O Burger King quer “reengrenar a máquina” com novas lojas de rua em 2022

A companhia vai reforçar no ano que vem a estratégia de expansão por meio das lojas de rua, com drive-thru, e mira se aproximar do ritmo de 2019, quando foram abertas 33 unidades do tipo

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O Burger King, que no Brasil tem mais da metade das suas unidades instaladas em shoppings, foi uma das empresas que precisaram “se virar nos 30” quando a pandemia chegou e fechou as portas dos locais que geram aglomeração.

Além de apostar no delivery, a saída mais óbvia para quem trabalha com comida, a companhia reforçou a sua atuação em lojas de rua e com drive-thru, que reduz os riscos de contato social.

Nos 12 meses encerrados em setembro, a rede de restaurantes do Burger King passou a contar com 22 novas unidades de rua com drive-thru, passando a um total de 174. Já os pontos localizados em shoppings tiveram seis fechamentos, mas ainda sendo a maioria, com 470. As lojas de rua sem drive-thru caíram de 31 para 30 em 12 meses. Com as franqueadas, que somam 204, o total chega a 878.

Ainda que a pandemia esteja arrefecendo e a reabertura da economia esteja em curso, o Burger King pretende seguir com a estratégia em 2022, ampliando o ritmo de abertura de novas lojas de rua com drive-thru, para chegar perto do que foi o ano de 2019, o último antes da crise de saúde.

“Estamos planejando voltar a níveis históricos de crescimento das lojas, como em 2018 e 2019, com uma visão clara de que as aberturas serão 100% baseadas, ou na sua maioria, em lojas free standing (de rua e com drive-thru)”, afirmou Iuri Miranda, CEO do Burger King Brasil, em teleconferência com analistas, na manhã desta sexta-feira, dia 5 de novembro.

Nas palavras dele, a empresa vai “voltar a reengrenar a máquina” e já trabalha na assinatura de contratos para novas unidades no ano que vem. “Devemos ter uma abertura de lojas free standing próxima do número de 2019”, disse. Em 2019, o Burger King abriu 33 lojas de rua com drive-thru.

Para as unidades do Popeyes, fast food de frangos fritos que também faz parte do grupo no Brasil, o Burger King também planeja expansão em 2022, mas mantendo o foco em shoppings, a partir de oportunidades geradas pela crise.

A marca tem 49 unidades e, neste ano, passou a atuar no no estado do Rio Janeiro. Até então, estava apenas no estado de São Paulo.

“Até o fim deste ano, devemos ter mais aberturas do Popeyes, para consolidar o estágio 1 de aberturas no Rio de Janeiro e, no ano que vem, abrir mais 20 ou 30 unidades, procurando expandir para novos mercados (estados)”, afirmou Miranda.

“Queremos aproveitar oportunidades de algumas vacâncias que começamos a enxergar em shoppings, para poder entrar nesses novos mercados”, disse.

Com a reabertura da economia nos últimos meses, o Burger King registrou receita operacional líquida de R$ 710 milhões no período entre julho e setembro, alta de 35,9% em relação a igual intervalo do ano passado, segundo balanço publicado na quinta-feira, dia 4. “Foi um trimestre de turning point”, disse Miranda.

Com isso, a companhia conseguiu reduzir as perdas do negócio. No terceiro trimestre, teve prejuízo líquido de R$ 37,9 milhões, 64,2% menor que o resultado negativo registrado em igual período de 2020, de R$ 105,9 milhões.

Na teleconferência com analistas, Miranda também comentou a decisão da empresa de cancelar a compra da operação da Domino’s no Brasil, anunciada na segunda-feira, dia 1º. Segundo executivo, o negócio foi desfeito porque as duas empresas viram que “as condições do mercado brasileiro mudaram drasticamente”.

A aquisição seria feita por meio da cessão de ações do Burger King à Vinci Partners, dona da Domino’s no Brasil. A Vinci, que já tinha 6,4% do Burger King no Brasil, passaria a ter 16,4%. No entanto, desde o anúncio da transação, em julho, até a notícia do cancelamento do contrato, as ações da companhia de fast food caíram 38%.

A compra, porém, não foi totalmente descartada. O contrato de rescisão estabelece o direito de preferência, pelos próximos 12 meses, para o Burger King do Brasil adquirir 100% da operação local da Domino’s, em caso de alguma oferta feita por uma terceira parte, pelo mesmo preço oferecido.

De acordo com Miranda, o Burger King ainda vê o mercado de pizza como “interessante” e a Domino’s como uma marca forte, com potencial de sinergias com a operação do Burger King e uma oportunidade de diversificação. “A decisão se deu, exclusivamente, por uma questão de timing”, disse.

Nesta sexta-feira, por volta das 13h10, a ação do Burger King no Brasil operava em alta de 9,56%, a R$ 8,25. A companhia é avaliada em R$ 2,26 bilhões.

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