Em meio às tratativas da sua reestruturação, a Oncoclínicas divulgou na manhã de quinta-feira, 16 de abril, que recebeu o pedido de renúncia de Bruno Ferrari, fundador e ex-CEO do grupo de tratamentos oncológicos, aos cargos de membro e vice-presidente do conselho de administração da empresa.

O anúncio acontece depois de pouco mais de uma semana da renúncia de Marcelo Gasparino da Silva, que presidia o board. E que implicou na destituição dos demais membros do conselho de administração. Os novos membros serão eleitos em Assembleia Geral Extraordinária convocada para 30 de abril.

No fato relevante, a Oncoclínicas informou que, até a AGE, as vagas de Ferrari e Silva serão ocupadas, respectivamente, por Mateus Affonso Bandeira, indicado pela Mak Capital, e por Carlos Gil Ferreira, que substituiu Ferrari no comando do grupo no início de março deste ano.

Bandeira, por sua vez, é membro dos conselhos da Vibra Energia, Sabesp e Intelbras. E já teve passagens pelos boards de companhias como a Marcopolo e a Oi. Ele também comandou a operadora de telecomunicações durante o ano de 2024.

Segundo a Oncoclínicas, a saída de Ferrari do seu conselho de administração vai ao encontro das condições apresentadas pela Mak Capital, que atualmente detém uma fatia de 6,3% da companhia, e a Lumina Capital, para conceder uma linha de crédito ao grupo e à sua subsidiária OncoProd.

A empresa também informou hoje que a operação em questão foi aprovada pelo seu conselho de administração e envolve uma linha entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, a depender do valor das garantias disponíveis.

De acordo com a Oncoclínicas, o montante será destinado à aquisição de medicamentos junto à OncoProd e tem como objetivo preservar a geração de receitas de ambas as empresas, bem como a continuidade de sua cadeia de fornecimento essencial

A operação envolverá a constituição de garantia fiduciária de recebíveis de contratos celebrados pela rede credenciada da Oncoclínicas com operadoras de planos de saúde, hospitais e seguradoras. E estará sujeita à celebração dos documentos definitivos e ao cumprimento de determinadas condições.

O caminho para esse sinal verde inclui, por exemplo, a definição do montante de recebíveis a serem cedidos fiduciariamente. E a obtenção das anuências necessárias de operadoras de planos de saúde, hospitais e seguradoras para a vinculação e direcionamento desses recebíveis.

Esses últimos anúncios vêm à tona dois dias depois de a Oncoclínicas ingressar com um pedido de tutela cautelar na terceira vara de São Paulo para evitar o vencimento antecipado de dívidas em negociação com credores.

Na semana passada, em um indicativo desse direcionamento, ao divulgar seu balanço anual, a companhia reportou uma alavancagem de 3,5 vezes, contra o índice anterior de 2,6 vezes e num patamar bem próximo ao limite dos seus covenants.

Em paralelo a todas essas movimentações, na última segunda-feira, 13 de abril, a Oncoclínicas viu a Porto e o Grupo Fleury colocarem um ponto final nas negociações para comprar uma fatia da sua operação.

Conforme apurou o NeoFeed na oportunidade, a exigência da Porto e do Fleury de que a companhia ingressasse diretamente em um processo de recuperação extrajudicial – o caminho, até aqui, mais provável para o grupo – foi um dos diversos pontos de divergência nessa conversa.

Com a desistência da dupla, a expectativa do mercado recaiu justamente sobre as únicas alternativas na mesa para a companhia, centralizadas exatamente na Mak Capital, gestora de hedge fund que desde o início deste ano assumiu a posição de investidor ativista para barrar o acordo em questão.

Com essa orientação, antes do encerramento das negociações com Porto e Fleury, a Mak Capital, entre outros termos, propôs justamente a destituição do conselho de administração da Oncoclínicas, com a eleição de dois membros indicados por ela.