Um ano após inaugurar uma fábrica da Seara na cidade de Jeddah, na Arábia Saudita, a gigante de alimentos JBS anunciou a expansão da unidade, que vai dobrar a capacidade de produção local. A projeção é que a nova área fabril deverá estar em operação no segundo trimestre deste ano.

Os recursos para viabilizar a expansão da fábrica integram um pacote de US$ 85 milhões aportados pela companhia desde 2021, quando chegou ao país, a partir da inauguração de uma planta industrial na cidade portuária de Dammam.

“Decidimos dobrar a capacidade em função da excelente reação que a gente vem tendo no mercado local para a nossa marca. Para nós, é muito importante avançar na Arábia Saudita, país em que a gente atua diretamente há cinco anos”, diz João Campos, CEO da Seara, em entrevista ao NeoFeed.

Os recursos alocados pela companhia na Arábia Saudita nesse período incluem, além das duas fábricas no país, o capex necessário para a distribuição dos produtos, como aportes em caminhões. A Seara também tem centros de distribuição no país.

Na planta de Jeddah, a Seara fabrica os produtos agregados à base de frango, como empanados, marinados, filés e hambúrgueres. A nova área industrial vai garantir mais volume a partir dos itens já produzidos. A fábrica de Dammam trabalha com produção de hambúrguer bovino, linguiças e salsichas, entre outros.

Na quinta-feira, 22 de janeiro, a empresa realiza um evento que vai marcar a inauguração oficial da fábrica, com clientes locais da Seara, além de detalhar o plano de expansão para o mercado.

Como não há necessidade de mais obras civis na área, já que a construção inicial previa um novo espaço de produção, agora a fase é de implementação de maquinário.

O início da produção em Jeddah, o primeiro projeto greenfield no Oriente Médio, já fez com que a empresa quadruplicasse sua atuação junto ao consumidor árabe, em relação ao volume do parque industrial de Dammam.

Além dessa ampliação para os próximos meses, há um plano futuro de avaliar novos investimentos, justamente para suportar o crescimento de mercado.

A empresa também anunciou a parceria com o frigorífico local Arabian Company for Agricultural and Industrial Investment (Entaj), que fica na capital Riad para lançar uma linha de frangos inteiros e outros cortes de aves no país.

“Essa iniciativa vai representar um aumento do nosso portfólio na Arábia. Hoje a Seara não tem alguns cortes de frango in natura nem o frango inteiro, com a nossa marca, no mercado local”, afirma Campos.

“Além de contribuir com o crescimento da marca em segmentos que não estava presente, a gente vai apoiar um produtor local, que já faz este tipo de produto. Vamos passar a ter praticamente todo nosso portfólio no mercado árabe”, completa o CEO.

Os produtos que a JBS exporta do Brasil hoje são usados para processamento, já que podem ser congelados. No caso do frango inteiro, que precisa ser resfriado, tem de ser produzido localmente. Daí a necessidade da aliança com o frigorífico árabe, que vai destinar parte da produção para a Seara.

Segundo Campos, a demanda na Arábia Saudita tem crescido de forma expressiva para a companhia, o que, na avaliação do executivo, sinaliza um potencial importante de avanço de mercado.

“Temos um compromisso de longo prazo com o país. Somos um dos principais exportadores para o Oriente Médio e já temos uma parceria de longo prazo. Para nós, foi importante poder ampliar a presença da marca na região, com a instalação de fábricas”, afirma ele.

A nova fábrica da Seara já exporta para outros países da região, como Kuwait, Omã e Emirados Árabes Unidos. A ampliação também irá garantir mais mão-de-obra. Serão gerados 500 empregos diretos, levando a 950 funcionários o quadro total da JBS na Arábia Saudita.

Com o avanço na atuação na Arábia Saudita, a JBS ocupa o terceiro lugar no market share de frango congelado, com 93% de conhecimento de marca na categoria de congelados na região do Conselho de Cooperação do Golfo (organização que inclui Bahrein, Kuwait, Omã e Catar, além da própria Arábia).

O objetivo é, ao longo dos anos, posicionar o país como um centro de produção e exportação de alimentos da companhia, atendendo ao Oriente Médio, Sudeste Asiático e outros mercados globais.

Listada desde junho de 2025 na bolsa de Nova York e com emissões de brazilian depositary receipts (BDRs) na B3, a JBS registra alta de 10% em suas ações no período. A companhia tem valor de mercado de US$ 16,92 bilhões.