Em mais um movimento que reforça que suas operações inspiram cada vez mais cuidados, a Alliança Saúde anunciou na manhã de sexta-feira, 24 de abril, que Ricardo Sartim, CEO da empresa de medicina diagnóstica, está deixando a companhia, dona de marcas como CDB e Multilab.
Além de CEO, o executivo ocupava interinamente o posto de CFO desde novembro de 2025 e era um dos membros do conselho de administração da companhia. Segundo a empresa, ele alegou motivos de ordem pessoal para tomar a decisão.
No fato relevante, a Alliança Saúde informou que já iniciou o processo de sucessão para os cargos de CEO e CFO. E anunciou a aprovação da eleição de João de Saint Brisson Paes de Carvalho como novo membro do board até a próxima assembleia geral a ser realizada pelo grupo.
A saída de Sartim é mais um capítulo do momento conturbado vivido pela companhia. Ele foi nomeado para liderar a operação há exatamente um ano, em substituição à Isabella Tanure, filha de Nelson Tanure.
O empresário, por sua vez, assumiu o controle da Alliança Saúde em 2022, quando o grupo ainda se chamava Alliar, com uma forte agenda de crescimento inorgânico. Na época, ele ofereceu sua fatia como garantia para obter um empréstimo destinado à compra da Ligga Telecom, adquirida em 2020.
Em fevereiro deste ano, no entanto, credores tomaram as ações da Alliança diante da deterioração financeira da operação. Os papéis foram transferidos ao fundo Tessai, fundo ligado à Geribá, gestora especializada em special situations.
Na oportunidade, a saída de Tanure do controle da operação marcou mais uma etapa de uma espécie de “saldão” do empresário, que, assim como na Alliança, viu suas fatias detidas em outras empresas, como a Light e a Prio, serem transferidas para cumprir obrigações com credores.
Enquanto ainda estava sob o controle de Tanure, a Alliança Saúde chegou a contratar, em dezembro de 2025, o BTG Pactual para assessorá-la na busca por alternativas de reorganização dos negócios, o que incluía uma potencial venda da operação, o que não se concretizou.
No fim de março, após a saída do empresário e o ajuizamento de uma ação cautelar buscando a proteção contra credores, a empresa teve uma liminar deferida concedendo o prazo de 60 dias para suspender as execuções e retiradas de bens essenciais para a operação.
Com uma dívida líquida de R$ 499,7 milhões no fim do terceiro trimestre de 2025, a Alliança Saúde adiou, na mesma época, a divulgação do balanço do quarto trimestre e do ano consolidado alegando, entre outras questões, a necessidade de refletir os efeitos do início das conversas com credores.
Já em abril, em mais uma reviravolta, a Alliança informou que a Siemens Healthineers havia realizado uma transferência unilateral de aproximadamente R$ 11,8 milhões, que estavam depositados em uma conta vinculada a um contrato de financiamento entre as duas partes, em outubro de 2025.
“As medidas adotadas pela Siemens têm trazido impactos relevantes sobre a liquidez de curto prazo da companhia, afetando sua capacidade de adimplemento tempestivo de determinadas obrigações financeiras, incluindo compromissos com fornecedores e com o corpo clínico”, afirmou o grupo, na época.
No fato relevante em questão, a Alliança ressaltou que, mesmo após o deferimento da liminar pedindo proteção à sua liquidez, a Siemens permanecia com “novas investidas” e adotando medidas judiciais e extrajudiciais para a “satisfação isolada e exclusiva de seus créditos”.
Também em abril, em paralelo a esse imbróglio, a companhia anunciou o encerramento das negociações para a aquisição do Grupo Meddi, um movimento que era considerado extremamente estratégico para a expansão da operação, em particular, no Nordeste.
Em meio a essa saga, as ações da Alliança Saúde acumulam uma desvalorização de 53,2% em 12 meses, e de mais de 40% em 2026. Os papéis fecharam o pregão de ontem com uma queda de 1,96%, cotadas a R$ 3, dando à empresa um valor de mercado de R$ 456,9 milhões.