A Viveo passou os últimos seis trimestres tentando consertar o que havia saído do lugar. Cortou custos, renegociou contratos, reviu preços, reduziu a velocidade de crescimento em alguns negócios, atacou capital de giro e renegociou sua dívida. O segundo trimestre de 2026 é, praticamente, o fim dessa etapa.
“O segundo trimestre é quase o fim do ciclo dos grandes ajustes”, diz Frederico Oldani, CFO da Viveo, ao NeoFeed. “Tínhamos seis trimestres para trazer a alavancagem da companhia de volta para baixo. Esses seis trimestres eram os quatro de 2025 e o primeiro e o segundo de 2026”, complementa.
A Viveo encerrou o segundo trimestre com receita líquida de R$ 2,9 bilhões, crescimento de 3,4% sobre o mesmo período do ano anterior, enquanto o Ebitda ajustado avançou 21,8%, para R$ 216,7 milhões - o melhor resultado desde o terceiro trimestre de 2023.
A margem Ebitda ajustada passou de 6,3% para 7,4%. E a margem bruta ficou em 16,6%, expansão de 1,6 ponto percentual em 12 meses e o maior patamar desde o segundo trimestre de 2023.
Nesses últimos trimestres, o objetivo da Viveo não era fazer a receita disparar, mas ajustar o período agressivo de M&As - foram mais de 25 aquisições desde 2018 - e voltar a crescer de maneira mais rentável. “Era foco em eficiência, rentabilidade, melhoria de produto e melhor eficiência”, afirma Oldani.
No segundo trimestre deste ano, o fluxo de caixa livre somou R$ 124,8 milhões e R$ 170,3 milhões no primeiro semestre, 36,6% acima do mesmo período de 2025. O ciclo de caixa terminou junho em 53 dias, quatro dias abaixo do registrado um ano antes.
Desalavancagem e aumento de capital
A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado ao fim de junho chegou em 3,73 vezes. Foi a quinta redução consecutiva da alavancagem e uma queda de 0,6 vez em relação ao segundo trimestre de 2025.
O avanço veio acompanhado de uma reorganização importante do passivo. No trimestre, a Viveo concluiu a renegociação de suas principais dívidas, estendendo o cronograma de amortização e revendo os covenants.
Ao final do período, 93% da dívida estava no longo prazo e o prazo médio chegava a 7,3 anos. Oldani diz que a companhia tinha aproximadamente R$ 2 bilhões em rolagens a enfrentar nos dois anos seguintes e conseguiu empurrar os principais vencimentos para 2029 em diante.
“Passamos a ter dois anos e meio de folga, sem nenhuma amortização relevante de principal. Isso é praticamente o fim do grande ciclo de ajuste”, diz o CFO.
Em paralelo a esse movimento de renegociação de dívida, a DNA Capital propôs um aumento de capital que pode chegar a R$ 869,8 milhões, por meio da emissão de até 966,4 milhões de ações a R$ 0,90 cada.
Veículos administrados pela gestora, que tem a família Bueno entre seus cotistas, assumiram o compromisso de garantir uma subscrição mínima de R$ 427 milhões - a conclusão é esperada para os próximos dias.
O montante final dependerá da adesão dos demais acionistas. E o impacto pode ser relevante na estrutura da companhia.
Se o aumento atingir o valor máximo, a Viveo estima que será possível reduzir a dívida bruta em mais de 25% e derrubar a alavancagem em mais de uma vez Ebitda. E, com isso, entregar um alívio da despesa financeira.
A Viveo continua apresentando prejuízo líquido, que foi de R$ 21,3 milhões no trimestre, 52% inferior aos R$ 44,3 milhões do segundo trimestre de 2025. O resultado financeiro líquido, porém, permaneceu negativo, em R$ 182,3 milhões.
Mas, para Oldani, a combinação de desalavancagem, aumento de capital e queda da Selic pode significar uma nova história a ser contada nos próximos trimestres.
Nas contas do CFO, cada ponto percentual de redução da taxa básica representa aproximadamente R$ 30 milhões de redução anualizada da despesa financeira da companhia.
E, caso o aumento de capital alcance o teto previsto, a economia de juros poderia chegar, em ordem de grandeza, a outros R$ 150 milhões por ano.
“A tendência é a gente ir reduzindo esse prejuízo ao longo do tempo e passar a ter resultado. A velocidade disso depende desses fatores que vamos ter que observar”, diz o CFO.
“A Viveo teve uma grande agenda de crescimento. Depois entrou numa fase de turnaround. Agora a gente entra numa fase de melhoria contínua”, complementa.
Na B3, a ação VVEO3 está em queda de 64,2% neste ano. O valor de mercado da companhia é de R$ 816,6 milhões.