Passado o impacto provocado pelas operações Carbono Oculto e Poço de Lobato, da Polícia Federal, que apura fraudes fiscais e atuação do crime organizado no mercado de combustíveis, o cenário para a rede Ipiranga é de crescimento de pelo menos 2,5% no volume anual de vendas. A avaliação é do BTG Pactual, que iniciou a cobertura da Ultrapar, holding que controla a empresa.

Para os analistas, a tendência é de que, a partir deste novo momento em 2026, as margens da empresa de combustíveis do grupo registrem um crescimento de 17,8%. “Na Ipiranga, esperamos que a margem Ebitda atinja em média R$ 165 por metro cúbico (m³) em 2026 versus R$ 140/m³ em 2025 e R$ 144/m³ em 2024, apoiada por crescimento de volumes”, diz o relatório.

“Nossa visão é sustentada por uma redução das atividades irregulares no mercado brasileiro de combustíveis, o que acreditamos que pode resultar em um ambiente competitivo mais saudável”, afirma o documento, assinado pelos analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha.

Em dezembro, o presidente da Ipiranga, Leonardo Linden, disse ao NeoFeed que a companhia poderia abrir 700 postos por ano no Brasil, que representaria o dobro do ritmo atual, não fosse a presença do crime no setor.

“Ao mesmo tempo em que investimos em segurança e infraestrutura, temos que competir com quem não dá a mínima para isso e sonega impostos. Competíamos nesse ambiente, mas isso não é justo”, disse o executivo, na ocasião.

Segundo o BTG, há oportunidades de crescimento para a Ultrapar, que também controla a Ultragaz, a Ultracargo e a Hidrovias do Brasil, em possíveis futuras aquisições ainda neste ano. Os analistas projetam um volume de R$ 1,2 bilhão para pagamentos de dividendos no ano, o que deixa a empresa, ainda na visão dos analistas, com “um balanço confortável”.

“Com a administração mirando uma alavancagem recorrente de duas vezes a relação dívida líquida versus Ebitda, estimamos que a Ultrapar tenha espaço de R$ 3,1 bilhões para buscar novas oportunidades de crescimento, ou aumentar as distribuições aos acionistas”, afirma o banco.

Neste sentido, os analistas reconhecem que boa parte das oportunidades que podem surgir no cenário para este ano está relacionada ao bom desempenho da unidade de postos de combustíveis da companhia.

“Gostamos particularmente da abordagem disciplinada da Ultrapar na alocação dos fluxos de caixa excedentes da Ipiranga, seu negócio “vaca leiteira” de distribuição de combustíveis, em crescimento orgânico e/ou inorgânico”, explica.

No acumulado dos primeiros nove meses de 2025, a Ipiranga registrou receita líquida de R$ 93,5 bilhões, frente ao total de R$ 104,5 bilhões da Ultrapar no período. A empresa de combustíveis do grupo cresceu 5%, já sob efeito das operações da Polícia Federal, a partir do combate ao mercado irregular em postos.

A perspectiva dos especialistas do BTG é que, em 2026, a Ultrapar continue buscando crescimento rentável, com um retorno sobre o capital investido (Roic) acima de 20% em seus negócios.

Caso a empresa opte por não prosseguir com crescimento inorgânico e volte a preferir usar os recursos para distribuir caixa adicional, a estimativa dos analistas é para um dividend yield em 2026 perto de 18%.

Entre janeiro e setembro de 2025, a holding controladora da Ipiranga registrou um lucro líquido de R$ 2,3 bilhões, alta de 39% sobre o mesmo período do ano anterior. Os investimentos foram de R$ 1,7 bilhão, 19% a mais do que na mesma base de 2024, o que incluiu a abertura de novas unidades. A empresa tem cerca de seis mil postos no Brasil.

Com recomendação de compra das ações, o BTG indica um preço-alvo de R$ 31 para o papel nos próximos 12 meses, contra um valor atual negociado de R$ 22,50.

As ações da Ultrapar na B3 acumulam valorização de 41,5% no cenário de 12 meses. Na sexta-feira, 16 de janeiro, os papéis da companhia operavam em alta de 1,12% por volta de 12h50. A Ultrapar está avaliada em R$ 25,1 bilhões.