Livre do tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a fabricante de aeronaves Embraer registrou volume recorde na carteira de pedidos do segundo trimestre, com US$ 34,5 bilhões, alta de 16% sobre a mesma base do ano anterior.
O destaque ficou no segmento de defesa, com o crescimento mais expressivo. No período, a unidade alcançou backlog de US$ 6,1 bilhões, contra US$ 4,4 bilhões registrados no primeiro trimestre.
O mercado reagiu com otimismo ao volume de pedidos da companhia entre abril e junho deste ano. Por volta de 12h30, as ações da Embraer na B3 registravam valorização de 3,5%.
Para os analistas de Citi, XP e BTG Pactual, o ponto alto do trimestre foi a confirmação do pedido de 10 aeronaves KC-390 para os Emirados Árabes Unidos, com um preço médio de US$ 170 milhões por avião. Os três bancos reiteram a recomendação de compra para o papel EMBJ3.
Na visão dos bancos, este patamar de vendas confirmadas vai contribuir para o avanço da rentabilidade da companhia, já que a perspectiva é que o forte ritmo de confirmações de pedidos seja mantido no terceiro trimestre.
“No geral, a divulgação deste backlog foi importante por demonstrar o forte nível de precificação embutido no grande contrato dos Emirados Árabes Unidos para o KC-390, o que consideramos um importante vetor positivo para a história de crescimento da divisão de Defesa no médio prazo”, diz o relatório do BTG, assinado por Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmin.
Segundo o Citi, o preço unitário de venda dos aviões para o país do Oriente Médio mostra que a companhia brasileira ainda tem um corredor grande de crescimento no segmento de transporte aéreo militar.
“Esse valor representa um marco comercial recorde para a plataforma. Em nossa opinião, o pedido reforça a crescente aceitação internacional do KC-390 e destaca o crescente poder de precificação da Embraer, à medida que a aeronave continua a ganhar relevância no mercado global de transporte aéreo tático”, afirmam André Mazini, Kiepher Kennedy e Piero Trotta, do Citi.
O banco também enxerga um segundo semestre, principalmente após o anúncio, na semana passada, de uma nova encomenda para 28 aeronaves comerciais, que só entrará no balanço do terceiro trimestre.
“Estimamos que o contrato poderá adicionar cerca de US$ 1,2 bilhão à carteira de encomendas da Aviação Comercial, representando um aumento de aproximadamente 8% em relação aos US$ 15,1 bilhões reportados no final do 2º trimestre de 2026”, afirma o Citi.
Na visão da XP, o backlog da companhia deve proporcionar um grande impacto na receita para os próximos quatro anos. Para o banco, os números são ainda mais expressivos, levando em conta o cenário de incerteza geopolítica, principalmente a partir da guerra entre Estados Unidos e Irã, e a volatilidade dos preços dos combustíveis, especialmente o querosene de aviação.
Considerando esse aumento e nossa estimativa de US$ 236 milhões para as receitas de defesa no 2T26, o contrato implica um valor de US$180–190 milhões por aeronave, reforçando a crescente tração internacional e o posicionamento competitivo do KC-390, além de sugerir um nível sólido de rentabilidade para esses pedidos”, dizem Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, da XP.
Na divisão de aviação comercial, o backlog ficou praticamente estável no período, com US$ 15,1 bilhões, contra US$ 15 bilhões no primeiro trimestre do ano. O principal fator foi o pedido de 15 aeronaves E2 feito pela empresa americana Azorra.
Na aviação executiva, os novos pedidos somaram US$ 7,8 bilhões, US$ 200 milhões acima do backlog registrado entre janeiro e março de 2026. O setor de serviços e suporte cresceu 8%, com US$ 5,5 bilhões.
Mas não foi apenas nos pedidos recebidos que a Embraer surpreendeu positivamente o mercado financeiro. O volume de entregas de aviões no período também foi um ponto acima da curva no trimestre.
“Destacamos também o progresso contínuo na equalização da produção, com as entregas do primeiro semestre de 2026 já atingindo 42% do ponto médio da projeção para o ano todo, em comparação com a média histórica da Embraer de 34%, reduzindo o perfil tradicionalmente concentrado no final do ano”, afirma o Citi.
No segundo trimestre do ano, a Embraer entregou 65 aeronaves, em um volume dividido por 20 aviões comerciais e 45 jatos executivos.
“O backlog do segundo trimestre ainda não incorpora a forte onda de mais de 50 encomendas de aeronaves anunciadas durante o Farnborough Airshow [evento realizado no aeroporto inglês] na semana passada, o que abre espaço para um backlog ainda mais robusto no terceiro trimestre, especialmente impulsionado pela Aviação Comercial”, afirma o BTG.
No acumulado de 2026, as ações EMBJ3 registram queda de 4%. Em 12 meses, no entanto, o cenário é de valorização de 28,2%. A Embraer tem valor de mercado de R$ 63,1 bilhões.