Mesmo em um ambiente macroeconômico mais instável, o Itaú Unibanco manteve a escrita de não decepcionar o mercado ao divulgar os números do seu balanço do segundo trimestre de 2026 no início da noite de terça-feira, 4 de agosto. A começar pela última linha do balanço.
Entre abril e junho de 2026, o banco reportou um lucro recorrente gerencial de R$ 12,4 bilhões, o que representou um crescimento de 7,8% sobre igual período de 2025 e de 1% em relação ao primeiro trimestre deste ano. A cifra veio em linha com as projeções do consenso.
Na mesma toada, a rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) de 24,3% no consolidado foi ao encontro das estimativas do mercado e representou um avanço de um ponto percentual na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. Já no Brasil, o ROE ficou em 25,7%.
“A consistência dos nossos resultados reflete a clareza de uma estratégia orientada ao longo prazo. Crescer com rentabilidade e qualidade de carteira exige disciplina analítica, concessão responsável de crédito e uso prático da tecnologia”, afirmou em nota, Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco.
No trimestre, a carteira de crédito total do banco somou R$ 1,5 trilhão, uma expansão de 9,6% na comparação com o segundo trimestre de 2025 e de 2,7% sobre os três primeiros meses do ano.
O banco observou que esse crescimento foi sustentado pela expansão equilibrada das operações com pessoas físicas e de pessoas jurídicas. No primeiro segmento, os destaques foram as altas de 3,9% em crédito imobiliário e de 3,5% no consignado, além do salto de 14,3% no consignado privado.
“Linhas para diferentes perfis de clientes, como o crédito consignado privado, avançam com consistência e níveis de inadimplência controlados porque são oferecidas dentro da capacidade real de pagamento dos clientes”, disse Gabriel Amado de Moura, CFO do Itaú.
O CFO afirmou que o banco segue ativo em diversas iniciativas de reorganização de dívidas. Mas ressaltou que essas medidas são apenas uma etapa de uma estratégia muito mais ampla para a consolidação de uma carteira saudável, o que inclui ainda frentes como qualidade na concessão e precificação correta.
Sob essa orientação, os índices de inadimplência da operação seguiram em seus melhores níveis históricos. A inadimplência acima de 90 dias, por exemplo, permaneceu no patamar de 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo.
Já as despesas de perda esperada com crédito (PDD) ficaram em R$ 10,13 bilhões, entre outubro e dezembro, uma expansão de 7,4% sobre o montante reportado no mesmo intervalo, um ano antes, e de 1,9% sobre o primeiro trimestre de 2026.
“Foi um balanço bom, com despesas 'ok' e desacelerando, como o banco vinha indicando, margem e qualidade de crédito bons e inadimplência bem controlada”, diz um gestor que tem posição no papel, ao NeoFeed. “Em resumo, o resultado foi bom, mas neutro e sem surpresas”.
Em outras linhas do balanço, a margem financeira com clientes avançou 3,3% no segundo trimestre, impulsionada pelo crescimento da carteira de crédito e pelo efeito calendário, com o maior número de dias corridos no trimestre.
As receitas com serviços e seguros registraram expansão de 0,4%. O banco observou que esse ligeiro avanço veio na esteira do aumento das receitas com administração de fundos e, como esperado, dos menores ganhos com pagamentos e recebimentos, em função do ajuste comercial em pacote de tarifas.
O balanço foi acompanhado de uma revisão nas projeções de receita de prestação de serviços e resultados de seguro para 2026, que agora apontam para um crescimento na faixa de 2% a 5%, contra a estimativa anterior entre 5% e 9%.
De acordo com o Itaú, a atualização está relacionada, principalmente, à maior volatilidade no mercado de capitais do que a projetada no início do ano. O banco reiterou que as demais projeções do guidance estabelecido no começo de 2026 estão mantidas.
As ações preferenciais do Itaú fecharam o pregão de terça, 4, com queda de 2,48%, cotadas a R$ 42,10. No ano, os papéis registram uma valorização de 7,3%, levando o valor de mercado do banco a R$ 464 bilhões.