A rede de pizzarias Domino’s quer ampliar sua “fatia” no mercado brasileiro. Hoje com 220 lojas (sendo 22 próprias), a empresa planeja inaugurar mais 150 unidades em três anos - e chegar a 370 -, com foco em cidades menores, de até 150 mil habitantes. Pelo menos 35 serão abertas ainda neste ano.
Controlada pela Vinci Compass, a companhia alcançou um faturamento de R$ 650 milhões em 2025. Com a nova estratégia, a meta é de ultrapassar R$ 750 milhões em receita no Brasil até o fim do ano, o que vai representar um aumento de 15%.
No plano de expansão também está a diminuição do tamanho das unidades físicas. Até 2023, a estratégia era abrir lojas maiores, mas que representavam um volume alto de investimento. Agora, o foco é garantir mais rentabilidade para os franqueados, partindo de unidades de até cinco metros quadrados (m²), no formato de quiosques.
“No passado, para abrir uma loja da Domino’s era necessário investir pelo menos R$ 1 milhão. Com a Selic neste patamar, não tenho coragem em vender uma franquia neste valor. Era necessário mudar este movimento e reduzir o custo, justamente para poder crescer. Agora, vendemos a R$ 300 mil em um modelo menor”, diz Orestes Miraglia, CEO da Domino’s no Brasil, em entrevista ao NeoFeed.
Das novas 150 lojas previstas, pelo menos 10% devem ser no formato mais reduzido. A maior parte, cerca de 60%, serão do modelo "brotinho", de 20 m² a 50 m², e que podem ser instaladas em postos de combustíveis, por exemplo. Os demais 30% serão de restaurantes maiores, acima de 150 m².
O capex previsto para instalação do novo pacote de lojas até 2029 será de cerca de R$ 70 milhões, levando em conta o custo médio de R$ 450 mil. O volume de investimento parte do franqueado, com apoio da companhia.
Além da diminuição do tamanho da loja, a master franqueadora da rede no Brasil também passou a nacionalizar parte dos custos, em vez de importar dos Estados Unidos equipamentos como os fornos. Isso diminuiu os gastos para a abertura da unidade.
“Passamos a comprar este forno no Brasil, que antes tinha que vir de um fornecedor americano. Isso diminuiu o custo quatro vezes. Caiu pelo menos R$ 200 mil o custo para ter o equipamento, que é fundamental para a Domino’s, e sem perder a qualidade”, afirma Miraglia.
No caso do quiosque, se fosse para trazer o forno do exterior, o investimento seria de R$ 400 mil, mais do que o valor inteiro para instalação da miniloja. Com a opção no mercado nacional, o franqueado gasta R$ 50 mil para instalar dois pequenos fornos.
O primeiro quiosque da Domino's foi inaugurado no ano passado, na rodoviária Novo Rio. Até o fim deste ano, mais três quiosques serão abertos: na Rodoviária Tietê, em São Paulo; na rodoviária de Campinas; e no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.
Segundo o CEO, que já foi franqueado da Domino’s em Minas Gerais, a iniciativa do formato compacto, criada por ele, justamente a partir da demanda por um modelo mais barato e escalável, deverá ser replicada em demais países da rede de pizzarias.
“Tive que provar para os americanos que este modelo daria certo e que dava para fazer pizza para ser servida na hora, em um espaço de cinco m². E foi possível mostrar. Este quiosque no Rio de Janeiro dá 25% de lucro”, diz o CEO.
Miraglia diz que a rede só não irá abrir uma quantidade maior de quiosques porque, apesar de ser mais em conta, é preciso que o local seja muito estratégico, de grande circulação de pessoas, a exemplo de aeroportos e rodoviárias.
No plano de expansão geográfica, o plano estratégico está em chegar a municípios mais distantes das capitais e que ainda não tenham nenhuma loja da Domino’s. Pelo menos um terço das novas lojas, do plano de abertura de 150 unidades, devem ser nas cidades menores.
“Queremos ir para o interior do Brasil. Estamos assinando aberturas de lojas nestes municípios, com capex de no máximo R$ 400 mil. Em Divinópolis (MG), por exemplo, estamos chegando com um restaurante de 50 m²”, conta.
Nos formatos menores, o payback do investimento, segundo Miraglia, é entre 12 e 36 meses. “Prefiro que o franqueado invista menos e ganhe mais. Eu analiso os pontos e ajudo o empreendedor a entender a melhor oportunidade para ele”, explica.
Na avaliação dele, as capitais hoje já têm um volume significativo de lojas da Domino’s e não seria saudável abrir lojas em regiões já exploradas pela rede. Das atuais 220 lojas no Brasil, quase metade está somente nas cidades de São Paulo (37) e Rio de Janeiro (60). Há lojas em todas as capitais.
800 pizzas por hora
“Não faz sentido dividir o 'filé mignon' e pressionar aquele lojista que já fatura nestes locais. Agora, se nós abrimos uma cidade, o impacto será grande. Em João Pessoa, por exemplo, já tem duas. Não cabe uma terceira. Aí eu vou para o interior da Paraíba”, explica.
Lagarto, no Sergipe, e Lajeado e Pouso Alegre, no Rio Grande do Sul, são outros exemplos de cidades que vão receber restaurante da Domino’s. “No interior de São Paulo, já estamos fortes. Não tem necessidade de abrir mais. Queremos sair deste eixo.”
Com essa expansão, a empresa vai ultrapassar rapidamente o atual volume de sete milhões de pizzas produzidas por ano nas lojas do Brasil. Isso significa que, por dia, a Domino’s vende 20 mil unidades, ou 800 pizzas por hora.
Para alcançar este volume de pizzas vendidas, o raio de entrega de cada loja não pode ultrapassar a distância de uma milha (1,6 quilômetros). E o prazo máximo para que o produto chegue na casa do cliente também não pode ser superior a 25 minutos.
O segredo, segundo Miraglia, para cumprir o prazo é contar com rede própria de entregadores, ainda que as lojas estejam cadastradas também nas plataformas de delivery, como iFood.
Com um sistema digital de inteligência artificial, a master franqueadora consegue mostrar para o dono da loja que seria necessário um custo maior para entregar além do horizonte de uma milha.
"Provamos para o franqueado que, se ele ampliar demais, não vai conseguir atender bem. Hoje, 70% dos pedidos estão dentro do raio de 500 metros da loja”, afirma o CEO.
Segundo Miraglia, a Domino’s no Brasil vem crescendo, levando em conta as mesmas lojas, em 11 trimestres consecutivos. O patamar nacional é superior ao cenário global, que é de 10 trimestres seguidos. Da receita da rede no Brasil, pelo menos 30% vem da distribuidora, que vende os produtos para os lojistas.
Globalmente, a Domino’s está presente em 95 países, com cerca de 18 mil lojas, e é considerada a maior rede de pizzas no mundo. Sua concorrente no setor, a também americana Pizza Hut, tem 16 mil restaurantes.
A matriz da rede, que fica nos Estados Unidos, está listada na Nasdaq. O valor de mercado da Domino’s é de US$ 12,4 bilhões.