A Latache Capital conseguiu um assento no conselho de administração da Usiminas, em assembleia geral realizada no início da tarde de quinta-feira, 23 de abril.
O escolhido foi Marco Aurelio Luz Gonçalves, que havia sido indicado pela gestora de special situations, no começo da semana. Além de Luz, a Latache também havia indicado Stefan Lourenço de Lima.
Para conseguir emplacar um nome no board da Usiminas, a Latache chegou a solicitar o uso do voto múltiplo, que permite concentrar em um único candidato. Mas a eleição acabou sendo definida por meio de chapa e eleição em separado de minoritários, que puderam eleger um nome o conselho, sem a influência do bloco de controle.
Inicialmente, os controladores haviam sugerido uma chapa única formada por sete membros para o conselho de administração, mas o pedido de voto múltiplo abriu espaço para a entrada de outros acionistas na disputa
A gestora tem cerca de 5% das ações ordinárias da Usiminas, enquanto a Ternium é a controladora, com mais de 50% das ações votantes da companhia.
Em relação ao board anterior, apenas aumentou o número de vagas, de sete para nove membros, sem a saída de nenhum conselheiro. Entre os nove, oito foram eleitos pelos acionistas, enquanto os empregados tiveram direito a um representante.
Todos os sete conselheiros que faziam parte da chapa proposta pelo controlador foram eleitos, incluindo Elias de Matos Brito, que se manteve como chairman da companhia.
A entrada da Latache Capital na Usiminas ocorreu em setembro do ano passado por meio do fundo Vera Cruz, gerido inicialmente pela Reag. Em entrevista ao NeoFeed, Renato Azevedo, CEO da gestora, afirmou que preferiu assumir a gestão formal do fundo apenas no início deste mês para não causar “alarde”.
“Quando citam o nosso nome, as pessoas já acham que vai ter briga. E não era o objetivo. Por isso, a gente segurou um pouco para assumir a gestão desse fundo, para não criar esse tipo de alarde desnecessário”, disse ele.
Segundo Azevedo, ainda não era a hora de abrir a estratégia por trás da posição na empresa, mas que a tese não é fundamentalista. “Pode ter certeza de que, se entramos, é porque tem alguma coisa. Uma hora vai aparecer.”
O CEO da Latache também afirmou que a indicação para o conselho da Usiminas visava uma maior proximidade com as formalizações societárias da empresa.
Para o conselho fiscal, a Latache também conseguiu eleger dois membros que tiveram seu apoio — André Leal Faoro e João Arthur Bastos Gasparino da Silva, ambos escolhidos por meio de eleição em separado. Os outros três integrantes foram eleitos pela chapa apoiada pelo bloco de controle.
Com R$ 4 bilhões sob gestão, a gestora tem voltado cada vez mais suas operações para casos de litígio corporativo, tendo, entre eles, os casos envolvendo a OPA da Oncoclínicas e a fusão da BRF e Marfrig.
No mercado, a entrada da Latache na Usiminas tem sido vista com alguma cautela, dada as incertezas sobre as intenções da gestora na empresa. "Eles conseguiram uma vaga no conselho. Mas Usiminas não é distressed. Sei lá o que quem com isso", disse um gestor de ações.
Além da eleição do conselho, a assembleia também aprovou as demonstrações financeiras de 2025, a destinação do resultado e a remuneração dos administradores, além de uma série de alterações no estatuto social, incluindo mudanças nas regras de governança, na estrutura da administração e na possibilidade de aumento de capital.
Na B3, a ação USIM5 acumula alta de 18,8% em 12 meses. O valor de mercado da companhia é de R$ 9 bilhões.