Muito antes de se tornar o centro de uma disputa judicial de € 17,5 milhões envolvendo o cofundador e CEO da Revolut, Nik Storonsky, o megaiate Nixie já carregava uma história conturbada — que passa até por Daniel Vorcaro, segundo o jornal britânico Financial Times.

Quando deixou as instalações do estaleiro alemão Lürssen e foi lançado à água no Canal de Kiel, em fevereiro, a embarcação de 102 metros já havia passado por três proprietários. Encomendado pelo bilionário canadense e ex-jogador de hóquei Patrick Dovigi, ele mudou de mãos ainda em construção, quando foi adquirido pelo dono do Banco Master. Depois da prisão do banqueiro mineiro, Dovigi recomprou o barco e, em janeiro, o revendeu para Storonsky.

Agora, o escritório de advocacia Cecil Wright & Partners entrou com uma ação no Tribunal Superior de Londres contra o empresário russo-britânico, alegando que ele “agiu pelas costas” da corretora para evitar o pagamento da comissão do iate.

Em outubro de 2024, um consultor do family office de Storonsky entrou em contato com a Cecil Wright para pedir ajuda na construção de um iate sob medida para o CEO da Revolut. Como projetos desse tipo levam muito tempo, meses depois ele voltou à corretora em busca de uma embarcação que pudesse ser comprada enquanto o outro, personalizado, não ficava pronto.

Foi aí que a Cecil Wright comentou sobre o Nixie. Em janeiro, porém, o mensageiro de Storonsky voltou a Chris Cecil-Wright, fundador da corretora, para avisar que a embarcação havia sido comprada diretamente de Dovigi. Na ação, o escritório de advocacia alega ter direito a uma comissão de 5% sobre a venda, como havia sido acordado no contrato de corretagem.

“É muito raro que corretores se encontrem nessa situação e é a primeira vez que isso acontece comigo, mas estou muito preocupado com o assunto e, por isso, estou tomando providências”, diz Chris Cecil-Wright, em entrevista ao FT.

Com o lema "menos clientes, mas com muito mais qualidade", o escritório é uma das corretoras de embarcações de luxo mais exclusivas do mundo. Entre elas está o Madame Gu, de 99 metros, pertencente ao bilionário russo Andrei Skoch.

O iate passou a integrar a lista de bens afetados pelas sanções internacionais impostas ao empresário, que teve ativos milionários bloqueados e viu seu patrimônio de luxo se transformar em alvo de disputas judiciais e operacionais na Europa e nos Estados Unidos.

Um porta-voz do family office de Storonsky afirma ao jornal The Wall Street Journal: "Estamos cientes da alegação. Ela não tem fundamento e será contestada."

Avaliado em € 350 milhões, à primeira vista, o Nixie não parece um megaiate de 102 metros.

O casco cinza, as linhas limpas e a superestrutura de curvas suaves lhe dão uma aparência surpreendentemente discreta, descrevem os especialistas.

Mas basta olhar mais de perto para encontrar uma mansão flutuante para até 20 hóspedes, atendidos por uma tripulação de 34 pessoas. São dois helipontos, spas privativos e salas de cinema.

No convés inferior, fica um dos maiores beach clubs já construídos pela Lürssen. Com 270 metros quadrados, o espaço combina áreas internas e externas, reunindo bar, sala de refeições e lounge, além de dois amplos terraços voltados para o mar.

Uma plataforma retrátil permite acesso direto à água. Próxima dali, a academia é equipada com ducha a vapor, câmara de crioterapia e duas varandas retráteis. O destaque é a piscina infinita com fundo de vidro de 7,6 metros, que fica semi-suspensa na popa do convés principal e se estende sobre a plataforma, criando uma conexão entre o iate e o mar.