Apesar de prever uma perda de US$ 19,5 bilhões devido à revisão de sua estratégia para veículos elétricos, a Ford não desistiu da tecnologia, apostando na readequação do portfólio para híbridos e em parcerias para se adaptar ao novo momento do mercado.

Um acordo em negociação é com a BYD, que recentemente superou a Tesla e se tornou a maior vendedora global de carros elétricos. Segundo o jornal The Wall Street Journal (WSJ), a montadora americana negocia a compra de baterias da companhia chinesa para utilizar em alguns modelos híbridos.

Os termos da parceria ainda estão em discussão, incluindo a possibilidade de a Ford importar baterias por meio de fábricas fora dos Estados Unidos.

O acordo seria oportuno para a Ford, que anunciou em dezembro a redução dos investimentos em veículos elétricos, apesar de estar construindo uma fábrica de baterias no estado de Michigan.

A montadora informou que pretende ampliar as opções de carros híbridos, enquanto concentrará o desenvolvimento de veículos puramente elétricos em modelos menores e mais acessíveis, para atender à demanda do mercado americano.

A BYD se consolidou como fornecedora de baterias de alta qualidade. Antes de se tornar a maior montadora de veículos elétricos, desenvolveu sua capacidade de produção de baterias, inclusive para híbridos.

A maior parte da produção ocorre na China, mas a BYD está abrindo fábricas em regiões como Sudeste Asiático, Europa e Brasil. Dados da Bernstein Research, citados pelo WSJ, apontam que as vendas de baterias da BYD subiram 47% no ano passado.

A Ford não é a única montadora americana que recorre a parcerias para viabilizar a fabricação de elétricos e híbridos. A General Motors (GM) já firmou acordos com companhias da Coreia do Sul para fornecimento de equipamentos.

Também não seria a primeira vez que Ford e BYD unem forças. Em 2020, a Ford passou a usar baterias da BYD na China em carros fabricados por sua joint venture com a estatal Changan.

A nova parceria surge num momento em que as montadoras americanas sentem os efeitos da decisão do governo de Donald Trump de reverter políticas de subsídios para carros elétricos nos Estados Unidos.

Desde sua reeleição, Trump vem desmontando a política ambiental e de veículos elétricos de Joe Biden. Em setembro, a Casa Branca encerrou o subsídio de até US$ 7,5 mil para compra de elétricos e relaxou regras de emissões de poluentes e gases de efeito estufa.

Com o fim dos subsídios, a previsão é de queda nas vendas de elétricos nos EUA. Diferentemente dos mercados europeu e asiático, o americano sempre enfrentou preços mais altos, mesmo com crédito fiscal.

Para contornar essa situação, as montadoras estão apostando nos híbridos. Na Ford, as vendas desse tipo de veículo aumentaram 18% no quarto trimestre em relação ao ano anterior, totalizando cerca de 55 mil unidades.

No Salão do Automóvel de Detroit, realizado nesta semana, o CEO da Ford, Jim Farley, afirmou que a empresa tem obtido bons resultados com a variante híbrida da F-150 e pretende expandir para outros híbridos e veículos com autonomia estendida.