da chegada da CMA GCM, a rota para o continente asiático, especialmente a China, ganhou força na companhia.
Até março de 2025, os Estados Unidos representavam 19% do volume total exportado pelo Tecon Santos, da Santos Brasil. A partir da nova configuração, esse percentual caiu para 4,5%. Na outra ponta, a Ásia foi de 28% para 45%.
Mesmo com a mudança, os investimentos previstos para a empresa no Brasil seguirão em curso. Até 2031, a companhia planeja aportar R$ 3 bilhões no projeto de ampliação e modernização do terminal de Santos. Deste volume, R$ 2 bilhões já foram empregados.
No dia 10 de janeiro, a empresa recebeu, no Porto de Santos, dois novos guindastes de cais e oito guindastes de pátios elétricos, que vieram da China. Os investimentos nestes equipamentos alcançaram R$ 300 milhões.