A guerra entre Estados Unidos e Irã, e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz, está mexendo com os custos no setor de aviação. As quatro principais companhias aéreas americanas — American Airlines, United, Delta e Southwest — devem amargar um custo extra de US$ 11 bilhões em 2026, em razão do impacto no preço do combustível de aviação.

O valor nos Estados Unidos subiu quase 60% desde o fechamento do estreito, no fim de fevereiro, atingindo US$ 3,95 por galão no final da semana passada, segundo índice Argus US Jet Fuel, que mede os preços à vista diários nos principais centros de aviação americanos.

O preço caiu para US$ 3,40 por galão na terça-feira, 10 de março, mas o governo dos Estados Unidos elevou sua previsão oficial para o preço médio do combustível de aviação neste ano para US$ 2,67 por galão, um aumento de 37% em comparação com as projeções do mês passado.

O combustível está entre os custos mais elevados para as companhias aéreas, representando cerca de 25% das despesas em períodos normais.

Em razão do conflito no Oriente Médio, as empresas vão enfrentar custos adicionais de combustível de US$ 280 milhões, somados, para cada semana em que os preços globais permanecerem nos níveis atuais.

“Existe uma enorme incerteza sobre onde e quando os preços dos combustíveis atingirão o pico e por quanto tempo permanecerão elevados”, disse Andrew Lobbenberg, analista de companhias aéreas do banco britânico Barclays, ao Financial Times.

Na semana passada, o CEO da United Airlines, Scott Kirby, alertou que os aumentos também teriam um efeito “significativo” nos resultados do primeiro trimestre da companhia aérea e que o impacto nos preços das passagens “provavelmente começaria rapidamente”.

A American Airlines informou, recentemente, que “um aumento de um centavo por galão no preço do combustível de aviação aumentaria nossas despesas anuais com combustível em 2026 em aproximadamente US$ 50 milhões”, o que equivale a mais de US$ 1 bilhão em custos extras de combustível por trimestre, levando em conta o nível atual.

A empresa estava mais exposta do que seus principais concorrentes devido à sua situação financeira mais frágil, segundo avaliação de Sheila Kahyaoglu, analista do banco de investimentos americano Jefferies.

As companhias aéreas americanas de baixo custo, como a Frontier e a Spirit, tinham clientes mais sensíveis a preços e provavelmente eram mais vulneráveis ​​a aumentos de preços do que as principais empresas do setor, com uma proporção maior de passageiros de classe premium e internacionais, na visão de analistas.

“As companhias aéreas norte-americanas, em sua maioria, não possuem proteção cambial, o que as torna mais vulneráveis ​​a um aumento repentino do preço do combustível no curto prazo”, afirmou Raman Singla, diretor da Fitch Ratings.

A agência internacional de risco afirmou que, na Europa, a airBaltic era a companhia aérea mais exposta da região, com apenas 6% do combustível protegido por hedge nos próximos três meses, enquanto a Turkish Airlines tinha apenas 36% protegido para este ano.

A Wizz Air, a Ryanair e a Lufthansa protegeram mais de 80% das suas compras para o próximo trimestre, enquanto a British Airways e a Air France também estão fortemente protegidas.

Embora as companhias aéreas europeias normalmente façam hedge do combustível de aviação, a American Airlines, a Delta e a United abandonaram essa prática há uma década, argumentando que os custos a longo prazo superavam qualquer benefício a curto prazo em caso de aumento repentino dos preços.

As quatro companhias aéreas americanas não quiseram falar sobre suas exposições aos altos preços do combustível de aviação.

Uma fonte ligada ao setor de aviação dos Estados Unidos, no entanto, disse que “embora as pessoas se lembrem da economia que as companhias aéreas fazem com operações de hedge quando o preço sobe, elas tendem a não notar as quedas, durante as quais as empresas perdem muito dinheiro”.

Dan Akins, especialista em aviação da Flightpath Economics, afirma que, se houve algum indicativo deste cenário geopolítico, provavelmente teriam feito hedge neste ano. “Mas se tivessem adotado esta prática nos últimos 10 ou 15 anos para economizar dinheiro hoje, não teria valido a pena.”

Este não é o primeiro grande impacto que as principais empresas de aviação sentiram em seus custos em 2026. Em janeiro, a forte nevasca que atingiu pelo menos 20 estados americanos afetou as receitas das empresas, por causa da interrupção dos principais aeroportos do país.

Somente a American Airlines estimou que a tempestade de inverno deva causar um prejuízo de até US$ 200 milhões, que serão reportados no balanço do primeiro trimestre.