O anúncio feito pelo Grupo Fleury de uma possível união com a Oncoclínicas e a Porto Seguro, vertical de saúde do grupo Porto, para criação da empresa de oncologia NewCo, foi visto pelo mercado com otimismo, mas com pontos de atenção relevantes.
No desenho da transação, Fleury e Porto Seguro vão investir conjuntamente R$ 500 milhões na nova empresa, por meio de uma holding, da qual serão únicas donas e por meio da qual exercerão o controle. Ainda não está definida a participação societária de cada uma delas na NewCo.
“À primeira vista, a transação anunciada envolvendo o Fleury parece estrategicamente coerente com a ambição da empresa de expandir para segmentos de maior complexidade e crescimento mais rápido, como a oncologia, onde o Fleury já possui uma joint venture em andamento com o Bradesco Saúde e a Beneficência Portuguesa”, diz relatório do Itaú BBA, assinado por Vinicius Figueiredo, Lucca Generali Marquezini e Felipe Amancio.
Enquanto isso, a Oncoclínicas vai transferir seus ativos e as operações relacionadas a clínicas de oncologia para a NewCo, além de mais R$ 2,5 bilhões em dívidas e passivos. E é essa questão, sobre a situação financeira da empresa, afetada pela crise do Banco Master, que pode causar incertezas na operação.
“Ainda não sabemos quanto do Ebitda da Oncoclínicas será transferido para a NewCo e se isso poderá ser parcialmente impactado pela possível perda dos atuais contratos de credenciamento”, afirmam os especialistas do Itaú BBA.
Neste sentido, um dos principais desafios para a consolidação da nova empresa está justamente no momento da empresa que já teve o banco de Daniel Vorcaro como acionista. Para os analistas, há incertezas que dificultam a visão mais clara da transação.
“A possível migração de clínicas de oncologia para uma nova empresa pode exigir novos acordos de credenciamento com operadoras de planos de saúde e colocar em risco os acordos de exclusividade atualmente detidos pela Oncoclínicas”, completa o documento.
Na visão dos analistas do Itaú, o próprio avanço das negociações será um fator crucial para a conclusão do negócio. e precisa ser monitorado pelo mercado. A própria conclusão da due diligence, ainda em andamento, continua sendo um marco importante para viabilizar o negócio.
O risco para a concretização do term sheet não vinculante está, na avaliação dos analistas, na exigência destes possíveis novos contratos e na necessidade de novas parcerias com operadoras de saúde.
Com a confirmação da transação, a NewCo emitiria debêntures conversíveis em ações ordinárias, que seriam subscritas pela holding e seus donos, a Porto Seguro e o Fleury.
A Oncoclínicas também teria o direito de subscrever debêntures conversíveis até o limite de 30% do montante total. No entanto, ainda não está definido o cronograma da conversão.
Pelo cronograma estabelecido, as debêntures teriam um montante agregado de R$ 500 milhões, um vencimento em 48 meses e remuneração de 110% da taxa CDI.
A Oncoclínicas concedeu à Fleury e à Porto Seguro um período de exclusividade de 30 dias, a partir de 13 de março, para negociar acordos definitivos, que estabelecerão os termos finais da transação.
No pregão desta segunda-feira, 23, na B3, as ações das três companhias estão em alta. Por volta de 15h10, os papéis do grupo Fleury registravam alta de 3,35%. No mesmo horário, a Oncoclínicas subia 53,85%, e a Porto, 3,6%.
No acumulado de 12 meses, o cenário da Oncoclínicas é de desvalorização de 60%. No mesmo período, as ações do Fleury subiram 33%, e as da Porto, cresceram 18,7%.
A Porto hoje vale R$ 31,8 bilhões; o Fleury, R$ 8,4 bilhões, e a Oncoclínicas, R$ 2,4 bilhões.