Cinco meses após ter anunciado uma carta de intenções de US$ 100 bilhões na OpenAI, a Nvidia agora está perto de concretizar um acordo com a startup de Sam Altman, mas por um valor bem menor. A perspectiva é pela conclusão de um investimento de US$ 30 bilhões nos próximos dias.
O cheque da empresa mais valiosa do mundo faz parte de uma rodada de financiamento maior, que está a caminho de arrecadar mais de US$ 100 bilhões e avaliará a dona do ChatGPT em US$ 830 bilhões - incluindo o novo aporte -, o que representaria uma das maiores captações de capital privado da história.
Em outubro do ano passado, a companhia estava avaliada em US$ 500 bilhões. E a expectativa é que a OpenAI ultrapasse US$ 1 trilhão no IPO que está projetada para ocorrer até 2027.
A tendência é que a OpenAI reinvista grande parte de seu novo capital em hardware da própria Nvidia. O recuo do acordo anunciado anteriormente ocorre em meio à apreensão dos investidores sobre a saúde do setor de inteligência artificial (IA), que contribuiu para a queda de 17% das ações das empresas de tecnologia dos Estados Unidos desde o início de 2026.
O acordo do ano passado colocou as duas empresas no centro do boom da IA, e ainda ajudou a impulsionar a Nvidia para mais de US$ 5 trilhões em valor de mercado algumas semanas depois.
Isso acelerou um período frenético de negociações para a startup de IA de Sam Altman, que firmou acordos com fabricantes de chips rivais, como a AMD e a Broadcom, e com provedores de nuvem, incluindo a Oracle.
Embora tenha sido bem recebida pelos analistas de mercado na ocasião, a onda de acordos que unia fornecedores, clientes e investidores no setor de IA gerou preocupação entre alguns especialistas quanto à possível formação de uma bolha crescente nesse setor.
Nos termos do acordo de US$ 100 bilhões, a Nvidia teria investido dez parcelas de US$ 10 bilhões à medida que a demanda da OpenAI por poder computacional crescesse ao longo dos anos, em troca de uma participação significativa na startup de IA.
A OpenAI, por sua vez, planejava comprar milhões de processadores de IA da Nvidia como parte de seus planos de implantar até 10 gigawatts (GWs) de nova capacidade de computação.
Em janeiro, o The Wall Street Journal noticiou que o acordo estava “congelado”. agora, de fato, ele foi substituído por uma negociação mais direta, na qual a Nvidia fará o aporte em troca de ações da OpenAI.
Esse financiamento apoiará a implantação de gigawatts de nova capacidade computacional e provavelmente será seguido por outros acordos ao longo do tempo, de acordo com pessoas próximas às empresas.
Além do acordo com a Nvidia, a startup sediada em São Francisco também está na fase final de negociações com o SoftBank, que investirá US$ 30 bilhões, e com a Amazon, que poderá investir até US$ 50 bilhões como parte de uma parceria mais ampla que envolve o uso de modelos da OpenAI.
A MGX, fundo de investimento em tecnologia apoiado pelo Estado de Abu Dhabi, e a Microsoft também devem investir bilhões de dólares, enquanto executivos da OpenAI seguem se reunindo com outros investidores esta semana para angariar mais recursos.
Nestas conversas, a OpenAI tem informado aos investidores que pretende investir cerca de US$ 600 bilhões em recursos computacionais, incluindo da Nvidia, Amazon e Microsoft, entre 2026 e 2030, de acordo com fonte que tem acesso à empresa.
A dona do ChatGPT argumenta que o acesso a recursos computacionais será a melhor defesa contra os concorrentes. Para isso, tem se esforçado para garantir o máximo de infraestrutura e fornecimento de energia elétrica possível para atender ao que os executivos preveem ser uma demanda ilimitada por ferramentas de IA.
A receita da OpenAI ultrapassou US$ 20 bilhões no início deste ano, em uma base anualizada, métrica preferida por startups que projeta a receita recente para o ano seguinte. Seu crescimento no faturamento acompanhou de perto o aumento do acesso da empresa ao poder computacional, com cada um deles triplicando aproximadamente a cada ano.
Hoje, o valor de mercado da Nvidia é de US$ 4,6 trilhões. No acumulado de 12 meses, as ações da companhia liderada por Jensen Huang na Nasdaq registram valorização de 34,1%.