Negócio de Burger King com Domino’s termina em pizza, mas agrada mercado

A Burger King Brasil desistiu de comprar a Domino’s em meio a uma queda de 38% de seus papéis na B3. Má noticia? Goldman Sachs e Credit Suisse acreditam que não. E ações sobem mais de 7%

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O Burger King Brasil, que desistiu de comprar a operação brasileira da rede de pizzarias Domino’s após assistir a uma queda de 38% no valor das suas ações, já começa a colher os frutos, na percepção dos investidores, da decisão de voltar atrás no acordo.

A desistência da companhia foi anunciada no domingo, dia 31 de outubro. No pregão desta segunda-feira, 1º de novembro, a ação da companhia era negociada em alta de 7,71%, a R$ 7,40, em reação à notícia, por volta das 12h30.

Em relatório divulgado antes mesmo da abertura da sessão, analistas do Goldman Sachs afirmaram que o mercado reagiria positivamente ao anúncio, pois o recuo da companhia “reduz a complexidade dos negócios em um momento em que as condições operacionais de curto prazo permanecem voláteis”, embora reconheça que há méritos na associação.

O Credit Suisse, que também distribuiu um relatório sobre o tema, ressaltou que, com o ambiente macroeconômico mais desafiador pela frente no Brasil, a desistência vai permitir a gestão a manter o foco na execução das principais operações do grupo, que são as lojas do Burger King e a rede de lanchonetes Popeyes.

No segundo trimestre, o Burger King Brasil registrou prejuízo de R$ 97,1 milhões, um resultado 48% abaixo das perdas de R$ 186,8 milhões registradas em igual período do ano passado, marcado pelo início da pandemia e do isolamento social.

Em julho, quando anunciou que compraria a operação brasileira da Domino’s, pertencente à Vinci Partners, o Burger King informou que o negócio seria pago por meio da cessão de ações. A Vinci Partners, que já tinha 6,4% de participação no Burger King Brasil, passaria a ter 16,4% e se tornaria a maior acionista da empresa.

À época, o acordo tomou como referência um valor de R$ 11,12 para as ações do Burger King, que valia R$ 3 bilhões. Na sexta-feira, dia 29, porém, a empresa era avaliada em R$ 1,9 bilhão e o papel acumulava desvalorização de 38% desde o anúncio da aquisição, mais que o dobro do Ibovespa, que caiu 17% no período.

“Acreditamos que parte da desvalorização foi alimentada pelo acordo de associação com a Domino’s, uma vez que aumentou as preocupações do mercado em torno de seus riscos de avaliação e execução”, escrevem os analistas do Goldman Sachs, Thiago Bortoluci e Galdino Falcão.

A compra, porém, não foi totalmente descartada. O contrato de rescisão estabelece o direito de preferência, pelos próximos 12 meses, para o Burger King adquirir 100% da Domino’s, em caso de alguma oferta feita por uma terceira parte para ter controle da operação, pelo mesmo preço oferecido.

O acordo também concede exclusividade à Domino’s nos próximos 12 meses em relação a qualquer transação em que o Burger King Brasil se torne master franqueadora, franqueadora ou franqueada no Brasil de alguma rede local ou internacional de pizzarias.

Tanto o Goldman Sachs quanto o Credit Suisse veem potencial de valorização nas ações do Burger King. Enquanto o banco americano calcula preço-alvo de R$ 12 para 12 meses, a instituição suíça estima R$ 13 para o mesmo período. Nesta segunda, a companhia é avaliada em R$ 2,04 bilhões.

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