A forte nevasca que atingiu pelo menos 20 estados dos Estados Unidos nos últimos dias, incluindo a capital Washington e a cidade de Nova York, “congelou” a receita das companhias aéreas, afetadas diretamente pela interrupção dos principais aeroportos do país.

A American Airlines estima que a tempestade de inverno nos últimos dias deva causar um prejuízo de até US$ 200 milhões, que serão reportados no balanço do primeiro trimestre de 2026. O volume, no entanto, pode até ser maior, a depender da força do impacto das condições climáticas no setor.

“A tempestade resultou em mais de nove mil cancelamentos de voos até o momento, tornando-se a maior interrupção operacional relacionada ao clima na história da American Airlines”, disse a companhia aérea, em um comunicado. Isso vai significar, segundo a empresa, um aumento de 1,5 ponto percentual no custo por milha de assento disponível.

A tempestade, que teve a maior força durante o último fim de semana nos Estados Unidos, deverá resultar, segundo especialistas do setor, em prejuízos segurados que devem ser de pelo menos US$ 1 bilhão.

Na segunda-feira, 26 de janeiro, a empresa informou que cinco dos nove centros de operações foram extremamente afetados pela tempestade Fern. O maior prejuízo ficou justamente no principal centro, localizado no Aeroporto Internacional de Dallas.

“Também está afetando cidades que normalmente não possuem a infraestrutura necessária para lidar com essas condições, o que, por sua vez, gerou problemas de pessoal, já que membros da equipe, fornecedores e parceiros federais estão com dificuldades para se locomover pelas estradas”, explicou a companhia aérea.

Segundo o CEO da American Airlines, Robert Isom, a companhia aérea deve “voltar aos trilhos” nos próximos dois ou três dias, apesar do enorme impacto financeiro, informou a Reuters.

Nesta terça-feira, 27 de janeiro, as ações da companhia aérea na Nasdaq operam em queda de 2,9%, por volta de 11h20 (horário local). No acumulado dos últimos cinco dias, as perdas chegam a 6%.

A nevasca, no entanto, não foi o único impacto negativo causado recentemente por interrupções das operações dos aviões nos principais aeroportos americanos.

Segundo a companhia, o shutdown do governo dos Estados Unidos, em novembro de 2025, provocado pela demora na aprovação do orçamento federal pelo Congresso, afetou o setor por causa da paralisação de funcionários públicos que atuam no controle de tráfego aéreo. O impacto negativo por causa disso chegou a US$ 325 milhões.

A perspectiva de impacto da tempestade de inverno para a receita do próximo trimestre integra o balanço de 2025 divulgado pela companhia. Em 12 meses, a American Airlines alcançou faturamento de US$ 54,6 bilhões, alta de 0,8% sobre os US$ 54,2 bilhões de 2024.

A receita operacional total da companhia aérea no quarto trimestre aumentou 2,5%, para cerca de US$ 14 bilhões, ligeiramente abaixo dos US$ 14,03 bilhões esperados pelos analistas.

A maior parte do impacto da paralisação em 2025 foi sentido na operação doméstica, onde a receita por passageiro caiu 2,5% em relação ao ano anterior.

“Excluindo o impacto negativo da paralisação do governo, a receita por passageiro doméstico teria sido positiva no trimestre. Os produtos premium continuaram apresentando desempenho excepcional, com a receita por passageiro desse segmento superando a da classe econômica no quarto trimestre”, informou a American Airlines.

A empresa reduziu sua dívida em US$ 2,1 bilhões em 2025, fechando o ano com US$ 36,5 bilhões em dívida total e US$ 30,7 bilhões em dívida líquida. A expectativa é atingir a meta de US$ 35 bilhões de dívida total em 2026, um ano antes do previsto.

De qualquer forma, ainda que esteja calculando o prejuízo do próximo trimestre, a empresa informou que a receita das primeiras semanas de 2026 apresenta crescimento de dois dígitos sobre o mesmo período do ano anterior, impulsionada pelo forte desempenho de cabines premium e dos canais corporativos.

No acumulado de 12 meses, os papéis da companhia aérea registram desvalorização de 17,8%. A American Airlines está avaliada em US$ 9,3 bilhões.